Se o assunto lhe chamou a atenção e você continua lendo, é porque se interessou, então vamos lá.
A palavra aksha vem do sânscrito e significa éter. Na Química o éter é considerado um composto orgânico e na história da Ciência e da Filosofia, o éter é considerado a quintessência, o composto da propagação da luz. Assim como na Alquimia, que buscava transformar chumbo em ouro, ou metaforicamente, a dureza em amor, o desdobramento fonético de aksha, para akáshicos, busca transformar a ignorância em sabedoria.
Os estudos para os registros akáshicos nasceram do conceito moderno da Teosofia no final do século XIX e foi difundido por vertentes espiritualistas baseado no resgate das memórias ancestrais, através de um estado meditativo para que se possa acessar um banco de dados dos antepassados, um tipo de biblioteca cósmica instaurado em nosso inconsciente.
O método é interessante e muito tentador, no entanto qualquer proposta vem acompanhada dos prós e contras. Todo paciente que se coloca em busca da sabedoria, primeiro passa pelo estado anestésico da ignorância, em seguida deve estar pré-disposto a enfrentar a dor da verdade e o peso da sabedoria.
Esse desafio me pareceu um tanto ilustrativo depois que assisti ao arrebatador filme norueguês “Valor Sentimental” (2025) do diretor, Joachim Trier. O enredo do filme acompanha os protagonistas, o pai, um bem sucedido cineasta e sua filha, uma promissora atriz de teatro, que se reencontram após a morte de sua mãe para encarar as mágoas mal resolvidas do passado.
Entre primorosas fotografias, observamos novos ângulos e perspectivas das relações familiares, num resgate antropofágico com registros secretos de guerra, repetições comportamentais, ciclos viciosos arraigados pelo trauma abrupto das ocasiões históricas e a ânsia pela busca da verdade.
Esse não é um filme para amadores, “Valor Sentimental” atravessa o éter, o silêncio e a monotonia dos filmes de Hollywood para escancarar as feridas geracionais. O tema pode não ser o usual da tradicional família brasileira, mas certamente revira um passado que permeia o inconsciente coletivo de muita gente.
Nem há tanta necessidade de ir a um passado tão distante, a própria Natureza dá seus sinais e envia os diagnósticos como amostra grátis. O último eclipse solar da sexta-feira foi antecedido de uma tragédia natural, no Nepal. O clima literalmente esquentou nas geleiras e provocou uma enxurrada, causando uma enchente avassaladora.
Somos todos responsáveis pelas causas e efeitos geracionais, só nos resta saber o quanto de coragem e predisposição ainda nos falta para enfrentar a realidade e carregar, de fato, o peso das verdades não ditas.

Parabéns pela coluna! Leio todos os domingos e adoro a forma leve, sensível e inteligente com que você transita pela arte, pelo cinema e pelas pequenas grandes coisas da vida cotidiana. Já virou parte do meu domingo!