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Setembro Amarelo: Cuidar da saúde mental é entender nossos limites

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17.09.2022 - 17:16:14
Setembro chega com uma cor diferente, a Amarela, e a saúde mental toma uma importância ainda maior. É o mês da prevenção ao suicídio. E é preciso entender que quem tenta cometer suicídio tem um transtorno mental e está em grande sofrimento. A Organização Mundial de Saúde (OMS) informa que cerca de um milhão de pessoas morrem todos os anos por suicídio. Ou seja, a cada 40 segundos, uma vida é perdida no mundo. 
 
Observam-se impactos no aumento do índice de suicídios ou tentativas com pessoas que possuem um histórico familiar, exposição precoce ao estresse, traços de impulsividade, psicopatologias, ansiedade, desesperança, genética e uso de substâncias. Além disso, tem os fatores sociais, como mudanças repentinas, crises financeiras, sociais e isolamento social. Por último, temos os fatores ambientais, com as mídias, facilidade de acesso aos meios letais e dificuldade de acesso aos centros de saúde.
 
Falar sobre as emoções pode não ser fácil e rodeada de estigmas. Muitas pessoas ainda acreditam que o cuidado com a saúde mental é algo menor, envolve uma vergonha por se perceber precisando de ajuda, gerando uma sensação de fracasso, e isso faz com que muitas pessoas acabem se isolando socialmente e aumentando a sensação de desesperança. Esse é o pior cenário para quem está em sofrimento, uma vez que fica difícil sair desse ciclo e procurar/pedir ajuda.
 
Ainda existem muitos mitos a respeito do suicídio, como: “quem quer se matar não fala”; “todas as pessoas que tentam suicídio são deprimidas”; “perguntar para uma pessoa sobre seu desejo de se matar aumentaria o risco de realizá-lo”; “as crianças não se suicidam”; “os que tentam cometer suicídio não desejam morrer, apenas chamar atenção”.
 
O suicídio é considerado um problema grave de saúde pública. Segundo a OMS, 79% dos casos de suicídio estão localizados em países com baixa ou média renda, isso se torna preocupante, pois esses países concentram mais de 84% da população mundial. Estatisticamente, as mulheres tentam suicídio em maior número que os homens, mas são eles os com maior índice de morte por suicídio, por usarem métodos mais letais. As mulheres conseguem ter mais meios de proteção, como buscar ajuda médica, se engajar em atividades sociais e um menor estigma em relação aos transtornos mentais. 
 
Dos 15 aos 29 anos, o suicídio é a segunda maior causa de morte. Entre os idosos, também é elevado, principalmente em indivíduos que sofrem de depressão, ansiedade e doenças físicas, com a perda do parceiro ou a aposentadoria. A cor e a etnia são fatores que agravam o quadro. Os jovens negros estão em um dos grupos mais vulneráveis, uma vez que sofrem muito preconceito, discriminação e racismo estrutural, com rejeição, ausência de sentimento de pertencimento, sensação de inferioridade, negligência, maus-tratos, violência, entre outros. E, no caso da família, o processo de luto é mais dificultoso, podendo gerar adoecimento. 
 
Cuidar da saúde mental é entender nossos limites, buscar ajuda quando percebermos que algo está diferente do que sempre foi. Da mesma forma que buscamos um médico cardiologista quando sentimos algo em nosso coração, a busca do psiquiatra e/ou psicólogo precisa acontecer com essa mesma naturalidade. A depressão, ansiedade e outros transtornos têm possibilidade de tratamento. Lembre-se: assim como outras áreas médicas, quanto mais precoce a intervenção, menor os custos de tratamento.
 
*Marihá Lopes é psicóloga clínica, especialista em terapia cognitiva comportamental e Doutora em Psicologia Social
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por Marihá Lopes

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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