Carolina Pessoni
Goiânia – Durante décadas, o Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira foi associado às grandes disputas do futebol goiano. Hoje, porém, o equipamento esportivo no coração de Goiânia ganha novos significados no cotidiano da cidade. Nas primeiras horas da manhã, a pista de atletismo se transforma em ponto de encontro para corredores amadores, assessorias esportivas e praticantes de atividade física que encontraram no espaço público um lugar de treino, convivência e qualidade de vida.
Segundo a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (SEEL), mais de 300 corredores utilizam semanalmente a pista do estádio. O espaço atende atletas de alto rendimento, alunos de projetos de iniciação esportiva e paradesporto do Governo de Goiás, além da comunidade em geral, mediante cadastro prévio realizado na portaria da Rua 74.
A utilização é gratuita. Os interessados precisam apenas realizar o cadastro junto à secretaria para agendar horários de treino, conforme a disponibilidade da pista. Atualmente, o espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 6h às 18h, e aos sábados, das 6h às 12h.

(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
Entre os grupos que utilizam o estádio está a assessoria comandada por Suzana Aguiar, que treina no local há cerca de dez anos. A relação dela com o Olímpico, no entanto, começou muito antes, ainda na infância. “Utilizo o estádio há pelo menos 35 anos. Primeiro por conta da natação e, depois, com a assessoria esportiva. É um espaço muito interessante para treinos de velocidade, porque é totalmente plano e seguro”, afirma.
Para Suzana, a estrutura diferenciada da pista faz do estádio um espaço raro em Goiânia. “Ter uma pista totalmente voltada para corrida dá segurança. Você não precisa parar para um carro passar ou correr o risco de esbarrar em alguém de bicicleta. A mesma estrutura hoje, em Goiânia, praticamente não existe fora das universidades. A pista emborrachada e a segurança fazem do estádio um privilégio”, destaca.
Ela reforça que o local é destinado exclusivamente à corrida e lembra que a utilização exige respeito às regras estabelecidas pela administração. “Não pagamos nada, porque é realmente um espaço público para o público em geral. Qualquer pessoa pode usar, mas precisa fazer cadastro por questão de segurança. Respeitando as regras, tudo dá certo”, pontua.

(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
Além do crescimento da prática esportiva, Suzana também percebe transformações na própria região central da cidade ao longo das últimas décadas. “Na minha época de criança e adolescente, o espaço não era aberto ao público em geral. Hoje vejo a região do Centro mais utilizada e mais preservada como um todo. Até os espaços históricos precisam ter boa receptividade com o público”, afirma.
O aumento do fluxo de corredores acompanha um movimento maior de reocupação dos espaços públicos da capital, especialmente no Centro. Para quem frequenta o estádio diariamente, a presença constante da comunidade também ajuda na preservação do patrimônio esportivo. “Quanto mais pessoas utilizando, mais gente quer preservar. O estádio precisa estar aberto para a comunidade, porque ele pertence à população”, diz Suzana.
Na última semana, o governador Daniel Vilela assinou a ordem de serviço para a reforma da pista de atletismo do estádio. A obra prevê a substituição completa do piso atual e a implantação de um novo sistema de drenagem pluvial. A previsão é de que os trabalhos sejam executados em até seis meses.
Enquanto a reforma não começa, o Olímpico segue cumprindo uma função que vai além das arquibancadas e das competições oficiais. Em meio ao concreto do Centro, a pista mantém vivo o movimento de uma cidade que corre — literalmente — em direção à ocupação de seus próprios espaços públicos.
