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(Foto: divulgação)

Luz e Sombra

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18.10.2026 - 16:14:48

A imagem que ilustra o texto integra a coleção “Frágil Fera”, da artista-joalheira Isabella Perillo, apresentada no MUDE, Museu do Design de Lisboa e catalogada na coleção particular da renomada professora de joalheria Teresa Seabra.
A produção fotográfica da artista enriquece ainda mais o contexto do acessório contemporâneo, expandindo seu conceito por meio do contraste entre luz e sombra no contorno delicado do corpo feminino e no modo inconvencional de usar as siamesas luvas, cujo um dos pares está gravado, repetidamente, o próprio título da obra: Frágil Fera.

A composição evoca também a ideia do trava-língua, do verso sem rima e do controverso que persegue a impermanência. A impermanência da vida, das relações, das cidades e das políticas.

A história por trás das alvas luvas de Bella, como é carinhosamente, conhecida Isabella Perillo, revela um encontro casual, em meio à grande metrópole de Lisboa, com um homem em situação de rua que lhe confidenciou relatos pessoais e experiências de vida com os quais a artista se identificou.

Diante dos perigos e das inseguranças aos quais uma jovem mulher se expõe ao se aproximar voluntariamente de desconhecidos, essa pesquisa de campo, esse episódio metropolitano e essa coragem impulsiva de correr riscos constituíram a principal inspiração para uma epifania artística. O encontro deu origem a uma ligação inconvencional, mas inseparável: um momento de escuta solidária, no qual a empatia pela sombra foi acolhida pela lucidez.

A fragilidade do corpo que se expõe publicamente é confrontada pela força interior de uma consciência feroz, que habita a mente de uma mulher que pensa, sente e ama incondicionalmente.

As luvas, adquiridas de segunda mão, representam mais do que um acessório contemporâneo: simbolizam a força, a fúria e a coragem de uma bela e pequena mulher, aparentemente frágil, mas que sabe manifestar-se com propriedade.

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por Tatiana Potrich

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