A ‘mina’ que aqui se debruça no peitoril barroco da Igreja Nossa Senhora do Carmo, contemplando a paisagem da cidade histórica de Ouro Preto é Juliana Pace, ‘mirmã’ mineira. Juju me apresentou à atriz, diretora e preparadora de elenco, Larissa Bracher, há quase 25 anos, em Belo Horizonte, quando ainda desfrutámos o frescor da juventude e a liberdade de uma vida em estado civil childfree.
Contagiada pela nostalgia e curiosidade, fui instigada a me debruçar sob a escrita ‘barroca’ da atriz, no seu livro: “Verdade Inventada – Corpo e Neurociência na construção das emoções nos palcos e na vida”, de 2025, lançado pela Editora Vestígios. O livro é um compilado precioso de observações científicas, culturais e espirituais acerca da história do teatro, o modus operandi da atuação, críticas e condenscendências às limitações humanas além do seu incontestável carisma dissertativo herdado dessa terra auspiciosa e abundante, repleta de minas e manos gerais (ops) legais.
Foi lendo, em suas primeiras páginas, que me despertei ao sentido real da palavra ‘afetiva’:
“É importante destacar que o termo ‘afetiva’ não diz respeito ao sentimento de ternura, mas sim tudo aquilo que nos impacta, atravessa e mobiliza. Portanto, ao longo deste livro, usarei a expressão IMAGEM QUE AFETA”.
Analisando por essa perspectiva, o efetivo efeito do termo ‘afetivo’ é afetar, seja física, espiritual ou mentalmente.
O mais curioso é que eu não sabia, ou talvez não me lembrasse, que Lala praticava o yoga, hábito que conheceu através de sua mãe, aos 11 anos de idade.
No ‘Ato 3’, trocadilho que ela faz ao substituir ‘Capítulo 3’, pela divisão de uma peça teatral, o título: “A arte de ligar o Namastê” aborda a relação favorável da prática do yoga com o repertório gestual, respiratório, ético/estético do artista.
Mais uma preciosa informação, cuja ideia amplia minha ótica sobre os bastidores dessa profissão, que tanto exige do corpo, da mente e da alma. Um livro que molda o pensamento cultural, não só para atores e atrizes, mas para outras áreas de trabalho.
“As descobertas recentes da neurocência mostram que o cérebro é mais ‘barro’ que ‘pedra’, portanto moldável, adaptável e capaz de reorganizar ao longo da vida. Esse novo paradigma, que desmonta a ideia de um eu fixo e determinado, transforma a todos em possíveis neuroartesãos da própria identidade”
Com o ‘Prefácio’, ou ‘Evocação’ escrito pela disruptiva, Vera Holtz, atriz e artista antropológica da atualidade, talvez o único adendo que ousaria fazer, seria incluir à bibliografia de ‘Verdade Inventada’ (2025), o livro do israelense, Yuval Noah Harari, ‘Sapiens – uma Breve História da Humanidade’ (2015), não é mesmo, Holtz!?
Que tantas mais portas, livros e minas se abram por esse Brasil afora, gerando, gestando e germinando multiVERSOS e conhecimentos gerais.