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E eu não fui ver o Zico

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21.10.2011 - 12:10:12

Eu sou realmente muito vacilão. Ontem esteve em Goiânia um dos maiores ídolos que tenho e eu, muito espertamente, deixei passar em branco a oportunidade de ir lá e pegar um autógrafo do cara em uma camisa do Flamengo. Zico esteve em uma atividade promocional de uma academia, deu entrevistas, conversou com a molecada e eu fiquei atolado na minha ordinária rotina de quinta-feira. Que vergonha! Eu piro para mim mesmo.

 

Zico é importantíssimo para minha formação moral, para minha compreensão de mundo. Eu não vi o Pelé jogar, mas vi o Zico. E não tem para Ronaldo, Romário, Maradona ou Zidane. A magia que Zico exerceu sobre mim é insuperável. Lembro com alguma dificuldade da primeira vez que ouvi o nome do cara. Eu estava com três anos de idade durante a Copa do Mundo de 1982. Não tinha ainda maturidade para acompanhar os jogos, mas me recordo da movimentação que circundava as partidas. A mobilização da família reunida em torno da televisão, a festa antes, durante e depois. Eu colecionava as figurinhas dos jogadores do Mundial que vinham no chiclete Ping-Pong. E me lembro da emoção do meu pai quando encontrei a figurinha do camisa 10 do escrete canarinho. E, claro, me lembro do abatimento coletivo após aquele fatídico jogo contra a Itália.

 

Em 1986 foi outra história. Eu tinha sete anos e acompanhei todos os jogos. Ficava desenhando em um caderno o que eu imaginava que seriam os gols da Seleção. Assisti cada partida com uma atenção um mol de vezes maior do que a que eu dispensava às aulas. E, naquele não menos fatídico jogo contra França, o Zico perdeu o pênalti. Não. O Zico não. Eu chorava de querer morrer. Não conseguia suportar a dor. Zico não. Zico não. Eu não podia acreditar.

 

No Campeonato Brasileiro de 1987, Zico novamente mostrou por que era o Zico. Mesmo com sérias dificuldades físicas devido às porradas que tomou de monte em campo ao longo da carreira, ele liderou um time maravilhoso com Bebeto, Jorginho, Renato Gaúcho, Mozer e uma galera de primeira que ganhou o título daquele ano.

 

Pouco tempo depois, Zico pendurou as chuteiras. E eu, mesmo que bem distantemente, sempre acompanhei tudo o que ele fez depois que saiu dos gramados. Sua estada super bem sucedida no Japão, o ministério que ocupou no governo Collor, o clube de futebol que montou no Rio de Janeiro, a passagem relâmpago pela diretoria do Flamengo… Em todos seus passos, Zico sempre se mostrou na vida pessoal tão correto e admirável quanto dentro de campo. Não é por menos que já separei uma foto do cara e vou mandar fazer um pôster para colocar na parede de minha casa. Ele merece. E mesmo com toda essa admiração que tenho pelo galinho, não fui vê-lo ontem em Goiânia. Putz, que vacilão que eu sou…

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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