Logo

Potencializando a energia dos data centers na era da Inteligência Artificial

WhatsAppFacebookLinkedInX
22.01.2026 - 07:41:24

Projetos de infraestrutura flexíveis e escaláveis são cruciais para possibilitar a inovação em IA. Para que essa meta se cumpra, é fundamental que as implementações e o uso não comprometam a confiabilidade e a eficiência das operações.

Plataformas de computação acelerada e serviços em nuvem estão impondo um desafio cada vez mais complexo aos sistemas de energia. Essas instalações precisam oferecer confiabilidade, suportar a crescente demanda por energia e reduzir o impacto ambiental. Essas demandas estão causando uma grande pressão sobre as redes de distribuição de energia e estão remodelando a forma como os operadores de data centers — tanto hyperscales quanto empresas — abordam o gerenciamento de energia. Fica claro que inovação e responsabilidade ambiental são prioridades críticas para o futuro.

Cargas de trabalho de IA e complexidade energética

A inteligência artificial (IA) emergiu rapidamente como uma força motriz em muitos setores. Mas, apesar de todo o seu potencial, a IA apresenta requisitos energéticos significativos. O treinamento de modelos de IA consome uma enorme quantidade de poder computacional, muitas vezes resultando em picos intensos de demanda de energia que levam os sistemas de energia aos seus limites. Ao contrário das cargas de trabalho de TI tradicionais, com necessidades de energia consistentes, a IA introduz picos imprevisíveis e de alta densidade que exigem que os sistemas sejam capazes de se adaptar rapidamente. Por outro lado, instalações mal equipadas para lidar com essas rápidas flutuações de carga podem causar rápida deterioração dos equipamentos e inesperadas paralisações.

Para os operadores de data centers, isso representa tanto um desafio técnico quanto um imperativo estratégico de negócios. Manter a disponibilidade do sistema enquanto se dimensionam as cargas de trabalho de IA pode ser a diferença entre manter a competitividade e ficar para trás. Para enfrentar esses desafios, os sistemas de energia precisam evoluir para lidar com a variabilidade e a intensidade das plataformas de computação baseadas em IA.

A pressão sobre as redes elétricas

Com o aumento crescente das necessidades energéticas dos data centers, particularmente em regiões onde data centers hyperscale estão geograficamente concentrados, esses centros se tornaram importantes participantes do ecossistema energético. As concessionárias de energia estão lutando para acompanhar essa demanda. A expansão da capacidade dos data centers é frequentemente atrasada porque as redes locais simplesmente não possuem a infraestrutura necessária para fornecer a energia exigida. Em segundo lugar, essa expansão exige que os operadores não apenas se concentrem na eficiência energética interna, mas também desempenhem um papel ativo na estabilidade energética regional.

Como o setor pode lidar com isso? Soluções de interação com a rede como sistemas de alimentação ininterrupta (UPS) podem ser da resposta. A incorporação de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) juntamente com ou integrados aos componentes de UPS permite que os data centers armazenem energia durante os horários de menor consumo e a liberem durante os picos de demanda. Essa funcionalidade mitiga a pressão sobre a rede e, simultaneamente, cria oportunidades para usar a energia armazenada e controles avançados de gerenciamento de energia quando necessário. A meta é ajudar a rede a manter a estabilidade, equilibrando dinamicamente a oferta e a demanda de energia.

Rumo à eficiência e à responsabilidade ambiental

O consumo de energia dos data centers colocou o impacto ambiental em destaque, ressaltando que as práticas dessas instalações devem ser ambientalmente responsáveis, e não uma opção. Os operadores estão sendo cada vez mais fiscalizados em relação às suas emissões dos Escopos 1 e 2, tornando fundamental a adoção de práticas que minimizem a pegada de carbono e as perdas de energia.

Um dos avanços mais promissores nessa área é a transição das baterias de chumbo-ácido reguladas por válvula (VRLA) para a tecnologia de íon de lítio (Li-ion). Em comparação com suas antecessoras, as baterias de íon de lítio oferecem maior vida útil, tempos de recarga mais rápidos e menor tamanho físico. Isso significa menos substituições, menos tempo de inatividade e maior flexibilidade de instalação. Mas a maior vantagem das baterias de íon de lítio é que elas são ideais para a integração de fontes de energia alternativas, servindo como a ponte que transforma fontes de energia intermitentes, como a solar, em energia de reserva confiável.

Sistemas de distribuição de energia eficientes, como projetos de barramentos abertos e distribuição de energia em rack de alta tensão, são essenciais para fornecer maior potência, minimizar perdas e maximizar a eficiência. Os operadores também estão adotando estratégias mais inteligentes, como sistemas de energia modulares, que permitem que as instalações expandam gradualmente o fornecimento de energia sem interromper as operações. Essas inovações não apenas reduzem os custos operacionais, mas também se alinham com objetivos ambientais mais amplos.

