Goiânia – Imergir, durante quatro dias e três noites, no céu inebriante da Chapada dos Veadeiros, hospedadas na casa de uma princesa iraniana, com uma programação alternativa, incluindo ervas medicinais, yoga, laboratório de leitura e claro, catarses pessoais seguidas da consequência de gatilhos e a convivência intensa entre mulheres diversas e potentes que se propuseram à uma experiência exclusiva, foi indescritivelmente, irresistível e tentador.
Projetada na localização nobre de Alto Paraíso, o Templo da Mãe D’água é o refúgio de Sahar, que cultiva a cura e o autoconhecimento através da integração com a natureza e resgate dos saberes ancestrais.
Acrescentado ao itinerário da programação, a dificultosa trilha da abundante, Cachoeira dos Couros e do inóspito, Vale da Lua, nos dispusemos a caminhar por entre pedras, poeira e muita beleza ameaçada dentro do Planalto Central, para desvendarmos dentro do nosso íntimo as dores, os prazeres e os desprazeres da vida.
Entre conversas, desacordos, convencimentos e convertimentos investigamos, em comunhão, os encargos necessários do cotidiano.
Do fútil ao útil, do luxo ao lixo, da conversa de botequim ao primordial para a nossa sobrevivência: a auto-cura.
Curar, não só as feridas abertas e malogradas, as sequelas dos traumas, os fios desencapados de nossos neurônios, mas curar a alma, a alegria desbotada de escolhas embaçadas, a aceitação insuportável de quem somos e de onde viemos.
Subindo ou descendo, escolhendo atalhos ou percorrendo caminhos longínquos, nos embrenhamos numa jornada intensiva, guiada pela impermanência da vida e a inconstância dos momentos programados.
Um olhar Sob o céu da Chapada que nunca mais será o mesmo, pelo menos para mim.
