Logo

Por um 2022 mais verde

WhatsAppFacebookLinkedInX
25.12.2021 - 16:26:06

Em 2022, o brasileiro terá decisões históricas a tomar. A mais importante delas é assumir uma postura responsável diante das eleições para presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Cada voto será estratégico para definir os rumos do país neste momento tão crítico. A busca pela sustentabilidade deve abraçar não só o desafio das mudanças climáticas, causadas pelo aquecimento global, mas também a redução da desigualdade, a sina que envergonha o país.
 
Para tentar desacelerar o aquecimento, o próximo mandatário brasileiro deverá ter a coragem, com apoio do Congresso Nacional, de zerar o desmatamento na Amazônia e dar os rumos da transição para uma economia verde. Para que isso ocorra, o brasileiro precisa eleger um presidente que demonstre ser capaz de cumprir compromissos reais com o meio ambiente. Governos são fundamentais para agir contra o aquecimento global e é por isso que votar de forma consciente torna-se, a cada ano que passa, uma atitude mais decisiva para a vida na Terra.
 
Os políticos são fundamentais, mas não são os únicos responsáveis por salvar o planeta. Além do voto na urna, há diversas outras decisões individuais e coletivas que temos que adotar para tornar 2022 um ano mais verde. No livro “Mudanças no clima: tudo o que você queria e não queria saber”, mostramos como é possível ter uma vida mais sustentável. Há muitas práticas e comportamentos que ajudam a reduzir as emissões de gases do efeito estufa. 
 
Antes de tudo, é preciso dizer que a maioria das emissões está relacionada ao consumo, especialmente nos níveis de renda mais altos. Portanto, a regra geral é evitar o consumismo. A todo momento, somos bombardeados por propagandas de roupas, produtos descartáveis, acessórios, embalagens excessivas. No fundo, temos consciência de que grande parte disso é desnecessária. Por isso, dê preferência a empresas e lojas certificadas ou que apoiem abertamente o combate ao aquecimento global, adotando práticas sustentáveis e outras posturas verdes.
 
O consumo de carne bovina também precisa ser reavaliado em 2022. Essa é uma das ações mais efetivas contra o aquecimento global. As emissões de carne bovina são cinco vezes maiores do que as equivalentes da carne de frango, por exemplo. Se tirar o boi do prato é difícil, diminuir seu consumo é bem possível. Podemos definir “segundas-feiras sem carne” e levar isso a sério – acredite, já será uma importante contribuição.
 
Em casa, são inúmeras as ações que ajudam a preservar o meio ambiente, como reciclar o lixo, separando materiais reaproveitáveis (alumínio, papel, plásticos), usar aparelhos mais eficientes (com selo de eficiência energética), tirar equipamentos da tomada quando não estão em uso, utilizar o ar-condicionado com moderação, reduzir a duração do banho quente e dar preferência às escadas sempre que possível. Sua saúde e seu bolso também agradecem.
 
Ao sair de casa, a decisão mais importante é evitar ao máximo o transporte individual, especialmente os carros a gasolina. O transporte coletivo é muito menos poluidor, pois dividimos as emissões de gases de efeito estufa com outros passageiros. Andar a pé ou ir de bicicleta são as melhores opções. Se tiver que usar o carro, abasteça-o com etanol. Carros híbridos ou elétricos emitem muito menos, e definitivamente é preciso escolher carros menores e eficientes.
 
Em relação ao mundo do trabalho, o ideal é trabalhar de casa, sempre que possível. A pandemia nos trouxe uma lição: a de que podemos substituir viagens de negócios por reuniões virtuais. Os aviões consomem enormes quantidades de querosene, e as emissões são gigantescas. Caso não seja possível se reunir de modo virtual, tenha em mente que os voos sem escalas emitem menos.
 
Um novo ano se aproxima e traz a possibilidade de uma vida mais sustentável. Todos temos que mudar de atitude e rever hábitos. O planeta está com febre e precisa do esforço de todos os governos e nós cidadãos para evitar danos irreversíveis. Dê o primeiro passo e comece. Escolher governos sérios e comprometidos com o planeta é uma escolha em nossas mãos.
 
*Sergio Margulis é autor do livro “Mudanças no clima, tudo o que você queria e não queria saber”, que pode ser baixado gratuitamente em PDF aqui.  Foi economista do meio ambiente do Banco Mundial em Washington por 22 anos, trabalhando com o tema em mais de 40 países. É matemático com doutorado em Economia Ambiental pelo Imperial College, de Londres, e desde 2005 estuda e trabalha com temas ligados ao aquecimento global. Exerceu diversos cargos federais e hoje é pesquisador sênior do Instituto Clima e Sociedade (iCS).
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Sergio Margulis

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]