Logo

Deus-Amor nasce para amar e ser amado

WhatsAppFacebookLinkedInX
22.12.2015 - 14:31:43

Cada um de nós aprendeu, desde cedo, que no Natal Deus, nosso Pai, nos presenteia com seu único Filho, o Menino Jesus. Deste gesto divino nascem, também em nós, principalmente nesse tempo, inúmeras atitudes generosas, iniciativas e gestos de caridade, como: o Natal das crianças pobres e abandonadas, o Natal dos idosos e doentes, o amigo secreto, a troca de presentes, o encontro da família. Enfim, como Ele, nós também queremos ser caridosos, dando um pouco de nós mesmos aos outros.
 
Tudo isso é bom, importante, necessário e merecedor de aplausos e elogios. Mas, talvez não revele, ainda, o verdadeiro sentido do Natal, qual seja: Deus vem ao mundo; vem, não apenas para dar ou dar-se, ou seja, para nos salvar, mas, também, para receber. 
 
Mas receber o quê, perguntamos nós, se Ele, como Deus, tem tudo, não lhe faltando nada? Aqui é que nos enganamos… Deus é pessoa. E, sendo pessoa, “sente falta” daquilo que há de mais importante, fundamental e sagrado nas pessoas: a experiência de amar e ser amado. 
 
A única coisa que Deus não tem e não pode exigir de nós é que o amemos. Quando muito, pode apenas mendigar nosso amor, acolhê-lo, recebê-lo. Deus nos atrai ao Seu amor, não nos obriga a nada.
 
Na dinâmica do amor mais vale e importa receber do que dar. O que realmente faz bem a uma pessoa e a salva, é a experiência de ser bem recebida, acolhida, sem discriminação; de tal forma, que seus defeitos ou pecados nem sequer são vistos, mencionados e nem mesmo parecem existir; mas, ao contrário, tudo é acolhido como riqueza, graça, honra, glória e bênção. 
 
Por isso Deus se aproxima manso e humilde, na fragilidade como o Filho do homem, “nascido à beira do caminho e posto no presépio porque não havia lugar na estalagem” (São Francisco de Assis). 
 
Assim, antes do poder, o que salva o homem é o não-poder de Deus, sua não-força ou, como São Francisco gostava de dizer, sua “pobreza”. Uma pobreza semelhante à pobreza do Pai do filho pródigo, que acolhe o filho assim como ele aparece. E alguém, por acaso, para ser feliz, realizado, bem-aventurado e salvo precisaria de algo diferente, maior ou melhor que isso? 
 
O filho pródigo sentiu-se salvo não pelo poder do Pai, mas por ter sido recebido pela misericórdia e pelo silêncio acerca de seus vícios e pecados. Era por isso que “Francisco celebrava com inefável alegria, mais que todas as outras solenidades, a Natividade do Menino Jesus, afirmando que era a festa das festas, em que Deus, feito um menino pobrezinho, dependeu de peitos humanos”. Jesus foi amado, cuidado e acolhido por sua Mãe e São José.
 
É Natal! Deus vem ao nosso encontro porque está enamorado de nossa humanidade e apaixonado por cada um de nós. Sugestão: que neste Natal você vá ao encontro de uma pessoa em grande necessidade. Além de levar algo de útil a ela, fica ali e convive, ouve a história desta pessoa. Isto é dar-se, gratuitamente; é amar e dignificar a vida da pessoa. Só dar algo é muito pouco. Amar é muito mais, é dar-se. O amor é a glória de Deus. Abraço e bênção.
 

*Dom João Inácio Müller é Bispo da Diocese de Lorena (SP) e articulista da Revista Canção Nova

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Dom João Inácio Müller

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Ricardo Menegatto
15.09.2026
Novas regras mudam a relação entre consumidor e plataformas de ingressos

Comprar ingresso para um show, festival ou espetáculo deixou há algum tempo de ser uma operação simples. Filas virtuais pouco transparentes, preços que mudam em questão de minutos, taxas reveladas apenas na etapa final da compra e ingressos rapidamente esgotados por sistemas automatizados transformaram a aquisição de uma entrada em uma experiência muitas vezes frustrante […]

Fernando Schüler
13.09.2026
O dia ‘D’ da democracia brasileira

Fernando Schüler São Paulo – “Apagar dados do celular indica consciência sobre a ilegalidade dos atos praticados”, escreveu o ministro Alexandre de Moraes, em um dos argumentos para condenar a cabeleireira Débora dos Santos a 14 anos de prisão. E explicou: “se o indivíduo tivesse convicção de sua inocência, não teria motivo para eliminar registros que […]

Tia Dag
12.09.2026
A escolha de um jovem começa muito antes do vestibular

Para falar sobre o futuro de um jovem, é necessário falar também sobre as oportunidades que ele encontrou ao longo do caminho. Nenhuma escolha começa apenas no momento da inscrição em uma faculdade. Ela é construída desde os primeiros anos de escola, a partir da qualidade do ensino, do acesso à cultura, das referências profissionais, […]

Ketllyn Fernandes
10.09.2026
Comunicar é uma arte

Setembro costuma ser um mês de muitas campanhas, estatísticas e alertas sobre saúde mental. Por isso, senti de abordar o tema por outro caminho: a partir da arte. Recentemente, a artista japonesa Yayoi Kusama, um dos maiores nomes da arte contemporânea, nos deixou aos 97 anos. Durante décadas, ela falou abertamente sobre seu sofrimento psíquico […]

Ives Gandra da Silva Martins
09.09.2026
Mandato de 12 anos para os ministros do STF

A OAB de São Paulo, o Instituto dos Advogados de São Paulo e a Associação dos Advogados — três entidades representativas da advocacia paulista — têm apontado que a perda de credibilidade do Supremo Tribunal Federal decorre do fato de a Corte ter deixado de ser apenas um legislador negativo e um tribunal imparcial para […]

José Maria Franco de Godoi Neto
09.09.2026
O custo invisível das decisões empresariais

Toda decisão empresarial envolve risco. A abertura de uma nova unidade, a aquisição de outra empresa, o lançamento de um produto ou a entrada em um novo mercado exigem projeções financeiras, análises de viabilidade e estudos de mercado. No entanto, ainda é comum que um componente decisivo fique em segundo plano: o risco jurídico. Essa […]

Juliano Fagundes
09.09.2026
Inteligência Artificial analisa “A Sublime Maria de Nazaré” e identifica fundamentos históricos e profundo simbolismo na obra de Mércia Aguiar

A obra “A Sublime Maria de Nazaré”, recebida mediunicamente por Mércia Aguiar, vem despertando atenção não apenas por sua dimensão espiritual, mas também pela riqueza de elementos históricos, culturais e simbólicos presentes em sua narrativa. Com o objetivo de investigar até que ponto os acontecimentos, costumes e ambientes descritos no livro encontram correspondência com o […]

José Expedito da Silva
07.09.2026
Eleição: a festa da cidadania

Será necessária muita sabedoria para que a eleição seja, de fato, a festa da cidadania — um momento livre de hostilidades e polarizações ideológicas. Dessa forma, todos os convidados, que são os eleitores e as eleitoras, não sairão decepcionados. A Igreja Católica não apresenta nem indica candidatos e partidos políticos. Sua verdadeira missão é colaborar […]