Divergências, disputas, discordâncias, distúrbios, discernimento, dissonância, dissociação, distinção, diferenças, diversidades, dificuldades, dicotomias, distinções, diminuições…
O prefixo “di” é de origem grega e significa dois, duplo ou duas vezes. É amplamente utilizado em palavras compostas, especialmente em química e biologia, indicando a presença de duas unidades. O prefixo “dis” tem origem no latim e pode indicar separação, movimento ou negação.
A origem e significado das palavras que usamos nos diz muito à respeito como pensamos e da origem que viemos. É quase como um sotaque, uma gíria, um cacoete insuportável, como alguém que repete constantemente o termo: “amiga, “amiga”, sem ao menos pronunciar uma vez seu nome.
Um lapso, um deslize, um quase analfabetismo disfarçado de afetividade, de acolhimento e aconchego. É como uma maquiagem, um silicone, uma unha ou um cílios postiço, uma moto potente, ou uma caminhonete barulhenta. Recursos óbvios de uma simulação, um disfarce, uma máscara para ocultar uma fraqueza, uma vulnerabilidade, uma feiura, uma pequenez, uma mediocridade.
De fato, essa estratégia é promissora durante um tempo, ela agrada, atrai, fascina, mas não perdura, porque não tem conteúdo, não se sustenta, porque não há nutriente suficiente que se fecunde em terreno tão artificial. Tal como dizia Abraham Lincoln e assim, eternizou Bob Marley: “You can fool some people sometimes, but you can’t fool all the people all the time”.
A intelectualidade virou artigo de luxo e, quem a detém, não pode ficar expondo aos quatro ventos. Ela é perigosa, disruptiva e pode ser usada para o mal, o mal querer, o mal estar, o mal resolvido, o mal amado, o mal dito. Não por acaso, grandes gênios da humanidade ainda permanecem num ostracismo, mesmo com a resistência e perseverança de intelectuais rebeldes e esperançosos. Psicanalistas, filósofos, sociólogos e cientistas outsiders inspiram o engajamento interdisciplinares para um maior entendimento do mundo, da vida, das relações. Gostar do vermelho não te impede admirar o amarelo ou experimentar o verde.
Não sei se é verdade, mas ouvi rumores que se uma pessoa é católica ela não pode praticar o yoga. Me corrijam se isso for uma inverdade, porque eu sou católica e pratico yoga. Antes mesmo da cruz, o símbolo do yin e yang já era difundido pelo oriente e foi interpretado, em termos bíblicos, para definir o bem dentro do mal, o mal dentro do bem. A luz do dia que precisa da escuridão da noite e vice-versa. Um movimento que precisa um do outro para criar um equilíbrio, uma sabedoria apoiada pelo crepúsculo, que integra o começo e o fim de um período.
Meus caros, hoje o meu desabafo é esse e para ilustrá-lo trago o registro da mostra de máscaras pela Barro Pintado no evento da 3ª edição do Jardim Yin.

Tatiana sua inteligência e conhecimento , suas pesquisas , sempre buscando novos conhecimentos é maravilhoso e você generosamente divide conosco .
Gratidão !
Amo essa leitura domingueira que me faz refletir e que confere leveza à vida.