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IHGG e compromissos com a sociedade

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04.08.2022 - 09:15:34

 
O Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, congênere estadual do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), foi fundado em 7 de outubro de 1932, no Palácio da Instrução, cidade de Goiás, sendo posteriormente transferido para Goiânia, ocupando desde 1939 o prédio que presentemente se denomina “Casa Rosada de Goiânia”, após sua restauração pela atual gestão.

Inicialmente concebido por Antônio Americano do Brasil (1892–1932), mas concretizado segundo idealização do professor José Honorato da Silva e Souza (1898-1952), o IHGG é uma associação civil, com personalidade jurídica de direito privado, de caráter cultural e científico, sem fins lucrativos.

Reconhecido de utilidade pública estadual pelo Decreto-Lei n° 1.202, de 08.04.1939, e de utilidade pública municipal pela Lei Municipal n° 8.170, de 5 de julho de 2003, o IHGG “tem por finalidade precípua constituir-se em guardião da memória histórica e geográfica de Goiás, parte integrante e relevante da memória cultural brasileira”, de acordo com seu Estatuto. A princípio, fundado apenas como uma congregação de sócios, sem numeração de cadeiras, posteriormente adotou o conceito da Academia Francesa, com cadeiras, patronos e patronas, e respectivos ocupantes, sucedidos após a morte do titular.

Atualmente a instituição é formada por oitenta cadeiras, com seus patronos, patronas, sócios e sócias titulares, sendo que, hoje, se completam 50 cadeiras ocupadas, com a posse dos 18 novos membros.

A esses, somam-se os sócios eméritos – promovidos após 20 anos de contribuição ao IHGG como sócios titulares –, além dos sócios beneméritos, honorários, correspondentes e correspondentes internacionais, perfazendo cerca de 140 membros, no total. Os decanos da instituição são o escritor e folclorista Bariani Ortêncio, e a escritora e historiadora Ana Braga, ambos com 99 anos.

Ao longo de seus 90 anos, o IHGG contou com inúmeros sócios titulares, não apenas geógrafos e historiadores – como a denominação poderia sugerir –, mas também advogados, economistas, jornalistas, musicistas, geólogos, antropólogos, agrônomos, médicos, enfermeiras, arquitetos, professores, juízes de direito e desembargadores, promotores de justiça e procuradores, poetas, naturalistas, artistas plásticos, memorialistas, educadores, clérigos, e outros que contribuíram com suas pesquisas, livros, trabalhos acadêmicos, ou escritos, para a formação da memória histórica, geográfica, cultural e científica de Goiás.

Entre os 18 novos membros empossados contam-se doutores, mestres, especialistas e profissionais de diversas áreas do conhecimento, a quem cabe dar seguimento ao trabalho científico, histórico, geográfico, antropológico e cultural de figuras como Amália Hermano Teixeira, Colemar Natal e Silva, Antônio Teixeira Neto e José Ângelo Rizzo, para ficar em apenas alguns dos que já se foram.

Cabe a nós do IHGG, juntamente com a Sociedade Goiana de História da Agricultura (e membros de cerca de outras trinta instituições parceiras) ombrearmos e concretizarmos, neste e nos próximos dois anos, a reflexão e a ressignificação da História de Goiás, através do Projeto GOIÁS +300, em que cerca de três centenas de pesquisadores estão realizando pesquisas que propiciarão a publicação de vinte livros: de História – stricto sensu; Geografia; Memória e Patrimônio; Literatura; Música; Agricultura; Alimentação e Saúde; Direito e Justiça; Povos originários; Povos de origem afro; Artes Plásticas; Medicina; Mulher; Direitos Humanos, dentre outros.

Em tempos de terraplanismos e outras pirotecnias pseudocientíficas, é cada vez mais necessário nos pautarmos pelos exemplos do professor Horieste Gomes – estrela maior de uma constelação de grandes mestres da Geografia; de Altair Sales Barbosa, e sua luta pela preservação da água, do Cerrado e dos povos originários em seus territórios; de Martiniano José da Silva, que na lonjura de seu quinhão, em Mineiros, denuncia o “racismo à brasileira”, luta pela afirmação dos povos afrodescendentes e suas formas de resistência, e deixa registrada a história dos quilombos; de Eurico Barbosa dos Santos – o grande tribuno – e sua resiliência na denúncia à ditadura e ao arbítrio, e a defesa da democracia por onde passou: na Assembleia Legislativa de Goiás, no Tribunal de Contas do Estado de Goiás, nos maiores jornais goianos, e na Academia Goiana de Letras.

