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Jardim Potrich. (Foto: Acervo pessoal)

Terapias Ocupacionais

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05.04.2026 - 09:18:45

Aproveitando o ensejo do Domingo de Páscoa é legítimo dizer que cada um de nós é uma parte do Todo, de Deus, segundo o Cristianismo. O que ainda se encontra em processo de legitimação é a descoberta de qual porção de nós, de fato, contribui com esse Todo, ou seja, o Uno, segundo o Hermetismo.

Nessa mesma linha filosófica, a Hermenêutica dedica-se a interpretação profunda de textos, símbolos e discursos analisando o contexto e a intenção da mensagem. Tanto nas tradições orientais, quanto nas ocidentais, a ética, que é uma das porções relevantes do todo, se estabelece como princípio fundamental para uma conduta coerente entre os seres humanos, em cada época e momento.

O yoga, por exemplo, aprofunda o conhecimento das múltiplas camadas existentes de nossa personalidade através da introspecção, resiliência e persistência na repetição de posturas, respirações e mantras. O autoconhecimemto não é sobre o método, mas sobre a busca pessoal, ora pela filosofia, ora pelas terapias ocupacionais e caminhos afins.

O próprio exercício da olaria é um metódo terapêutico. Manusear a cerâmica também exige paciência, tempo de espera, constância, pausa e disciplina. Tanto o yoga, quanto a cerâmica comprovam o resultado da prática através da melhora ou do desgaste do praticante. Um corpo fadigado, dolorido e exausto pode não ter sido bem conduzido, ou bem orientado. Pode ter sido forçado, negligenciado, mal tratado. Da mesma forma, uma peça de cerâmica que apresenta fissuras, rachaduras, quebras pode não ter sido moldada corretamente, ou no momento propício, desconsiderando fatores como o clima, a temperatura, a umidade.

Certa vez escutei algo muito curioso da Bel Lemos (Atelier Poética da Terra – @ledeiras):

“Somos crianças coletoras. Todos nós coletamos. A gente entende que a coleta é sobre o que a gente escolhe, mas não. Ela é também sobre o que a gente deixa. A gente reflete: ‘eu pensei muito para escolher isso’, mas não. A gente abriu mão de tudo que estava em volta porque os olhos ficaram em alguma coisa que fazia sentido naquele momento”.

Os olhos se fixam, se hipnotizam, se embriagam diante de algo, por um instante, então, inevitavelmente tornamos-nos responáveis tanto pelo que escolhemos quanto pelo que renunciamos. Somos moldados em barro, por Deus, ou pelo sopro de Afrodite, em camadas sobre camadas, metaforicamente, como uma matrioska, dentro de uma, há outra e outra e mais outra. Inúmeras máscaras, desmascaradas, se mascarando, ou desmascarando, em constante movimento entre ocultar e revelar, vestidas conforme a exigência do momento.

Assim, começamos a compreender que é por meio da investigação filosófica ou terapêutica que aprendemos a lidar com essas escolhas e renúncias. Aprendemos a perceber que certas dores ou fissuras surgem também porque abrimos mão de outras possibilidades, de outras máscaras disponíveis. Aprendemos, sobretudo, a aceitar que toda cerâmica pode se quebrar e, está tudo bem, porque ela sempre poderá retornar ao seu estado de origem: o barro, a terra, o pó. Assim como nós…

Feliz Páscoa!

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por Tatiana Potrich

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