Carolina Pessoni
Goiânia – Entre as avenidas que cruzam o Setor Leste Universitário, região central de Goiânia, próximo a universidades, corredores de transporte coletivo e centros de pesquisa, um antigo prédio público ganhou uma nova vocação. Onde antes funcionava uma estrutura administrativa do Estado, hoje circulam empreendedores, pesquisadores, estudantes, investidores e representantes do poder público. Inaugurado em 2023, o HUB Goiás nasceu com a proposta de ser um ponto de convergência para quem acredita que inovação também se constrói coletivamente.
A história do espaço está diretamente ligada às transformações vividas por Goiás nos últimos anos. Segundo o gestor do HUB Goiás, Gabriel Augusto, a ideia começou a ser desenhada em 2019, período em que o Estado passou a estruturar políticas voltadas à ciência, tecnologia e inovação. A pandemia acelerou esse movimento e reforçou a necessidade de criar ambientes capazes de aproximar conhecimento, pesquisa e mercado.
O resultado foi a criação do primeiro hub público de inovação da Região Centro-Oeste, iniciativa do Governo de Goiás por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). O espaço foi concebido para conectar empresas, startups, investidores, mentores e fornecedores, além de oferecer ambientes de coworking, salas de reunião e programas de aceleração. “O HUB Goiás é essa fonte que conecta empresa com empresa, startup, governo e atua nesse mecanismo de prospecção”, resume Gabriel.

(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
A proposta vai além da oferta de infraestrutura. O HUB foi estruturado com base no conceito das chamadas “quatro hélices” da inovação: governo, universidades, sociedade civil organizada e setor produtivo. A ideia é que o desenvolvimento tecnológico aconteça a partir da interação permanente entre esses atores.
Desde sua inauguração, em junho de 2023, o espaço se tornou uma espécie de praça pública da inovação. Qualquer pessoa pode utilizar o coworking mediante cadastro e reserva online. Eventos, capacitações e encontros também podem ser realizados no local, desde que estejam alinhados à proposta do centro.
Os números ajudam a dimensionar o impacto alcançado em pouco tempo. Em menos de três anos, mais de 53 mil pessoas passaram pelo HUB Goiás. Somente o coworking recebeu cerca de 12 mil usuários. No mesmo período, foram realizados mais de 635 eventos e investidos R$ 39 milhões pelo Governo de Goiás em ações relacionadas ao equipamento e aos programas desenvolvidos no local.

(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
Um dos principais pilares da atuação do HUB são os editais voltados ao fortalecimento de startups. Ao todo, foram lançados 11 programas de apoio, que geraram 784 inscrições únicas. Entre eles está o Acelera GO, destinado a empreendedores que ainda estão desenvolvendo suas ideias, e o MA.DU.RAR, voltado para negócios já em operação e que buscam ganhar escala.
Com o amadurecimento do ecossistema, surgiram iniciativas voltadas à inovação aberta, conectando desafios reais de empresas e órgãos públicos a soluções desenvolvidas por startups. Um dos exemplos é o Gov.TEC, programa que leva empreendedores a trabalharem em soluções para demandas da administração pública em áreas como saúde, educação e gestão. Segundo Gabriel, a segunda edição do projeto reúne dez secretarias estaduais e se tornou a maior iniciativa do gênero no país.
Outro marco foi o Epicentro da Inteligência Artificial, realizado em parceria com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA). O programa recebeu centenas de inscrições de todo o Brasil e selecionou dez startups finalistas, que receberam apoio financeiro e mentorias especializadas para desenvolver suas soluções.

(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
A atuação do HUB também já ultrapassou fronteiras. Em 2025, startups participantes do programa MA.DU.RAR Internacional viajaram à China para apresentar seus negócios a investidores e empresas do setor tecnológico. Algumas dessas conexões resultaram em oportunidades comerciais e novos desdobramentos para os empreendimentos participantes.
Até o momento, mais de 150 startups foram apoiadas direta ou indiretamente pelas ações do HUB Goiás. O modelo também começou a se expandir para o interior do estado, com a criação de uma unidade em Rio Verde, desenvolvida em parceria com a prefeitura local e adaptada às características econômicas da região.

(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
Para Gabriel, o sucesso do projeto está justamente na capacidade de reunir diferentes atores em um mesmo ambiente. “Goiânia não tinha um espaço como esse. O HUB é um ponto de conexão entre universidades. É um grande concierge da inovação e do empreendedorismo”, afirma.
Em uma cidade que nasceu planejada para ser o centro administrativo de Goiás, o HUB acrescenta uma nova camada a essa vocação. Se no passado o desenvolvimento da capital passava pela construção de avenidas, praças e edifícios públicos, hoje ele também passa pela circulação de ideias, pesquisas e soluções tecnológicas.
