Carolina Pessoni
Goiânia – Cartão-postal e um dos principais eixos históricos da capital, a Avenida Goiás concentra, diariamente, parte significativa da circulação no Centro de Goiânia. Comércio, serviços, transporte coletivo e fluxo contínuo de pedestres fazem da via um espaço em permanente uso e, por isso, em constante necessidade de manutenção.
É nesse cenário que atua, de forma contínua, o trabalho de conservação realizado por servidoras da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). Entre elas, Simone Rodrigues e Andrea dos Santos Andrade, que se revezam ao longo da semana na limpeza dos calçadões da avenida.
Cinco vezes por semana, em horários distintos, as duas percorrem o mesmo trecho. Uma inicia o expediente nas primeiras horas da manhã, acompanhando a abertura do comércio. A outra atua no período em que o movimento ainda diminui, quando o calor cede e o fluxo desacelera. Essa alternância garante que a avenida atravesse o dia com condições adequadas de uso, mesmo diante da intensidade característica da região central.
Com o tempo, o trabalho repetido constrói um tipo de conhecimento específico sobre o espaço. Simone e Andrea reconhecem padrões: pontos de maior acúmulo de resíduos, trechos mais impactados pelo vento, horários de maior descarte irregular. Sabem, por exemplo, onde folhas e papéis tendem a se concentrar e quais áreas exigem atenção redobrada ao longo do dia.
Andrea está há 16 anos na função e se orgulha de sua trajetória (Foto: Luciano Magalhães)
A execução do serviço exige preparo físico e coordenação. O movimento constante de ônibus, o deslocamento apressado de pedestres e as condições ambientais (como calor, poeira e fumaça) fazem parte da rotina. Ainda assim, o ritmo do trabalho se mantém estável, guiado por um objetivo claro: preservar a funcionalidade e a aparência de um dos espaços mais simbólicos da cidade.
Andrea está há 16 anos na função. Ao longo desse período, construiu uma trajetória que ultrapassa o espaço da avenida. Foi com o trabalho como gari que conseguiu proporcionar ao filho, Kauê, a formação no ensino superior. “Para mim, ele sentir esse orgulho e colocar o meu chapéu de gari no dia da colação de grau foi muito gratificante. É um orgulho. A gente está colhendo os frutos com reconhecimento e gratidão”, afirma.
Simone atua há oito anos na Companhia e lembra com precisão o momento em que foi aprovada no concurso público. “Vi o anúncio na televisão, me interessei e resolvi fazer. Quando fui aprovada, nem acreditei. Foi, e continua sendo, uma realização”, conta.

Simone se diz realizada na função e cuida com carinho da Avenida Goiás (Foto: Luciano Magalhães)
Ao longo do expediente, o trabalho segue de forma contínua, muitas vezes sem interrupções perceptíveis para quem circula pela avenida. Ainda assim, seus efeitos são imediatos: calçadas livres de resíduos, melhor circulação de pedestres e um ambiente mais organizado para comerciantes e trabalhadores da região.
Mais do que uma atividade operacional, a limpeza urbana interfere diretamente na experiência do Centro. Em uma via como a Avenida Goiás, marcada pela história, pela arquitetura e pelo uso intenso, a manutenção cotidiana é o que permite que o espaço permaneça funcional e acolhedor.
Ao final de cada jornada, o resultado do trabalho se apresenta no uso cotidiano. Está no chão limpo, no caminho livre, na circulação que segue sem interrupções. Em uma avenida que concentra parte da história e da dinâmica de Goiânia, são presenças como as de Simone e Andrea que garantem, todos os dias, que o Centro continue funcionando.