Em busca de novos modelos energéticos

Criar um roteiro estratégico de alto nível e lidar com esses desafios em constante evolução exige uma abordagem voltada para o futuro:

Projetar para flexibilidade: Sistemas de energia escaláveis e modulares permitem o crescimento da infraestrutura em conjunto com a IA e outras cargas de trabalho de alto desempenho.
Integrar soluções avançadas de gerenciamento de energia: Sistemas resilientes de gerenciamento de energia (EPMS) oferecem insights em tempo real sobre o consumo de energia, possibilitando decisões mais inteligentes que otimizam o desempenho.
Colaborar com líderes do setor: Trabalhar com parceiros experientes que oferecem tanto conhecimento em engenharia quanto um amplo portfólio de soluções pode fazer toda a diferença.

Olhando para o futuro

O sistema de alimentação de energia dos data centers está se tornando um foco central para a gestão de energia e o desenvolvimento tecnológico; é a espinha dorsal do futuro do setor. Adaptar-se a tendências como cargas de trabalho impulsionadas por IA, sobrecarga da rede elétrica e crescentes expectativas de responsabilidade ambiental exigirá que os operadores repensem cada etapa do sistema de alimentação de energia, da rede elétrica ao chip. A hora de preparar o data center para essa evolução é agora.

*Peter Panfil lidera o desenvolvimento estratégico de clientes para a área de soluções de energia da Vertiv.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Peter Panfil

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Ricardo Menegatto
15.09.2026
Novas regras mudam a relação entre consumidor e plataformas de ingressos

Comprar ingresso para um show, festival ou espetáculo deixou há algum tempo de ser uma operação simples. Filas virtuais pouco transparentes, preços que mudam em questão de minutos, taxas reveladas apenas na etapa final da compra e ingressos rapidamente esgotados por sistemas automatizados transformaram a aquisição de uma entrada em uma experiência muitas vezes frustrante […]

Fernando Schüler
13.09.2026
O dia ‘D’ da democracia brasileira

Fernando Schüler São Paulo – “Apagar dados do celular indica consciência sobre a ilegalidade dos atos praticados”, escreveu o ministro Alexandre de Moraes, em um dos argumentos para condenar a cabeleireira Débora dos Santos a 14 anos de prisão. E explicou: “se o indivíduo tivesse convicção de sua inocência, não teria motivo para eliminar registros que […]

Tia Dag
12.09.2026
A escolha de um jovem começa muito antes do vestibular

Para falar sobre o futuro de um jovem, é necessário falar também sobre as oportunidades que ele encontrou ao longo do caminho. Nenhuma escolha começa apenas no momento da inscrição em uma faculdade. Ela é construída desde os primeiros anos de escola, a partir da qualidade do ensino, do acesso à cultura, das referências profissionais, […]

Ketllyn Fernandes
10.09.2026
Comunicar é uma arte

Setembro costuma ser um mês de muitas campanhas, estatísticas e alertas sobre saúde mental. Por isso, senti de abordar o tema por outro caminho: a partir da arte. Recentemente, a artista japonesa Yayoi Kusama, um dos maiores nomes da arte contemporânea, nos deixou aos 97 anos. Durante décadas, ela falou abertamente sobre seu sofrimento psíquico […]

Ives Gandra da Silva Martins
09.09.2026
Mandato de 12 anos para os ministros do STF

A OAB de São Paulo, o Instituto dos Advogados de São Paulo e a Associação dos Advogados — três entidades representativas da advocacia paulista — têm apontado que a perda de credibilidade do Supremo Tribunal Federal decorre do fato de a Corte ter deixado de ser apenas um legislador negativo e um tribunal imparcial para […]

José Maria Franco de Godoi Neto
09.09.2026
O custo invisível das decisões empresariais

Toda decisão empresarial envolve risco. A abertura de uma nova unidade, a aquisição de outra empresa, o lançamento de um produto ou a entrada em um novo mercado exigem projeções financeiras, análises de viabilidade e estudos de mercado. No entanto, ainda é comum que um componente decisivo fique em segundo plano: o risco jurídico. Essa […]

Juliano Fagundes
09.09.2026
Inteligência Artificial analisa “A Sublime Maria de Nazaré” e identifica fundamentos históricos e profundo simbolismo na obra de Mércia Aguiar

A obra “A Sublime Maria de Nazaré”, recebida mediunicamente por Mércia Aguiar, vem despertando atenção não apenas por sua dimensão espiritual, mas também pela riqueza de elementos históricos, culturais e simbólicos presentes em sua narrativa. Com o objetivo de investigar até que ponto os acontecimentos, costumes e ambientes descritos no livro encontram correspondência com o […]

José Expedito da Silva
07.09.2026
Eleição: a festa da cidadania

Será necessária muita sabedoria para que a eleição seja, de fato, a festa da cidadania — um momento livre de hostilidades e polarizações ideológicas. Dessa forma, todos os convidados, que são os eleitores e as eleitoras, não sairão decepcionados. A Igreja Católica não apresenta nem indica candidatos e partidos políticos. Sua verdadeira missão é colaborar […]