Carolina Pessoni
Goiânia – Quem passa pela Praça Cívica talvez admire a imponência do edifício em estilo art déco sem imaginar quantas histórias ele já abrigou. Construído em 1933, quando Goiânia ainda dava seus primeiros passos como nova capital, o prédio testemunhou importantes transformações da administração pública goiana e hoje abriga a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds), órgão responsável por coordenar políticas voltadas à assistência social, inclusão, cidadania e promoção de direitos.
A história da própria secretaria acompanha a evolução das políticas sociais em Goiás. Sua origem remonta à década de 1960, quando foi criada a Secretaria de Estado do Trabalho e Ação Social, por meio da Lei nº 3.999, de 14 de novembro de 1961. Ao longo das décadas, a estrutura administrativa foi sendo reorganizada para acompanhar as novas demandas da população, até chegar à atual Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, responsável por articular programas voltados à proteção das famílias em situação de vulnerabilidade, segurança alimentar, direitos humanos, políticas para pessoas com deficiência, idosos, mulheres, juventude e igualdade racial, entre outras áreas.
Antes de receber essas atividades, porém, o edifício cumpriu outra importante missão. Entre 1953 e 2016, foi sede do Tribunal de Contas do Estado de Goiás, período em que passou por diferentes intervenções arquitetônicas. A primeira reforma ocorreu entre 1965 e 1966. Em 1972, a fachada sofreu modificações. Já em 1990, foi construído o anexo destinado à Presidência e aos gabinetes dos conselheiros, enquanto o Bloco C foi ampliado em 1994.

(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
Com a transferência do Tribunal de Contas para uma nova sede, o edifício ganhou uma nova vocação. Hoje, além de sediar a Seds, integra o conjunto de bens tombados do patrimônio histórico e artístico de Goiás. O reconhecimento veio por meio do Decreto nº 4.943, de 31 de agosto de 1998, fundamentado na Lei nº 13.312, consolidando sua importância para a memória arquitetônica e institucional do Estado.
Nos últimos anos, o prédio voltou a receber atenção especial por meio de uma revitalização capitaneada pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult), dentro do programa de recuperação dos edifícios históricos da Praça Cívica. A intervenção teve caráter de conservação, priorizando a recuperação das características originais da construção. Foram executados reparos em fissuras, rachaduras, infiltrações, marquises, platibandas, esquadrias e pingadeiras, além da substituição de vidros danificados, impermeabilização, higienização, pintura das fachadas, portas e janelas e reforço dos itens de segurança.
Um dos aspectos mais marcantes da obra foi a recuperação das cores da fachada. A definição da nova pintura teve como base o Estudo Cromático do Conjunto Art Déco elaborado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que orientou a adoção dos tons de azul e branco, respeitando as características originais da edificação e contribuindo para a valorização do conjunto histórico da Praça Cívica. A revitalização fez parte de um investimento de R$ 1,1 milhão destinado aos prédios da Seds e do Centro Cultural Marietta Telles Machado, integrando um conjunto mais amplo de ações coordenadas pela Secult para preservar o patrimônio histórico da capital.

(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
A revitalização integrou um investimento de R$ 1,1 milhão destinado à recuperação do prédio da Seds e do Centro Cultural Marietta Telles Machado. O programa também contemplou outros importantes edifícios históricos da Praça Cívica, como o Palácio das Esmeraldas, o Museu Zoroastro Artiaga e a antiga Procuradoria-Geral do Estado, reforçando o compromisso com a preservação de um dos mais importantes conjuntos art déco do Brasil.
Mais do que preservar paredes e fachadas, conservar edifícios como este significa manter viva a memória da construção de Goiânia. Ao longo de quase um século, o prédio acompanhou diferentes fases da administração pública estadual. Hoje, continua exercendo uma função essencial: servir à população, agora como espaço onde são formuladas e executadas políticas públicas voltadas ao desenvolvimento social, provando que patrimônios históricos também podem ser protagonistas do presente.
