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Bruno Gagliasso como Honestino Guimarães (Foto: divulgação)

“Honestino” reconta memória de líder estudantil goiano

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11.08.2026 - 09:24:45

Estreia nesta semana, com direito a sessão em Goiânia com a presença do ator Bruno Gagliasso, do diretor Aurélio Michiles, do produtor Nilson Rodrigues e de Bianca Borges, presidente da UNE, Honestino, filme que mistura documentário e dramatização para recontar a história de Honestino Guimarães, presidente da UNE e líder estudantil, goiano de Itaberaí, sequestrado e desaparecido pela Ditadura Militar aos 26 anos, em 1973.

O filme intercala cenas com o testemunho de vários amigos, parentes, professores e estudiosos com outras que dramatizam momentos e locais da vida do estudante, interpretado por Bruno Gagliasso. A mistura dá certo dinamismo ao longa, que poderia ficar cansativo caso fosse apenas uma torrente de talking heads uma atrás da outra.

Porém, as cenas dramatizadas acabam sendo o ponto fraco do filme: elas funcionam quase como ilustração, são meio gerais, como esboços do passado. Teria sido mais interessante se fossem mais completas, parte integral da narrativa, com uma encenação e diálogos mais sofisticados. Como ficam, são apenas respiros, mas que acabam atrapalhando um pouco a parte documental, que é mais robusta e melhor constituída.

Nesse departamento documental, o que mais chama a atenção é o grande número e a diversidade de depoimentos reunidos, inclusive do saudoso professor Juarez Ferraz de Maia, grande nome do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás, hoje aposentado, que conheceu Honestino e também caiu na clandestinidade e no exílio.

Junto aos depoimentos, o filme também traz várias imagens de arquivo, tanto filmadas quanto fotografadas, o que é muito importante: com o passar das décadas e a consolidação de anos de propaganda da Ditadura, às vezes parece que não houve resistência, em particular fora do Rio e de São Paulo. Com o arquivo, vemos que não foi assim: podemos ver os protestos, as mobilizações em Brasília.

Enfim, vale a pena conferir Honestino, principalmente por seu valor histórico, de memória, como lembrança de um entre tantos desaparecidos, além de figura importantíssima para o Estado de Goiás.

*O colunista assistiu ao filme em cabine on-line disponibilizada pela Pandora Filmes.

 

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por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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