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(Foto: Leonardo Razuk e Tosh Kimura)

Vinillândia transforma o Martim Cererê em ponto de encontro da cultura do vinil

Feira consolida comunidade em torno da música em formato físico

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24.04.2026 - 17:20:15

Carolina Pessoni

Goiânia – Na contramão da lógica do streaming, um movimento silencioso — e cada vez mais barulhento — vem ocupando o Centro de Goiânia. A Vinillândia, feira dedicada aos discos de vinil, encontrou no Centro Cultural Martim Cererê um endereço fixo para reunir colecionadores, curiosos e novas gerações que redescobrem a música em formato físico.

A história do evento começa em um momento de crise. Durante a pandemia, quando shows e eventos foram suspensos, a Monstro Discos (selo goiano fundado no fim dos anos 1990) precisou se reinventar. “Como não podia fazer show, foi a forma que encontramos de sobreviver, ampliando a oferta de discos e produtos para gerar receita”, conta o idealizador Léo Razuk. A saída foi fortalecer a venda de vinis, que já vinha em crescimento, especialmente entre jovens que não viveram o auge da mídia.

O que começou como uma espécie de “venda de garagem”, em um prédio na Alameda Botafogo, rapidamente ganhou tração. “Começou a dar movimento e foram surgindo outras lojas. Então, percebemos que dava para fazer uma feira, juntando o público interessado e essas lojas”, relembra. A primeira edição da Vinillândia foi realizada em dezembro de 2021, com foco no período natalino e superou as expectativas.

(Reportagem: Brena Magalhães | Imagens: João Paullo Ramos | Edição: Renan Gonçalves)

De lá para cá, o evento cresceu em frequência e público. Passou de uma edição anual para duas, depois três, consolidando um calendário que inclui edições ao longo do ano e a tradicional feira de dezembro. Mais do que um espaço de compra e venda, a Vinillândia se firmou como um ponto de encontro. “As pessoas não frequentam simplesmente para consumir, querem fazer parte daquela comunidade que vai se criando”, afirma Razuk.

Essa dimensão coletiva é um dos principais diferenciais. Entre bancas de discos novos e usados, incluindo itens de sebo e lançamentos recentes, o público circula, conversa, troca experiências e compartilha histórias de coleção. “É um momento de troca de informação, de vivência. As pessoas gostam de falar do que têm, do que está faltando”, diz.

 

(Foto: Leonardo Razuk e Tosh Kimura)

O evento também dialoga com um movimento global de valorização das lojas de discos, inspirado pelo Record Store Day. “A Monstro surgiu em 1998 lançando vinil. Paramos quando as fábricas pararam, e agora fazemos parte desse retorno, que é enorme no mundo todo”, pontua.

No Centro Cultural Martim Cererê, a feira ganha contornos de festival. Além das bancas, a programação inclui DJs que tocam exclusivamente com vinil e apresentações musicais ao longo do dia. O espaço, com área externa arborizada e estrutura consolidada para eventos culturais, acabou se tornando a casa natural da Vinillândia. “Já tivemos propostas para levar para outros lugares, mas sempre optamos pelo Martim”, explica Razuk.

Em meio à efemeridade dos cliques e playlists digitais, a Vinillândia reafirma um ritual: o de ouvir música com tempo, com presença e com história. E, no coração de Goiânia, mostra que o passado, quando bem prensado, ainda gira com força no presente.

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por Carolina Pessoni

*Jornalista formada pela UFG, especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing também pela UFG

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