O balanço do primeiro trimestre do ano está como a conjunção em Áries, alinhado aos sete planetas em pleno elemento fogo que é, ao que tudo indica, a deixa para a ação, o fazer e acontecer. Direito ou esquerdo, escuro ou claro, seco ou molhado, todos os lados estão dando os seus pulos. Héteros, viados, quengas, sonsas, madonnas ou maldosas. O aqui e agora é tudo ou nada. “Sapeia mulher feia”.
Vai, Goiás!
Não podemos negar que mesmo em meio a tanta cafonice, esculacho, escolhambo, as mulheres “Substâncias”, as que se dizem mulheres e não são, as raízes, os robustos, os troncudos e as ramificações afins estão desfrutando do agito cultural que tem empoderado a capital do Agro.
Um deles é a itinerância da 36ª Bienal Internacional de São Paulo, com destaque para a artista goiana Sallisa Rosa, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, que tem hoje seu último dia de visitação. A artista promoveu, em março, uma ação interativa com crianças através de uma dinâmica orgânica relacionada aos recursos do bioma do Cerrado e vinculados à pesquisa de seu trabalho artístico e à sua obra “Muitos nomes”. Paralelamente, no mesmo mês, o “Projeto Cerradim”, realizado no Jardim Potrich, também promoveu oficinas para crianças, com dinâmicas orgânicas em pigmentos naturais e botânica, o que o controverso, místico e polêmico Carl Gustav Jung chamou de inconsciente coletivo e sincronicidade.
Tão controversa e mística, foi a curadoria da 36ª Bienal, que optou pela interpretação individual do espectador a cada obra, instigando o que o psicanalista suíço investigou intensamente em sua carreira analítica: a relação empática dos seres humanos através da espiritualidade. Afinal, o ‘espírito’ não tem cor, não tem cheiro, nem peso, nem conta bancária. Ele transcede, transmuta, transforma, transfere referências dos antepassados aos seus descendentes. Ele vibra, ilumina, encandeia o corpo, a mente, o espaço.
A obra “Muitos nomes”, de Rosa é uma instalação em espiral, tal como a vida. Os galhos coletados, envergados, amarrados e posicionados pela artista nos conduzem a uma trajetória familiar, íntima e espiritualista. Envolto à um cenário delicado e feminino, uma extensa e comprida cortina de voil ou tule azul, em meia lua, compõe uma atmosfera cósmica e celestial da instalação arrematando, enfim, a proposta fundamental da mostra: “Nem todo viandante anda estradas”.
Alguns andam entre estrelas, né Sallisa Rosa.
Vai, Goiás!
