Diz o ditado popular: “todo dia sai de casa um malandro e um bobo, quando os dois se encontram, dá negócio”.
Uma pérola do capitalismo selvagem, o ditado, que ofende alguns e diverte outros, é uma carapuça que cutuca.
Feliz ou infelizmente, os adjetivos da oração podem se inverter e isso acontece quando uma das partes, principalmente o lado mais lesado toma consciência e se precave de futuros prejuízos. Isso pode acontecer com qualquer um, em qualquer tipo de negócio, transação, acordo, tratado, contrato, lição ou metodologia.
Há tanta pressa, imediatismo e bombardeio imagético que sequer checamos as fontes, a veracidade, a coerência ou a coesão dos fatos, seja no noticiário, no comércio, na loja, na sala de aula, numa prática de yoga.
O apuro, o aprimoramento, a sensibilidade em distinguir o bom do ruim, o melhor do pior, o certo do errado, a verdade da mentira, não é mais uma questão de opinião, gosto ou satisfação, mas de constatações, provas e empirismo. Avaliar situações, atitudes e comportamentos expondo o ponto de vista crítico pode ser democrático para todo mundo, mas não é de unânime competência à todos.
A cautela, estudo, dedicação, foco e entusiasmo no parecer de qualquer assunto não pode ser conduzido com imediatismo, rapidez ou pressa.
Tudo exige pausa, contemplação, observação, cuidado, mas, principalmente, impressibilidade. Como algo que se aprende ou se predispõe a aprender com o tempo, com o refinamento, com a estética e a lógica.
O yoga, por exemplo, é uma prática milenar que atualmente se desdobrou em múltiplas possibilidades como em seitas religiosas, modalidades de academia, degustação de vinho, chocolate, atração de loja para consumo, concursos de contorcionismo e tudo mais que você quiser, só que não.
A origem do yoga é tão antiga quanto o sânscrito, uma filosofia que intercambia os fundamentos do taoísmo, hinduísmo e budismo, além de se desdobrar nas escrituras do Bhagavad Gita e nos conselhos do I Ching. Reduzi-la num pretensioso e superficial contexto é uma atrevida malandragem.
Todavia, vivemos num mundo capitalista, imediatista e totalmente preguiçoso quando o assunto é a averiguação de fatos. A inversão de papéis, do ditado popular, só seria realmente possível com a predisposição do bobo, a perder o seu tempo, em averiguar a veracidade e vantagens dos ‘negócios’ do malandro, para ele.
