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Professora Mari Baiocchi e o arquivo sobre memória afrobrasileira e indígena

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19.05.2022 - 12:07:07
Quando soube que seria construído um espaço físico para o rico acervo da Professora Dra. Mari Nasaré Baiocchi, coloquei-me à disposição de Elder Camargo e de Leonardo Lacerda, como voluntária, para administrar a obra do anexo à sede da Fundação Frei Simão Dorvi.
 
Jamais imaginei que um dia participaria de uma aspiração antiga de Mari Baiocchi, que certa vez, ao nos visitar, ela me deu o seu livro “Kalunga – Povo da Terra” e nós conversamos sobre a dificuldade de se conseguir apoio para divulgação da cultura. Muitos anos depois estou aqui emocionada participando de um projeto privado, inaugurando o AR´Quicongo.

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Poucas vezes me senti tão honrada ao entregar uma obra, feita com a dedicação de uma equipe de colaboradores que doaram serviços e materiais, incluindo aí, mestre de obra, pedreiros, negociantes, arquiteta, amigos que conhecendo um pouco dessa história, fizeram questão de cooperar.
 
Nessa rara oportunidade de prestar um serviço ao povo vila-boense e com muito carinho agradeço a Dona Mari, como a chamo, por me ter permitido conhecê-la e hoje estar aqui inaugurando esse espaço dedicado a ela.
 
*Maria Dulce Loyola Teixeira, administradora pela Universidade Católica de Brasília, secretária parlamentar no Senado Federal durante a elaboração da Constituição de 1988, ex-diretora administrativa da Fundação Jaime Camara, escritora, especialista no golpe militar em Goiás, pesquisadora, genealogista e ativista cultural. Fundadora e presidente do Movimento Abrace o Rio Vermelho e coordenara do projeto “AR’Quicongo — Mari Baiocchi”.

 

Não sabemos o que mais admirar na pessoa da professora Doutora Mari Baiocchi: Antropóloga, Arqueóloga, Historiadora, Paleontóloga e respeitada docente da PUC Goiás e da UFG. Foi a primeira ocupante do Gabinete de Arqueologia, hoje o IGPA – Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia/PUC Goiás, que a teve como diretora e uma de suas fundadoras.
 

Seu conhecimento científico aliado à sua visão social possibilitou que realizasse não só o grande e meritório trabalho de descobrir e estudar a comunidade Kalunga, mas outrossim, de buscar meios para a preservação de sua cultura quilombola e luta incansável pela demarcação de seu território.
 
O rico acervo doado pela Dra. Mari Baiocchi a Goiás, sua terra natal, oportunizará que outros pesquisadores utilizem os milhares de documentos constituídos de textos científicos, relatórios, fotografias e objetos tridimensionais que possibilitarão outros estudos na área. Seu amor a Goiás pode ser calculado por essa doação que tantas instituições almejavam ter.
 
Dra. Mari Baiocchi, conhecida internacionalmente por sua vida dedicada à pesquisa antropológica, presta um grande serviço ao Estado de Goiás, ao Brasil e aos estudos antropológicos sul-americanos, confiando os frutos de seu trabalho a novos pesquisadores e à competente equipe da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi. Tudo isso graças à colaboração da Oak Foundation e da comunidade.
 
*Doutor Antônio César Caldas Pinheiro, mestre em História pela Universidade Federal de Goiás, Doutor em Documentação pela Universidade de Salamanca — Espanha, integrante do “Projeto Resgate Barão do Rio Branco” e coordenador dos projetos “Lavras de Goiás” e “AR’Quicongo — Prof.ª Dr.ª Mari de Nasaré Baiocchi. Escritor, genealogista e poeta, é membro da Academia Goiana de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. É o atual diretor do Instituto de Pesquisas e Estudos Históricos do Brasil Central e do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia, ambos ligados à Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

 
O nome de Mari Baiocchi sempre me marcou. Afora nossos laços de parentesco, há muito mais para gerar tamanho impacto e respeito.
 
Assim, a imagem que me vem primeiro não é de uma tia mais velha comum e sossegada, mas a de mulher forte, ativa, politizada, pioneira da Antropologia, preocupada com o social, competente, dinâmica, corajosa e, sobretudo, humana.
 
Se a Professora Mari Baiocchi goza da fama de durona e exigente nas duas maiores universidades de Goiás, certamente é pela seriedade de seu trabalho e sua autoexigência.
 
Fez o que poucas de sua geração tiveram a oportunidade de realizar e o que ainda menos pessoas do seu país, quanto mais do à época isolado centro-oeste brasileiro, tinham noção ou conhecimento aprofundado.
 
Mari Baiocchi é uma desbravadora em sentido lato: mulher nascida em 1934, goiana, descendente de imigrantes italianos e afro-brasileiros, com nível superior em universidade federal em 1965, fez-se antropóloga quando pouco se falava no assunto, economicamente ativa, independente, ocupando cargos de chefia em universidades e nos âmbitos público e privado. Por isso tem hoje seu nome gravado na história da antropologia brasileira com inúmeros reconhecimentos internacionais e vem servindo de inspiração a incontáveis outras pesquisadoras.
 
E existe ainda o lado humano, que sobressai à excelência profissional: Mari Baiocchi desafiou governos, fazendeiros, grandes empresas, fenômenos naturais e o impossível, ausentando-se da família e amigos por longos períodos durante pesquisas de campo para contribuir na incessante busca por reconhecimento e dignidade para populações quilombolas e indígenas.
 
Só podia mesmo ser amada pelas populações impactadas por seu trabalho. Tanto é que existe hoje no Parque Nacional Indígena do Xingu uma sua homônima: Mari Baiocchi Kamayurá, filha da pajé Mapulu Kamayurá e neta do pajé Takumã Kamayurá, importantes líderes políticos.
 
Resta agradecer a Prof.ª Dr.ª Mari Baiocchi pela vida doada às causas antropológicas e sociais, pela diferença positiva que sua presença faz no mundo e, mais ainda, pela confiança depositada nos envolvidos no traslado e instalação deste precioso acervo que vem enriquecer sobremaneira a Fundação Cultural Frei Simão Dorvi que não mediu esforços para abrigar tudo adequadamente.

Muito obrigado, Mestra!
 
*Yuri Baiocchi, bacharelando em Direito pela PUC Goiás, pesquisador, escritor, poeta e genealogista. É o atual coordenador de patrimônio da Associação dos Defensores do Patrimônio Histórico e Cultural de Jaraguá — AMA Jaraguá, entidade envolvida na realização deste espaço. É um dos coordenadores dos projetos “Lavras de Goiás” e “AR’Quicongo — Prof.ª Dr.ª Mari de Nasaré Baiocchi”.
 
 
 
 
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por Maria Dulce Loyola Teixeira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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