Submetida à rígidas jornadas de práticas, jejuns e meditações, seu mestre, Tirumalai Krishnamacharya se surpreendeu com a discípula e a encorajou a lecionar nas Américas.
Em 1947, Indra mudou-se para os EUA e abriu um estúdio em Hollywood, na Califórnia, cujas atrizes Greta Garbo, Glória Swanson e até Marilyn Monroe foram adeptas.
Sua coragem e determinação seria modelo para as próximas gerações validando o quanto seus sacrifícios e resiliências em persistir no bem, no correto e no coletivo seria um presente para o futuro de outras mulheres.
Embora os discursos feministas tenham se amplificado de maneira ambígua, diversas mulheres vêm conquistando seus espaços em áreas predominantemente masculinas como na Medicina, Engenharia, Direito, construção civil, exército, polícia e até na política.
Contudo, ou com quase nada ainda percebemos lacunas a serem preenchidas, cargos a serem ocupados, atitudes a serem tomadas e sinuosos caminhos a serem percorridos.
Todavia, nessa tortuosa trajetória nos deparamos com perigosas distrações, vaidades, competições e soberbas.
Deslumbradas por um encantamento efêmero da aparência, mulheres fragilizadas se entregam cegamente à tratamentos clínicos desmesurados. Sejam para ‘congelarem’ seu rosto, seios, abdômen e nádegas, sejam para ‘esticarem’ seus fios de cabelos, rugas e unhas em função de enganarem o tempo ou a si mesmas, o que evidencia um anestesiamento do corpo, alienação da mente e distorção do senso do ridículo, do senso da realidade estética.
Há ainda os “trans”tornados, que se dizem “mulheres” e não o são, que também se deslumbram caindo na mesma armadilha do ridículo, só que, além de enganarem a si próprios, querem se enganar em relação ao seu gênero.
Diferentes lados da mesma moeda, que transvestem a mesma máscara para encobrirem suas dores internas.
Foco, coragem e colhões é enfrentar o sistema, estar desperta, sóbria e atenta não só para contestar as delimitações domésticas, mas para abranger conhecimentos, criar, meditar, respirar, filosofar e pensar.
Atualmente, há um significativo resgate feminino dos fazeres ancestrais. Mulheres que voltam a se reunirem em clubes de leitura, oficinas de bordado, cerâmica, pintura, culinária, rodas de conversa, terapia coletiva e tudo mais que nossas avós e tataravós faziam antigamente.
Um apelo inconsciente que vem se intensificando, numa retomada ao verdadeiro sentido feminista, o fazer artesanal, com as mãos, com movimento corporal, mental e maternal.
Ascender ao chamado do sagrado feminino é acender a luz interior para aceitar o que a natureza nos presenteou: o dom de co-criar, de procriar.
Cuidar do corpo sem o adulterar, zelar da mente com mais atenção plena.
Entender que a vida é uma viagem passageira para nutrir e embelezar a alma, o espírito e, não somente a aparência externa, física.