Não poderíamos nos esquecer do poeta e crítico Gilberto Mendonça Teles, que há 55 anos leva o nome de Goiás e do IHGG aos grandes centros do Brasil, seja através de seus mais de 70 livros de reconhecido valor, seja por suas palestras e aulas na PUC-Rio, Universidade Federal Fluminense e outras pelo país e até pelo mundo.

Em circunstâncias de flagrante negacionismo – como a da óbvia eficácia das vacinas –, nós, do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, não podemos nos furtar a participar dos debates de temas nacionais e de Goiás, de escopo social, ambiental, científico, cultural e até político, sob pena de nos dissociarmos dos fins que se espera de uma instituição científica e cultural; e perdermos o respeito da sociedade e dos congêneres em Goiás e no Brasil.

Desse debate não se furtaram luminares que enriqueceram esta Casa no passado (cada qual em sua área), como Bernardo Élis, Colemar Natal e Silva, Jarmund Nasser; Jarbas Jayme; José Asmar; José Luiz Bittencourt; José Mendonça Teles; Marilda Godoy de Carvalho; Leolídio Di Ramos Caiado; Mauro Borges Teixeira; Mário de Alencastro Caiado; Modesto Gomes; Nelly Alves de Almeida; padre José Pereira de Maria; padre Ruy Rodrigues; Paulo Bertran; Regina Lacerda; Rosarita Fleury; Sebastião Fleury Curado; Ursulino Leão e Waldir Castro Quinta, dentre outros.

É mister também que todos os membros do IHGG sejamos conhecidos pela defesa do Estado Democrático de Direito, independentemente do posicionamento ideológico – de liberal a socialista – ou político-partidário. É da decência civilizatória que membros de uma sociedade científica abominem teses golpistas contra o Estado Democrático, toda forma de discriminação de minorias, preconceitos e abandono dos ideais de Liberdade, Isonomia e Cidadania, que devem nortear a sociedade brasileira.

É oportuno lembrar a epígrafe que o padre Luiz Gonzaga de Camargo Fleury – patrono do IHGG – escreveu em 1831, como diretor e editor do primeiro jornal de Goiás, A Matutina Meiapontense: “Os reis só são legítimos quando governam pela Constituição”. E ainda: “O direito de resistência é direito público de todo povo livre”. Que todos os membros do IHGG tenham como parâmetro as instruções de seu patrono, Cadeira 51, que participou ativamente dos principais eventos culturais, sociais e político-administrativos de seu tempo.

Queremos parabenizar a atual Comissão Permanente de Avaliação, nas pessoas de seu presidente Nilson Jaime, e dos membros Abílio Wolney Aires Neto e Pedro Nolasco de Araújo, pelo primoroso trabalho desenvolvido no processo de seleção dos 15 membros titulares e quatro correspondentes e respectivo Parecer; e Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado (presidente), que juntamente com os membros Waldomiro Bariani Ortêncio e Elisabeth Abreu Caldeira Brito, constituíram a Comissão anterior, que fez a avaliação de outros três membros titulares e seis correspondentes ora empossados, impedidos de se efetivarem, à época, por causa da pandemia.

Agradecemos aos 29 membros do IHGG que, representando a todos os demais sócios, participaram da Assembleia Geral do último dia 30/06 e votaram em nossos nomes para compor esta Egrégia instituição. Foi uma eleição democrática, isenta, pautada em critérios objetivos, que elegeu membros com inquestionável qualidade técnica.

Queremos parabenizar o presidente Jales Guedes Coelho Mendonça e toda a diretoria do IHGG pelo exemplar trabalho de gestão cultural que vêm desenvolvendo. Em pouco mais de um ano à frente do Instituto, o doutor em História e promotor de Justiça demonstra singular capacidade de gestão, visão estratégica e pendores administrativos notáveis. As realizações substanciais em tão pouco tempo de gestão mostram que acertou o ex-presidente Geraldo Coelho Vaz ao indicá-lo para presidente, na chapa eleita para gerir esta instituição nos quatro anos em que são comemorados os noventa anos da entidade. Obrigada, presidente Jales Mendonça, por nos receber e por elevar o IHGG à categoria de um dos grandes institutos históricos e geográficos do Brasil.

É nosso compromisso com a presidência e com todos os sócios participar assídua e cotidianamente das realizações, eventos e publicações do IHGG. Nesses novos tempos de interação online queremos contribuir com a instituição escrevendo artigos, participando de debates e discutindo com nossos pares e Diretoria, com as Universidades e a Sociedade, os grandes temas de Goiás e do Brasil.
 
*Tereza Caroline Lobo é socióloga, mestre e doutora em Geografia pela Universidade Federal de Goiás.
 

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por Tereza Caroline Lobo

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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