Em meio ao calor da disputa eleitoral, um dado fundamental para o futuro do Brasil acabou recebendo menos atenção do que merece. Divulgados em setembro, os resultados do PISA 2025, avaliação internacional de estudantes de 15 anos, trazem um alerta que exige reflexão e providências dos gestores educacionais de todo o país.
O desempenho brasileiro permanece praticamente estagnado, muito abaixo da média dos países da OCDE. Em Matemática, 72% dos estudantes não alcançaram sequer o nível básico de proficiência. Em Leitura, são 51%. É o retrato de um país que avançou no acesso à escola, mas ainda precisa transformar matrículas em aprendizagem efetiva.
O cenário internacional também preocupa. Em dez anos, os países da OCDE perderam, em média, 28 pontos em Leitura e 22 em Matemática. A queda começou antes da pandemia, o que exige investigar causas mais profundas, incluindo as mudanças nos hábitos de leitura e a relação dos jovens com as tecnologias digitais.
Como professor atuando na política, acredito que não podemos naturalizar esses resultados. A escola precisa ensinar a pensar, interpretar, argumentar e criar. A tecnologia deve estar a serviço da aprendizagem, sem substituir a leitura aprofundada e a concentração. E é fundamental identificar cedo as dificuldades dos alunos, antes que se transformem em obstáculos permanentes.
Goiás tem motivos para reconhecer os avanços conquistados na educação básica, especialmente nos indicadores do Ideb. Mas precisamos olhar além deles. O PISA mede competências diferentes e nos convida a estabelecer objetivos ainda mais ambiciosos.
A Assembleia Legislativa deve se consolidar como parceira fundamental, contribuindo com leis, fiscalização e acompanhamento dos investimentos educacionais. Também defendendo a valorização e a formação continuada dos professores, a recomposição da aprendizagem, o incentivo à leitura e o uso pedagógico responsável das tecnologias. Além disso, precisamos fortalecer o ensino técnico e profissionalizante, conectando a formação dos jovens às oportunidades do mundo do trabalho.
O Governo de Goiás tem demonstrado que é possível avançar na qualidade da educação pública, tornando o Estado uma referência nacional. Esses resultados nos dão confiança para buscar novas conquistas, com metas transparentes, acompanhamento da aprendizagem e redução das desigualdades entre escolas e regiões.
No plano nacional, é preciso assegurar financiamento adequado, fortalecer a cooperação entre União, estados e municípios e colocar a qualidade do ensino básico no centro das prioridades nacionais.
Há uma lição importante dos países asiáticos que se destacam no PISA: educação de qualidade exige professores valorizados, acompanhamento dos alunos e continuidade das políticas públicas. O Brasil avançou em relação a 2006, mas isso não basta. O verdadeiro indicador de sucesso não é apenas quantos alunos estão na escola, mas o que efetivamente aprendem.
O PISA não deve servir para distribuir culpas, mas para mobilizar responsabilidades. Eleições passam, governos se sucedem, mas o futuro de milhões de jovens depende das decisões que tomamos agora. A educação precisa estar acima das disputas políticas e no centro de um projeto duradouro de desenvolvimento nacional.
*Virmondes Cruvinel é procurador do Estado licenciado, professor de Direito e deputado estadual
