Carolina Pessoni
Goiânia – Quem passa hoje por trechos do Setor Central nota as estruturas de madeira, metal e concreto instaladas ao longo dos canteiros centrais das vias. Ainda discretos, neste fim de verão e início de outono, os pergolados implantados pela Prefeitura de Goiânia fazem parte de um projeto de requalificação paisagística que ao longo do ano transforma a experiência de quem circula pela região.
Posicionados em pontos estratégicos, eles funcionam como uma tentativa de suavizar o excesso de concreto e as altas temperaturas típicas do Centro, criando áreas de sombra e permanência em meio ao fluxo intenso de pedestres e veículos.
Por enquanto, o que se vê são estruturas de madeira, firmes, geométricas com os bougainvilles ainda sem flores. A proposta é que, com o tempo, os pergolados sejam cobertos pelas flores em tons vibrantes de rosa e roxo, bastante adaptadas ao clima da capital.

(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
Nos bastidores, o trabalho já começou. Jardineiros da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) atuam no preparo do solo e no cultivo da vegetação que sobe pelas estruturas. É um processo que exige técnica e acompanhamento constante até que as plantas atinjam o estágio ideal de crescimento. A expectativa é que, nas próximas estações, os pergolados se tornem verdadeiros corredores floridos, criando contraste com o cinza predominante da paisagem urbana e oferecendo não só sombra, mas também um novo olhar sobre o Centro.
“O ajardinamento de toda Goiânia é uma responsabilidade dos nossos valiosos jardineiras e jardineiros que se dedicam todos os dias aos cuidados dos espaços públicos. A empresa batalha para valorizar estes e todos os profissionais que estão empenhados, através da Comurg, a entregar produtividade, limpeza, conservação e ainda mais beleza a quem mora e quem visita a capital mais linda do Brasil”, afirma o presidente da Companhia, Cleber Aparecido Santos.

(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
Há, nesse movimento, uma espécie de retorno às origens. Goiânia foi concebida na década de 1930 com forte presença do paisagismo urbano, em um projeto que buscava equilibrar arquitetura e áreas verdes, influência direta do urbanista Attilio Corrêa Lima, responsável pelo plano original da cidade. Praças arborizadas, eixos amplos e a valorização do espaço público faziam parte dessa ideia de cidade-jardim no coração do Brasil.
Mais do que estruturas de concreto e madeira, os pergolados carregam essa memória. Mesmo em formação, eles funcionam como um gesto silencioso de reconexão com esse desenho inicial, onde o Centro não é apenas lugar de passagem, mas também de permanência. Eles reafirmam que a sombra pode ser planejada e o respiro, intencional, e que, mesmo entre concreto, asfalto e pressa, a cidade ainda encontra formas de florescer.
