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Brasil, um novo importador de mão de obra

12.11.2011 - 12:50:53
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Os papéis se inverteram. Durante décadas, Estados Unidos e Europa foram pólos de atração de imigrantes e, no hemisfério abaixo, países como o Brasil, eram de onde muitos deles saiam em busca de trabalho e melhor qualidade de vida. 
Mas a balança migratória mudou de lado e essa é uma grande novidade mundial, nesta década que se inicia. A regra não é tão complicada: economia em baixa, população  descendente e o contrário também é verdadeiro. 
A Espanha é um exemplo significativo dessa alteração, porque já foi o segundo país que mais recebeu estrangeiros, no planeta, atrás apenas dos Estados Unidos. Mas a partir desse ano, o saldo migratório começa a ser negativo.
No primeiro semestre, 295.141 pessoas deixaram o país e o número deve saltar para 580.850 até o final do ano, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Ou seja, mais de meio milhão de pessoas ou o equivalente à quase metade da população de Goiânia. De cada 10 que partem, 9 são estrangeiros. É a primeira vez, em muitos anos, que o número de emigrantes (os que saem) supera o de imigrantes (os que chegam), depois de um intenso período de crescimento populacional, na Espanha. 
Aqui, o problema começou com a crise no setor imobiliário e, vale lembrar que,  a construção civil é um dos principais motores da economia espanhola e um grande empregador. Em seguida, vieram as crises da dívida pública e do setor financeiro, que somadas às medidas de ajustes do governo, resultaram na saída em massa dos estrangeiros, que já não encontravam aqui, o que vieram buscar. 
A questão não é só quantos saem, mas quem são os que fazem as malas. Partem, principalmente, estrangeiros jovens, que engordam a fatia da populacão economicamente ativa, em um país, que já enfrenta problemas, devido ao envelhecimento da população.  Essa é uma história conhecida por nós, brasileiros, acostumados a perder talentos para países mais promissores. 
A bola da vez
Mas, agora, as notícias sobre o Brasil, no exterior, anunciam que o país é a terra das oportunidades e, com certeza, muitos dos que deixam a Espanha vão para o Brasil, ou porque nasceram aí, ou porque somos a bola da vez. 
Depois de duas décadas exportando mão de obra para o mundo, o Brasil volta a ser um país de imigrantes. De acordo com o levantamento do Departamento de Estrangeiros da Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça, o número de estrangeiros, que vive em situação regular no Brasil, saltou de 961.877 para 1.466 milhão, entre dezembro de 2010 e junho de 2011, um aumento de 52,4%. A concessão de vistos de permanência cresceu 67% de 2009 para 2010 e os processos de naturalização dobraram: de 1.056 para 2.116. 
Já as ONGs e institutos, que trabalham com imigrantes, estimam que outros 600 mil vivam em situação irregular, no Brasil, o que totalizaria mais de 2 milhões de estrangeiros, no país.  
Os números acima contrastam com a redução da saída de brasileiros. O Ministério da Justiça estima, que viviam 4 milhões de brasileiros, no exterior, em 2005, e agora, não passam de 2 milhões. 
Mais uma vez, a razão da mudança na balança migratória, é econômica. O Brasil tem muitos atrativos, como a riqueza natural, povo acolhedor e crescimento econômico, além de índices de violência assustadores. Mas, na hora da decisão, o que mais pesa é o bolso e se o país cresce, num momento de desaceleração mundial, se torna um bom destino para a mão de obra legal e ilegal. 
A mudança pode ser positiva para suprir, por exemplo, a carência de engenheiros, no mercado de contrução civil brasileiro e há muitos outros setores com dificuldades para atender a demanda de mão de obra especializada ou não. 
Mas para que a situação não se transforme em um grande problema, é fundamental que haja políticas públicas específicas para o setor. A Europa viveu reações nacionalistas extremadas e movimentos de xenofobia violentos, durante muitos anos, que só foram aplacados depois da criação da União Européia. Mas de lá para cá, já são mais de 50 anos de criação do bloco, de concepção e execução de políticas de integração, de erros e acertos e ainda há muito que avançar. 
Crescer implica novos desafios, que se vencidos, impulsionarão ainda mais o Brasil. Em 2009, o governo brasileiro concedeu anistia aos imigrantes ilegais, um passo considerado importante pelos estudiosos do tema. Mas é preciso muito mais para que os imigrantes não tenham visibilidade apenas em casos de denúncia de trabalho escravo e tráfico de pessoas. Serão precisos debates e políticas nos setores de educação, cultura, saúde e, principalmente, mercado de trabalho, para que haja uma integração verdadeira e que os estrangeiros nos ajudem a crescer e não se transformem em um problema a mais. 
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por Eliane de Carvalho

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