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"Fonte das Quatro Nanas" (foto: reprodução)

Nanas da Niki

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31.05.2026 - 08:46:40
A “Fonte das Quatro Nanas” é uma obra da artista francesa, Niki de Saint Phalle doada, em 1999, para a Pinacoteca de São Paulo.
O filme com seu nome, “Niki” (2024), dirigido por Cèline Sallette foi baseado na história real da vida da artista abordando os abusos cometidos por seu pai, sua passagem por clínicas psiquiátricas, os tratamentos com eletrochoque, o casamento com o escritor Harry Mathews e o encontro com o meio artístico europeu.
A transformação, ao longo do tempo, de todo seu processo criativo que deu voz à uma catarse pessoal, crítica social e à um certo tipo de violência performática, culminou para emergir numa explosão colorida, alegre, feminina, mítica e onírica.
Niki é um surpreendente modelo de superação traumática, que fez a escolha por uma produção fértil e brilhante à se vitimizar na sombra dos sofrimentos e angústias da vida. Ela compreendeu que a dor foi apenas um trampolim para impulsionar seu imaginário, sua força libertária, disruptiva e cheia de vida.
“Existe também uma dimensão arquetípica muito forte nessas entidades femininas.
Muitas leituras associam as Nanas às antigas deusas-mãe pré-históricas, como a Vênus de Willendorf: figuras fecundas, ancestrais, ligadas à fertilidade, ao corpo e à terra” (Wikipédia)
A palavra ‘nana’, em francês coloquial equivale mais ou menos à garota, mina, ou moça. No inglês, ‘nana’ é como a ‘nonna’, do italiano, que significa vovó.
O termo onomatopéico: “nana nenem”, se estende ao verso da carinhosa cantiga de ninar, que permeia o universo materno.
Há ainda a divinidade Nanã, que é conhecida na mitologia yorubá como a orixá mais antiga e sábia, da cultura afro-brasileira.
Se valer da investigação de um singelo termo para identificar a profunda pesquisa desta artista, pode estar co-relacionada ao inconsciente coletivo e a sincronicidade ideológica de sua intrigante trajetória, visto que a artista se consagrou como uma “Gaudí francesa”. Um histórico artístico, cuja obra se integrou à arquitetura em instituições, parques, instalações escultóricas além de outras fontes com formatos orgânicos, assimétrias, mosaicos místicos e inconformistas.
Transcender a dor e transmutá-la em bem-estar é trabalho para poucos. Conquanto, há um descuidado circuito de ideias tendenciosas que insistem em propagar um terrorismo, o medo, a insegurança, a feiura, a militância conflituosa entre raças, gêneros, religiões e políticas, o que inverte, deliberadamente, os princípios básicos e nobres da arte.
Já diziam os céticos: “a Arte vem beneficiando mais o artista, que o artista beneficiando a Arte”. No entanto, o verdadeiro sentido deveria ser exatamamente o oposto.
Afinal, transformar o trágico em algo benéfico é bem mais difícil que o contrário. Ainda bem que a Niki (e outras seletas mulheres pelo mundo, inclusive as brasileiras presentes na Bienal de Veneza) persistem em manterem as “Nanas” nos seus devidos lugares de honra de deusas-mãe.
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por Tatiana Potrich

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