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José Maria Franco de Godoi Neto (Foto: divulgação)

O custo invisível das decisões empresariais

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09.09.2026 - 12:00:14

Toda decisão empresarial envolve risco. A abertura de uma nova unidade, a aquisição de outra empresa, o lançamento de um produto ou a entrada em um novo mercado exigem projeções financeiras, análises de viabilidade e estudos de mercado. No entanto, ainda é comum que um componente decisivo fique em segundo plano: o risco jurídico.

Essa lacuna tem um custo elevado. Contingências tributárias, mudanças regulatórias, fragilidades contratuais, disputas societárias e falhas de governança podem comprometer investimentos milionários, reduzir margens e afetar a reputação das empresas. Ainda assim, muitas organizações tratam esses fatores apenas quando o problema já se materializou.

O ambiente de negócios tornou-se mais complexo. As empresas convivem com transformações regulatórias frequentes, maior rigor na fiscalização, avanços tecnológicos e uma crescente demanda por transparência. Nesse contexto, limitar o papel do departamento jurídico à solução de conflitos significa desperdiçar uma importante ferramenta de gestão.

O risco jurídico não deve ser visto apenas como uma ameaça a ser evitada, mas como uma variável estratégica capaz de qualificar o processo de tomada de decisão. Assim como indicadores financeiros ajudam a mensurar a rentabilidade de um investimento, indicadores jurídicos podem antecipar vulnerabilidades, orientar escolhas e evitar perdas futuras.

Essa visão já faz parte da realidade de empresas que incorporaram práticas modernas de governança. Nessas organizações, o jurídico participa das decisões desde a fase de planejamento, atuando de forma integrada com as áreas financeira, operacional e de compliance. O resultado é um ambiente mais previsível, decisões mais consistentes e maior capacidade de responder a mudanças no cenário regulatório.

Também investidores têm dado atenção crescente a esse aspecto. Em operações de fusões e aquisições, por exemplo, a qualidade da gestão de riscos jurídicos pode influenciar diretamente o valor de uma empresa. Passivos ocultos, contratos mal estruturados ou processos relevantes representam fatores que alteram avaliações, elevam o custo do capital e, em alguns casos, inviabilizam negócios.

Não existe atividade econômica livre de riscos. A diferença entre empresas mais e menos preparadas está na capacidade de identificá-los, mensurá-los e administrá-los antes que se transformem em prejuízos concretos.

O desafio, portanto, não é eliminar a incerteza, mas incorporá-la de maneira inteligente ao processo decisório. Quando o risco jurídico passa a integrar a estratégia empresarial, deixa de ser apenas um centro de custos e assume seu verdadeiro papel: o de contribuir para a geração de valor, fortalecer a governança e ampliar a competitividade das organizações.

Em um mercado cada vez mais exigente, talvez a pergunta já não seja quanto custa investir em uma boa gestão jurídica. A questão é outra: quanto custa continuar tomando decisões sem considerar adequadamente seus impactos jurídicos?

*José Maria Franco de Godoi Neto – advogado, mestre em direito USP/SP, mestre em Gestão de Risco FEA/USP e especialização em Finanças pela FGV/SP, sócio do Franco de Godoi Advogados e membro fundador da STRUCTURA Investments.

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por José Maria Franco De Godoi Neto

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