Logo

Não há vida sem correção

WhatsAppFacebookLinkedInX
06.10.2021 - 14:08:00

“Não basta saber ler que 'Eva viu a uva'. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”.
 
Da infância difícil ao projeto de alfabetização de adultos, da perseguição política e do exílio ao reconhecimento internacional, a trajetória do pensador é fundamental para entender suas ideias e ideais. Formado em direito, Paulo Freire optou por se dedicar ao magistério. No final dos anos 1940 até início dos anos 1960, tomou contato com a realidade de camponeses e operários pernambucanos e se envolveu em projetos de educação popular. Essas experiências foram decisivas para formar a essência de suas ideias e formatar o seu método. Freire teve suas obras traduzidas para mais de 20 idiomas.
 
Não podemos falar de Educação se não falarmos de amor, assim é o legado de Paulo Freire. Acreditava nos sonhos, na utopia de dias melhores e que somos os responsáveis pela sociedade que temos, por isso devemos lutar para transformá-la sempre no sentido de melhorar e de diminuir as desavenças e as desigualdades econômicas, sociais e educacionais. Ficou conhecido pelos seus estudos em prol da construção de uma Educação que fosse conscientizadora e libertadora, pautada nos sonhos, na esperança e na amorosidade. É provável que você já tenha visto, estudado ou trabalhado em uma escola que carrega o nome do educador. Seja no nome da escola, na prática pedagógica ou na concepção de Educação, seu legado segue vivo no cotidiano de professores e gestores escolares. 
 
O ‘Método de Alfabetização Paulo Freire’ foi entendido não como passos a seguir, diretrizes a persistir, caminhos rígidos a trilhar. Ao contrário, a natureza mesma do ‘Método’ é em si uma compreensão de como ensinar-aprender.
 
Apesar de ser muito conhecido pela sua experiência em Angicos com a alfabetização de adultos, foi uma pessoa contrária à ideia da transmissão de conhecimento sem reconhecer os saberes do outro. Alguém que pensou o ensino-aprendizado de forma horizontal, como um processo mais democrático, entendia a Educação como algo que está na vida das pessoas e não apenas na escola. Sendo assim, colocava muito a distinção entre esperança como substantivo e “esperançar” como um desejo ativo de construir a autonomia dos estudantes para que eles construíssem sua própria história.
 
Freire destacava a importância do diálogo no processo de ensino e aprendizagem: “Se um professor sai da sala aula do mesmo jeito, perdeu uma oportunidade de aprender com os seus alunos. O educador aprende com o educando, e o educando com o educador”.
 
*Maria Zélia Dias Miceli é educadora do Colégio Santa Amália, em São Paulo, instituição mantenedora da Liga Solidária, organização social sem fins lucrativos.
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Maria Zélia Dias Miceli

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Wil Caravanti
04.11.2026
Design de Imaginação

“Imaginação é mais importante que conhecimento.” Albert Einstein Antes de existir no mundo, muitas das grandes realizações humanas existiram primeiro na imaginação de alguém. Walt Disney imaginou na Flórida algo que ia muito além de um parque de diversões. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer ajudaram a transformar em cidade uma ideia desenhada para o centro […]

Rose Cruvinel
03.11.2026
Ministério do Idoso é boa ideia, mas precisa ser eficiente

A criação de um Ministério do Idoso foi uma das primeiras propostas anunciadas pelo presidente Lula da Silva, depois de confirmada sua reeleição. A ideia merece ser recebida com seriedade e espírito público. Como médica, vereadora e integrante da população idosa, conheço de perto os desafios do envelhecimento e apoio qualquer iniciativa que coloque esse […]

Luiz Augusto Araujo
03.11.2026
Você sabe se comunicar bem?

Você consegue expressar suas ideias com clareza? Sabe organizar o que deseja dizer, transmitir mensagens de forma objetiva e convencer as pessoas? Embora a comunicação esteja presente em praticamente todas as situações do cotidiano, nem sempre temos consciência de como nos comunicamos e de quais aspectos podemos melhorar. Para ajudar a responder a essas perguntas, […]

ANA CARLA ABRAO
02.11.2026
O Brasil que desperdiçamos

Quanto custa ao Brasil continuar sendo tão desigual? Não apenas em termos de injustiça social, de pobreza ou de oportunidades negadas a milhões de brasileiros. Quanto nos custa em crescimento, produtividade, segurança e prosperidade? E, talvez mais importante, quanto perdemos com a manutenção de uma sociedade que desperdiça tanto do seu próprio potencial? Em uma […]

Ricardo Menegatto
02.11.2026
Black Friday e os falsos descontos

A Black Friday se aproxima e, com ela, chegam as promessas de grandes descontos, ofertas por tempo limitado e oportunidades aparentemente imperdíveis. Em 2026, a principal data promocional do comércio será celebrada em 27 de novembro. Mas, em meio à expectativa de economizar, surgem situações que costumam gerar dúvidas e frustrações: a loja anuncia um […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
30.10.2026
A cegueira deliberada do oráculo

“A partir de certo ponto, as informações já não informam — deformam. Podem até obscurecer o mundo.” Byung-Chul Han Por que os diagnósticos — apenas ou embora certeiros — não ajudam a nação? Passadas as eleições, o Brasil não assistiu tão somente ao arrefecimento da beligerância. Assistiu, sobretudo, à sua consolidação como método de governabilidade. […]

André Naves
29.10.2026
Fim da escala 6 por 1: Prosperidade e Inclusão

A escala 6 por 1 – seis dias de trabalho para um de descanso – sempre cronometrou a semana de 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros sem se importar com o quanto de vida sobrava depois do expediente. Quase nada. José Mujica, o presidente uruguaio que se tornou símbolo mundial de humildade, simplicidade e humanidade, costumava […]

José Ricardo Caixeta Ramos
29.10.2026
Educação sanitária, um dos pilares da defesa agropecuária em Goiás

Nos últimos três anos, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) passou por uma transformação relevante em sua cultura organizacional. Tradicionalmente vista com receio pelo produtor rural, que associava a chegada de nossas equipes a possíveis multas e sanções, a Agência reinventou sua maneira de atuar. Hoje somos uma instituição parceira, que prioriza a orientação […]