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O joio e o trigo nas empresas familiares

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03.03.2022 - 11:17:06
 
No Evangelho, Jesus fala do joio e do trigo. Ele compara os dois com a construção do Reino do céu. Nesse mesmo ambiente, cresce também o joio, uma semente daninha, que abafa o trigo e dificulta seu rendimento. Mas os dois devem crescer juntos até o tempo da colheita, e o destino de ambos.
 
A parábola do Joio e do Trigo – também conhecida como parábola do Joio ou parábola do Trigo – é uma das histórias contadas por Jesus que aparece apenas em um Evangelho do Novo Testamento, Mateus 13:24-30. A história fala sobre a existência do mal no meio do bem e a separação definitiva entre eles.
 
O relacionamento interpessoal não é fácil, as pessoas entre si têm conceitos, pensamentos e ações de tradições e culturas diferentes. Isso faz com que haja problemas, inimizades, discussões, brigas e separações. A Igreja não está livre disso!
 
Joio (ou cizânia) — uma espécie de erva daninha cujo nome científico em latim é “lolium temulentum” — é muito parecido com o trigo, e essa semelhança torna difícil a sua erradicação das plantações. No entanto, acontece uma distinção maior quando começam a aparecer as espigas, sobretudo quando o trigo começa a amadurecer.
 
A primeira reação é, então, espontânea e imediata: “temos que eliminar completamente este mal!” Sim, diante de um mal explícito, é natural que queiramos tão logo livrar-nos dele, para podermos sentir-nos livres e em paz. Contudo, é importante considerar — da mesma forma como Jesus o fez ao contar essa parábola “do joio e do trigo” — o quanto esse discernimento é delicado, até mesmo difícil. O caminho que nos redime é marcado por uma grande paciência, por uma mansidão salvífica, uma divina pedagogia que trata a nossa humanidade com delicadeza, com um certo “respeito”, para não nos arruinar. A eliminação do mal não é algo “ao nosso alcance”, é preciso que um “outro” nos liberte e nos salve. “Porque vossa força é o fundamento de vossa justiça e o fato de serdes Senhor de todos, vos torna indulgente para com todos”. (Sab 12,16)
 
No cochilo dos homens, pela invigilância, veio o inimigo e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se, confrontando a necessidade de repouso, após as atividades laborais, e a preguiça.
 
O descanso físico e mental é lei da natureza, servindo para a reparação das forças do corpo, necessário para dar mais liberdade à inteligência, a fim de que se eleve acima da matéria. Mas é preciso discernir descanso da ociosidade.
 
Ante as devastações do mal, apoie o trabalho que objetive o retorno ao bem. Onde haja desastre, auxilie a restauração. Se a maldade enodoa essa ou aquela situação, fazer o melhor que possas para que a bondade venha a surgir.
 
A natureza não dá saltos evolutivos: semeia-se, germina-se, cresce e frutifica-se. O mesmo ocorre com o bem e o mal. Quem planta, colhe a seu tempo.
 
É preciso que o bem esteja ao lado do mal. Não somente para que possamos exercitar a capacidade de discernimento, entre um e outro, mas permitir que os bons exemplos ajam sobre o mal, tornando-o melhor. A orientação do Senhor em relação ao joio foi sábia: “não, deixai-os crescer juntos até a ceifa”. Comparar a árvore genealógica com o organograma da empresa.
 
*Melina Lobo Dantas é conselheira de administração de empresas familiares e mestre em Direito e Relações Internacionais
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por Melina Lobo Dantas

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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