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Ladainha verde-amarelo. (Foto: Tatiana Potrich)

Ladainha verde-amarelo

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14.06.2026 - 10:37:37

Sintonizar na frequência da Copa26 é estender o mês de junho ao de julho e, desde já começar a comemorar a escala 5×2.

Talvez, ainda mais previsível que essa escala, tenha sido a escalação do menino Neymar Jr. ao estimado time canarinho, que depois do desastroso placar 7×1, em 2014 poderia ser considerado o azarão da sorte nos próximos jogos. E por falar em azar, as bets, os tigrinhos e as tigrezas que se preparem para a impunidade das apostas particulares dos cartolas masters de plantão, não é mesmo!? Pois, quem realmente manda no placar mundial, são os donos da bola, os donos do mundo.

Dentre entrar e não entrar no gol, ou na migração dos EUA, continuamos com as ditas ladainhas de sempre: “sermos ou não sermos, estaduonidense, eis a questão”.

A gente quer mesmo é palavras de gentileza, tanto na política, como no esporte, quanto nos discursos públicos e privados.
“Oh, Shakespeare, onde estás que não repondes”?

Tudo é palco para um grande espetáculo medíocre, cafona, em meio a algazarra, a balbúrdia, como diria um ministro. Mas isso também continua sendo aquele “lenga lenga” da antiga ladainha de sempre. “O que sabemos é que nada sabemos”, como diria o sábio filósofo!

E por falar em filósofo, um poético pensamento do escritor espanhol, Miguel Unamo (1864-1936) me veio à tona: “Cada pessoa é, na realidade, três: aquela que ela acredita ser, aquela que os outros acreditam que ela seja e aquela que ela realmente é”!

O mais bonito desse pensamento é que, na língua portuguesa, todo ele é recitado em pronomes femininos, por causa do substantivo em questão.

Elas, as pessoas são eleitas à mitos, ídolos, craques, políticos e artistas como símbolos de sucesso, superação, superestimação ou supremacia, quando, em verdade, só enxergamos uma, das três partes existentes: a parte que acreditamos que ela seja. Mas nem sempre o que queremos acreditar costuma ser a verdade.

Sobre isso há um outro pensamento, o do cientista americano, Carl Sagan (1934-1996), bem mais realista, mas, que também não deixa de ser um tanto poético: “Nossas preferências não determinam o que é verdade”.

Essa insuportável querência pelo imediatismo ainda nos custará muito caro a longo prazo. Investigar uma solução satisfatória e verdadeira é algo delicado, doloroso e sem atalhos. Nem todos vieram a esse mundo para isso, afinal, sentar e querer o hexa é bem mais rápido, prazeroso e anestesiante, que se deparar com o empate, a derrota, a realidade, já que o espetáculo é medíocre, ops, é mundial e não pode parar.

Mas, quem sou eu na fila do pão para mudar a unanime ladainha verde-amarelo.

O que me resta é dependurar as chuteiras.

E bola que segue, ops, vida que segue.

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por Tatiana Potrich

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