‘A Odisseia’ continua em alta: o filme de Christopher Nolan já se aproxima de arrecadar US$ 1 bilhão nas bilheterias globais, e o sucesso do filme tem despertado a curiosidade tanto de quem já conhecia o épico quanto de quem nunca tinha ouvido falar. Eu já escrevi por aqui o que achei do filme, então agora vou enumerar indicações para quem quer ampliar os horizontes e conhecer outras adaptações e obras inspiradas no poema de Homero.
Filmes
Não é a primeira e provavelmente não será a última vez que a jornada de Odisseu para casa ganha as telonas, e vamos deixar três recomendações aqui. A primeira é Ulisses, estrelada por Kirk Douglas. É uma megaprodução do final da era de ouro do cinema americano, com todos os marcadores do sistema de estúdio. Kirk manda muito bem, e os principais capítulos fazem parte do épico, que usa efeitos especiais impressionantes para a época.
Já a melhor adaptação recente é facilmente O Retorno, de 2024, estrelado por Ralph Fiennes e focado na parte final da história, com a chegada de Odisseu a Ítaca e seu plano para tentar se livrar dos pretendentes de Penélope. O filme é focado na atuação e no estudo do personagem e tenta ser mais historicamente fiel quanto ao figurino e aos locais. Perfeito para quem quer uma abordagem mais madura.
Por fim, deixo a recomendação mais fora da casinha: E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?, estrelado por George Clooney e escrito e dirigido pelos irmãos Coen. E se A Odisseia se passasse nos EUA durante a Grande Depressão e Odisseu fosse um presidiário fugitivo tentando voltar para casa? E se ainda fosse meio musical e 100% comédia? Pois é, o filme não pode ser acusado de não ter uma proposta ousada. No caminho, ele vai enfrentar versões dos mesmos desafios do poema, incluindo o ciclope e as sereias.
Livros
Recomendo também três livros, em diferentes escalas: um mais leve e comercial, um comercial, mas já mais denso, e um verdadeiro clássico moderno e superdenso, quase como a sua Odisseia pessoal.

O mais light deles é Circe, de Madeline Miller. O livro transforma a personagem de uma bruxa sedutora e amargurada em uma mulher complexa, sensível e vítima das próprias circunstâncias, que luta por justiça. Sua jornada de autodescoberta feminina foi tão influente que afetou inclusive a versão de Nolan, mudando totalmente a representação da personagem.
A recomendação intermediária é A Odisseia de Penélope, de Margaret Atwood, mesma autora de O Conto da Aia. Como o nome já diz, embora parte do foco seja na vida de Penélope com o retorno de Odisseu, a obra aborda a vida e a jornada da rainha de Ítaca durante 20 anos de abandono. Carregada de crítica social, a obra questiona os papéis femininos nos clássicos.
Já a mais densa é Ulysses, de James Joyce. Considerada a obra-prima do autor irlandês, a trama inteira se passa em um único dia em Dublin. Considerado um microcosmo da experiência humana, o livro acompanha Leopold Bloom durante um dia em 1904. Revolucionária, a obra é marcante em particular pelo seu uso do fluxo de consciência, conforme o personagem vaga pela neblina, e por sua estrutura labiríntica. Recomenda-se fortemente a leitura com um livro de acompanhamento para não perder a riqueza dos detalhes.
