Logo
(foto: divulgação)

Inversões

WhatsAppFacebookLinkedInX
26.04.2026 - 08:30:05

Diz o ditado popular: “todo dia sai de casa um malandro e um bobo, quando os dois se encontram, dá negócio”.

Uma pérola do capitalismo selvagem, o ditado, que ofende alguns e diverte outros, é uma carapuça que cutuca.

Feliz ou infelizmente, os adjetivos da oração podem se inverter e isso acontece quando uma das partes, principalmente o lado mais lesado toma consciência e se precave de futuros prejuízos. Isso pode acontecer com qualquer um, em qualquer tipo de negócio, transação, acordo, tratado, contrato, lição ou metodologia.

Há tanta pressa, imediatismo e bombardeio imagético que sequer checamos as fontes, a veracidade, a coerência ou a coesão dos fatos, seja no noticiário, no comércio, na loja, na sala de aula, numa prática de yoga.

O apuro, o aprimoramento, a sensibilidade em distinguir o bom do ruim, o melhor do pior, o certo do errado, a verdade da mentira, não é mais uma questão de opinião, gosto ou satisfação, mas de constatações, provas e empirismo. Avaliar situações, atitudes e comportamentos expondo o ponto de vista crítico pode ser democrático para todo mundo, mas não é de unânime competência à todos.

A cautela, estudo, dedicação, foco e entusiasmo no parecer de qualquer assunto não pode ser conduzido com imediatismo, rapidez ou pressa.

Tudo exige pausa, contemplação, observação, cuidado, mas, principalmente, impressibilidade. Como algo que se aprende ou se predispõe a aprender com o tempo, com o refinamento, com a estética e a lógica.

O yoga, por exemplo, é uma prática milenar que atualmente se desdobrou em múltiplas possibilidades como em seitas religiosas, modalidades de academia, degustação de vinho, chocolate, atração de loja para consumo, concursos de contorcionismo e tudo mais que você quiser, só que não.

A origem do yoga é tão antiga quanto o sânscrito, uma filosofia que intercambia os fundamentos do taoísmo, hinduísmo e budismo, além de se desdobrar nas escrituras do Bhagavad Gita e nos conselhos do I Ching. Reduzi-la num pretensioso e superficial contexto é uma atrevida malandragem.

Todavia, vivemos num mundo capitalista, imediatista e totalmente preguiçoso quando o assunto é a averiguação de fatos. A inversão de papéis, do ditado popular, só seria realmente possível com a predisposição do bobo, a perder o seu tempo, em averiguar a veracidade e vantagens dos ‘negócios’ do malandro, para ele.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Tatiana Potrich

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Curadoria Afetiva
01.11.2026
Zen Vergonha

Peço licença para me apropriar do título do podcast da destemida, Fernanda Lima que tem como principal objetivo falar de assuntos sem tabus ou constrangimentos e que, no meu caso e nesse texto específico, serviu como uma luva. Para início de conversa indicarei a série alemã, “Assassino Zen” (2024), disponível na Netflix, cuja segunda temporada […]

Curadoria afetiva
25.10.2026
Equilíbrio

“A Anitta fez um curta musical que é um dos maiores acontecimentos do ano. Equilibrivm I-II tem 35 minutos. Acho que uma boa maneira de resumi-lo é dizer que ele é uma grande homenagem à cultura brasileira, feito com muito cuidado e respeito. A pesquisa visual do projeto vai fundo em três pilares. Primeiro, as […]

Curadoria Afetiva
18.10.2026
Luz e Sombra

A imagem que ilustra o texto integra a coleção “Frágil Fera”, da artista-joalheira Isabella Perillo, apresentada no MUDE, Museu do Design de Lisboa e catalogada na coleção particular da renomada professora de joalheria Tereza Seabra. A produção fotográfica da artista enriquece ainda mais o contexto do acessório contemporâneo, expandindo seu conceito por meio do contraste […]

CURADORIA AFETIVA
11.10.2026
CoCriar

Poucas mulheres na história da Humanidade conseguiram um feito tão nobre quanto o de Indra Devi (1899-2002). Natural da atual Letônia, usou do poder de sua diplomacia cultural para conseguir ser aceita como aluna no Palácio de Mysore, na Índia e aprender os segredos do yoga, até então apenas praticado por homens. Submetida à rígidas […]

Curadoria Afetiva
04.10.2026
Os equívocos da humanidade

Seres fantásticos, animais sagrados e amuletos da sorte sempre fizeram parte do imaginário coletivo desde os primórdios da humanidade. Intimamente conectados com a natureza, as civilizações antigas, e digo nossos ancestrais, observaram por gerações características cíclicas e regenerativas na fauna e na flora. A simbologia do cervo, por exemplo, provido de exuberantes galhadas na cabeça, […]

Curadoria Afetiva
27.09.2026
Códigos atemporais

Há uma contagiante efervescência cultural, como costumávamos caracterizar o circuito social na década de 80, que, curiosamente, vem se reprisando na capital goiana. Salões de arte, mostras de artistas renomados (estejam eles vivos ou mortos), apresentações públicas e privadas de espetáculos clássicos, caricatos e criativos. Aparentemente, um despertar coletivo que contamina, no bom sentido, todos […]

CURADORIA AFETIVA
20.09.2026
Da Tranquilidade botânica

“No entanto, o sábio não pode desprezar os maus, porque, em todos os tempos, as condições morais quase sempre são as mesmas. Se o mal é uma necessidade da vida, da qual os homens não podem subtrair, não se deve odiá-los, mas aprender a respeitá-los.” (Da tranquilidade da alma, Sêneca) A palavra mal vem do […]

Curadoria Afetiva
13.09.2026
Práticas terapêuticas

A imagem que ilustra meu texto deste domingo são as obras esculpidas em argila pela caprichosa arquiteta, Fernanda Ogata. Seu design e delicadeza, que descendem da ancestralidade japonesa, destacam o impecável resultado de suas peças e a exímia habilidade nipônica, do fazer artesanal. Não há como não vangloriar também, a influência da tropicalidade brasileira explícita […]