Logo

O papel fundamental do compliance na agenda ESG

WhatsAppFacebookLinkedInX
02.09.2022 - 14:10:00

A ideia de agir em conformidade com Políticas, Códigos de Conduta e Legislações existentes fica sob responsabilidade, dentro das empresas, de uma área denominada como compliance e se tornou um dos pilares do ESG (Meio Ambiente, Social e Governança, em português). O objetivo é fortalecer e propagar uma cultura positiva de equivalência, ao se comprometer com o cumprimento das regras, sejam elas as leis locais aplicáveis às companhias, seus acionistas ou até as regras e normas internas, agindo de forma íntegra e ética, com uma gestão de riscos sólida e eficaz aplicada a todas as atividades da empresa.  
 
Esse compromisso é de extrema importância para as empresas de data centers, uma vez que o setor possui elevado nível de exigência, por parte de clientes, acionistas e demais stakeholders. É fundamental se atentar às melhores práticas de governança e a aplicabilidade de uma gestão de riscos que seja eficaz e eficiente, por ser um setor diretamente ligado à proteção de dados, segurança e confidencialidade.  
 
O compliance está relacionado a Governança Corporativa, uma vez que este compromisso possui três pilares essenciais: prevenir, detectar e corrigir, que se direcionam a prevenir condutas ilícitas e em desacordo com as normas, detectá-las caso ocorram e corrigi-las, a fim de erradicar quaisquer práticas que não estejam baseadas na integridade e na ética. 
 
Dentro do universo do compliance é reforçado a estrutura organizacional da companhia através de ações como a divulgação e constante revisão do Programa de Integridade, que é a soma de ferramentas de prevenção de condutas antiéticas e irregulares, baseado em procedimentos, políticas, normas internas e externas, legislações nacionais e internacionais e diretrizes da Companhia. Seu objetivo é estabelecer parâmetros para que a empresa conduza suas atividades de forma ética. Destacamos também a realização de treinamentos anuais, com os mais diversos temas, como as atualizações de legislação, do Código de Conduta, as regras de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e até mesmo treinamentos para reafirmar os padrões, políticas e a cultura institucional baseada na Integridade.  
 
Outra ação relevante é o compartilhamento de Comunicados de Compliance, que informam aos colaboradores assuntos como nepotismo, conflitos de interesse, recebimento de brindes e presentes, entre outros temas relevantes. Além da divulgação e incentivo a utilização do Canal de Ética, que tem por objetivo o recebimento de denúncias, anônimas ou não, que são essenciais para a prevenção, detecção e correção de quaisquer condutas antiéticas e ilícitas que possam ocorrer dentro das empresas. 
 
A mitigação de riscos está entre as vantagens de investir em compliance, para que além da criação de processos de gestão, a empresa possa se organizar e entrar em consonância normativa e que também seja possível implementar uma “mudança cultural” dentro da empresa. Ou seja, para que se enraíze os conceitos dentro da companhia, através de cursos, exemplos ou revisões periódicas de tudo que foi ensinado para que cada vez mais todos tenham a consciência da necessidade e da importância de um programa bem instituído para a proteção de dados da empresa. Essa mesma ideia de cursos e revisões podem ser aplicadas em diversos setores das companhias, sempre alinhadas com o EHS (Saúde, Segurança e Meio Ambiente, em português).  
 
Além de questões anticorrupção e de comportamento ético, temas como preconceito e discriminação, segurança de informação e propriedade intelectual devem ser objeto de atenção. É fundamental levar em conta a transformação digital e todas as mudanças feitas em diversos setores e temáticas, podendo resultar em revisões de políticas e do código de conduta de colaboradores. É importante frisar que a área merece um investimento anual para aplicar o melhor modelo de Programa de Integridade. O envolvimento de fatores como o treinamento de pessoas, as iniciativas de comunicação, auditoria interna e externa, são como pilares que atuam na sustentação das empresas, não só para se adequar às leis, mas, também para a criação da cultura das companhias.  
 
*Ricardo Alário é presidente da ODATA 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Ricardo Alário

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]