A imagem que ilustra meu texto deste domingo são as obras esculpidas em argila pela caprichosa arquiteta, Fernanda Ogata. Seu design e delicadeza, que descendem da ancestralidade japonesa, destacam o impecável resultado de suas peças e a exímia habilidade nipônica, do fazer artesanal.
Não há como não vangloriar também, a influência da tropicalidade brasileira explícita em suas curvas onduladas, em sua assimetria rebelde, em seu deslocar da zona de conforto, saindo dos jardins filosofais, da terra do sol nascente, para adentrar a floresta selvagem, verde-amarelo.
E por que estou falando de Ogata? Porque conheci sua irmã no mesmo dia em que me aproximei de sua cerâmica, seu ofício terapêutico, seu recurso para a cura diária das intempéries da natureza. Testemunhamos uma perda irreparável, cuja dor de uma irmã que se vai inesperadamente é um vazio que permanecerá marcado.
E foi nesse silêncio do luto da designer, que me deparei também com o meu próprio vazio. Um vazio que antes era preenchido pela confiança e segurança em ter ao meu lado uma irmã mais velha, uma sócia, um exemplo, mas que atualmente, não me parece fazer tanto sentido, ser assim preenchido.
Passamos a entender, apenas com o tempo, que nem sempre ter alguém presente é estar preenchido por completo. Cada dor, ferida ou perda é tratada com um medicamento específico. Talvez seja por isso que persisto em realizar mostras de cerâmicas, encontros de yoga, projetos sociais e culturais que beneficiem a cura, a prática terapêutica, a busca por respostas e pelo constante autoconhecimento.
Me envolver com as histórias, dramas, aventuras e romances desse grupo tão múltiplo e visceral é aprender cotidianamente que todos carregamos um vazio interno, que de certa forma e, ao longo dos anos, oscila entre estar mais vazio ou menos vazio.
Somos como um vaso de plantas, um jarro de cerâmica, uma ânfora cheia de água, que só tem utilidade, ou só se equilibra em pé se tiver um grande buraco, que pode ou não ser preenchido.
E nesse contexto, convido a todos para vivenciarmos mais uma Mostra do Barro(Co)ntemporâneo, no Jardim Potrich, no próximo sábado, dia 19 de setembro, onde artistas, designers e artesãos expressão suas ancestralidades, suas buscas por verdades, por curas e por um intenso sentimento de viver em conexão com o autoconhecimento, praticando o ofício da cerâmica e usufruindo de seus benefícios terapêuticos.

Ampliação infinita do que sentimos com a perda!!!Dilata-se a imagem até ocupar todo o horizonte.Daí lá pelas bordas se refaz como numa ceramica da Ogata um novo contorno vibrante e indagador…ILIMITADO