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Comer é um ato de afeto

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01.02.2026 - 08:23:06

A primeira vez que ouvi falar em alimentação sazonal foi na fazenda de vovó. O sinal para a reunião familiar no fim de semana era um chamado simples e cheio de afeto: “pode vir, já tem jabuticaba”, ou o “pé de manga tá carregado”, ou “a carambola tá caindo tudo no chão”. Era jaca, acerola, goiaba, pitanga, mutambu, morango… Frutas que amamos e que tem sua época própria para nos nutrir e beneficiar.

Muitos nutricionistas aconselham o consumo de alimentos de sua safra natural, o que favorece uma integração mais harmônica do corpo com as estações do ano e um melhor metabolismo na digestão. Na medicina oriental, especialmente no estudo da Ayurveda como forma de prevenção e controle de doenças, a alimentação é um dos pilares fundamentais desta “ciência da vida”, responsável por manter os doshas (energia vital) em equilíbrio.

Nutricionistas contemporâneos, mais integrados com a realidade ocidental, se desdobram para elaborar receitas e dietas que possam ser incorporadas na rotina dos workaholics, crossfiteiros, veganos e tantos outros sintomáticos em manter o peso, aumentar o peso, diminuir o peso, etc.

Mas a verdade é que comer deve ser, antes de tudo, um ato de afeto, cuidado e cultura. Comer com amor é estar em paz com a comida, ter tempo para ela e, sobretudo, fazer boas escolhas. Associar os momentos das refeições a rituais divinos, ou místicos é um hábito virtuoso e vigilante para mente. Uma oração em agradecimento a natureza que gerou aquela semente, ao agricultor que colheu o grão, ao comerciante que a inseriu no mercado, a dona de casa que a selecionou na feira, ao cozinheiro que dedicou tempo e habilidade ao preparo, ao provedor financeiro que trabalhou para conseguir consumir o alimento em sua mesa.

Todo esse percurso árduo é ofuscado pela toxidade de um sistema que nos condiciona a consumir industrializados, embutidos, enlatados, etílicos, açucarados e ultraprocessados. Comidas ou bebidas que deveriam ser processadas; vilãs incondicionais das diversas doenças crônicas que afetam milhares de pessoas em todo mundo.

Em um mercado onde uma água de coco custa o dobro de um refrigerante é natural que a taxa de diabete e obesidade cresça, em média, 8% ao ano. Diante disso, investigar alternativas, fazer drásticas mudanças de hábitos e excluir o artificial, seria, talvez, o mais pertinente projeto mundial para o sistema de saúde. Enquanto isso não acontece, a gente tenta se organizar em movimentos coletivos para promover uma alimentação saudável e consciente.

Trata-se de um estilo de vida mais pleno e um ideal capaz de distinguir, com clareza, o que nutre do que adoece, tal como profetizou o evangelho de Mateus 13:24-30 na metáfora: “separar o joio do trigo”. Porque quem come bem, se faz o bem, se ama, se cuida.

Comer é, acima de tudo, um ato de afeto consigo!

 

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por Tatiana Potrich

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