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Aprendi no funk

26.10.2011 - 12:27:21
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Vi a hashtag #AprendinoFunk bombando ontem no Twitter e achei sensacional. Eu amo o funk carioca. Amo. Do fundo do meu coração. E, tal qual a galera comentava na rede social, eu também aprendi algumas coisas na batida do pancadão. Se são elementos nobres ou não, isso é outra conversa. Mas é impossível passar batido e incólume a uma manifestação cultural tão visceral quanto é o funk carioca.

O funk pancadão do morro é o meu preferido. Não gosto daquela coisa insípida que ganhou a televisão no começo dos anos 90 e tem filhos nefastos até hoje circulando por aí. Esses eu categorizo como “funk da Xuxa”, que é a faceta mais pop do gênero. Se ela dança, eu danço? Tô fora! Meu negócio é com aqueles funks bem escrotos mesmo, sabe? De orgia e violência. Quanto mais agressivo melhor. Percebo a beleza primal daquela manifestação cultural legítima de uma parcela da sociedade excluída de seus bens mais elementares e que devolve aquele subproduto altamente referenciado como arte. Acho isso simplesmente lindo! Me empolga e me diverte ouvir aquela batida simples, com voz tosca e temas absurdos. Nesse segmento, Catra é o melhor. Não tem para ninguém.

Meu amor pelo funk é tamanho que até montei uma banda para tocar os clássicos do gênero. Nosso repertório vai basicamente de Catra, Tati Quebra-Barraco e Gaiola das Popozudas. Ou seja, só a nata. Se quiser ver um pouco, entre no Youtube e digite Bonde da Perversão. Mas é por sua conta e risco! Aviso que os ouvidos e olhos mais sensíveis serão agredidos. Daí para frente, você assume o ônus de sua curiosidade. O Bonde é uma singela homenagem àqueles que fazem nossa vida mais divertida com as hilárias descrições de orgias sexuais.

Ouço funk desde 1991, quando meu amigo de sala do Colégio Agostiniano, Marcus Aprígio Chaves, hoje advogado, me passou uma fitinha cassete com alguma coletânea Funk Brasil organizada pelo DJ Marlboro. Ouvia aquele som o dia inteiro. Clássicos como a Feira de Acari e o Melô do Bêbado não saíam do meu som. Desde então, o preconceito classe média que circunda o funk não mais me pegou. Domestiquei meu ouvido para o que tem de mais agressivo no estilo. O que para os outros é um absurdo, para mim é deleite. Quanto mais extremo, mais divertido. Quanto mais proibidão, mais interessante.

Não tinha como eu não achar a coisa mais legal do mundo uma mobilização/curtição no Twitter relembrando o pancadão. Está no meu DNA. Se é bom ou ruim, não importa. O que de fato tem relevância é que eu me divirto horrores. E, se tem diversão, pode contar comigo que tô dentro!

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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