Logo
(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

Coreto da Praça Cívica mantém viva a história cultural de Goiânia

Monumento foi inaugurado no Batismo Cultural da Capital

WhatsAppFacebookLinkedInX
24.07.2026 - 16:52:19

Carolina Pessoni

Goiânia — Desde sua inauguração, em 5 de outubro de 1942, durante as comemorações do Batismo Cultural de Goiânia, o Coreto da Praça Cívica ocupa lugar de destaque na paisagem do centro histórico da capital. Com riqueza de detalhes, composição simétrica, laje plana e elementos que dialogam também com o ecletismo arquitetônico, o monumento é considerado um dos exemplares mais elaborados do art déco goianiense e uma das obras mais expressivas desse conjunto arquitetônico.

O Coreto integra o patrimônio protegido nas esferas federal, estadual e municipal. Em âmbito federal, passou a ser tombado em 2003, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o Conjunto Arquitetônico Art Déco e Urbanístico de Goiânia, formado por parte do traçado urbano dos núcleos pioneiros da capital e por outros 21 edifícios e monumentos públicos concentrados no Centro e em Campinas.

Ao longo de sua história, o monumento passou por diferentes usos. A primeira fase teve início com sua inauguração, quando o espaço recebeu eventos culturais e sociais, evidenciando características ecléticas presentes em seus elementos decorativos. Entre 1973 e 1978, durante a administração do prefeito Manoel dos Reis, o Coreto abrigou o Centro de Atendimento ao Turista (CAT). Em 1978, foi reconstruído e retomou sua função original como equipamento urbano e monumento voltado ao embelezamento da cidade.

 

Foto da Praça Cívica em 1944 mostra o Coreto, na parte inferior (Foto: Hélio de Oliveira)

 

Restauração
Iniciada em 2019 e concluída em maio de 2020 pelo Iphan, a restauração buscou recuperar e valorizar a linguagem arquitetônica do Coreto, preservando sua integridade e suas características originais. A intervenção integra as ações de recuperação do conjunto tombado promovidas pelo instituto.

A arquiteta do Iphan, Déborah Aires Souto, explica que o trabalho foi desenvolvido em duas etapas: uma fase inicial de estudos, que incluiu ensaios laboratoriais, seguida pela execução das obras.

“Foi feita a recuperação integral da laje, dos pisos, bancos em granitina, revestimentos de pedra portuguesa na área externa, restauração do reboco, dos adornos do balcão e platibanda, da recomposição de luminárias, paisagismo, execução de calçada acessível e, por fim, a pintura”, detalha.

 

Detalhes da platibanda restaurada (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

 

Segundo ela, a restauração também representou uma oportunidade de ampliar o conhecimento técnico da equipe do Iphan em Goiás. “Temos muitas ações nas cidades históricas, como Goiás e Pirenópolis. Então, trabalhar em uma obra do século XX era uma novidade para nós, pois precisamos usar técnicas diferentes das quais estávamos acostumados.”

Para Déborah, a intervenção também transformou a relação da população com o espaço. “Como o prédio do Iphan fica ao lado, podemos ver claramente como a ocupação está diferente. As pessoas estão indo mais, quem trabalha perto usa o local nem que seja para dar um telefonema em seu horário de almoço, vemos muitas pessoas fazendo ensaios fotográficos. A restauração conseguiu resgatar esse valor do monumento”, ressalta.

Memória compartilhada
A pedagoga Jordana Muniz faz parte desse novo movimento de ocupação do Centro. Ela costuma frequentar a região aos domingos com o marido e o filho, João, percorrendo de bicicleta a Praça Cívica e as ruas do entorno.”Temos um carinho muito grande, pois parte da nossa adolescência foi por ali e gostamos da ideia de apresentar a cidade pro nosso filho”, conta.

 

Coreto tem os elementos clássicos da arquitetura art déco (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)

 

Para ela, é gratificante ver famílias redescobrindo o Centro como espaço de convivência e lazer. “Amamos o coreto. Gostamos muito da revitalização, achamos que ficou lindo. É gostoso ver ele ali e poder contar a história da nossa cidade pro João e como eram diferentes os costumes da época em que a cidade foi construída.”

Jordana acredita que preservar o patrimônio histórico é uma forma de manter viva a memória da capital. “Espero que os planos de conservação se mantenham e a restauração continue sendo uma pauta nesse governo e nos que virão. Espero também que Goiânia, sua história, arte e cultura possam fazer mais parte do currículo escolar para ensinarmos para as nossas crianças como conservar a história e a beleza de onde vivemos.”

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Carolina Pessoni

*Jornalista formada pela UFG, especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing também pela UFG

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Noite e Dia
16.09.2026
Sebrae premia profissionais da comunciação em noite dedicada ao jornalismo; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Prêmio Sebrae de Jornalismo realizou a solenidade de premiação em reconhecimento a produções jornalísticas que abordam temas ligados ao empreendedorismo e aos pequenos negócios. O Jornal A Redação conquistou o 2º lugar na etapa estadual da 13ª edição do prêmio, no evento que ocorreu na noite desta terça-feira (15/9), na […]

Meia Palavra
16.09.2026
‘The Ghost in the Shell’ finalmente dá tratamento fiel a clássico cyberpunk

Terminou na semana passada a adaptação em 10 episódios de The Ghost in the Shell, baseada no mangá de mesmo nome, publicado por Masamune Shirow nos anos 1980. A obra foi extremamente influente e ganhou uma adaptação na qual o diretor Mamoru Oshii tomou amplas liberdades, em forma de filme animado, em 1995, que, por […]

Laboratório Público — Ciência, política e meio ambiente
15.09.2026
Sem apocalipse ou redenção

A Inteligência Artificial ganhou novamente as manchetes essa semana com dois fatos em sequência: a demissão de Jacob Coxon da Anthropic, empresa responsável pelo Claude, e o texto de Dario Amodei, fundador da mesma empresa, alertando para a necessidade de diminuir o ritmo de avanço da IA. Coxon já trabalhara na OpenAI, a fundação responsável […]

Noite e Dia
14.09.2026
Gusttavo Lima reúne milhares de goianienses no ‘Buteco Para Sempre’; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – Gusttavo Lima se apresentou em Goiânia no último sábado (12/9) para comandar o festival Buteco Para Sempre, no estacionamento do Estádio Serra Dourada. O evento também contou com shows de Leonardo, Diego & Victor Hugo, Calcinha Preta e João Bosco & Vinícius. No repertório, o público entoou músicas antigas e novas […]

Curadoria Afetiva
13.09.2026
Práticas terapêuticas

A imagem que ilustra meu texto deste domingo são as obras esculpidas em argila pela caprichosa arquiteta, Fernanda Ogata. Seu design e delicadeza, que descendem da ancestralidade japonesa, destacam o impecável resultado de suas peças e a exímia habilidade nipônica, do fazer artesanal. Não há como não vangloriar também, a influência da tropicalidade brasileira explícita […]

Noite e Dia
11.09.2026
Beco da Codorna: quando a arte encontrou um lugar no coração de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Há lugares que parecem existir à margem da cidade, escondidos entre fachadas, galerias e grandes avenidas. No Centro de Goiânia, alguns deles são os becos. Espaços estreitos, muitas vezes destinados originalmente a serviços e circulação, que ao longo das décadas ganharam diferentes usos e, em alguns casos, passaram a integrar a […]

Noite e Dia
10.09.2026
Evento para convidados abre Festival da Cachaça de Goiás; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – Um encontro para convidados marcou a abertura da primeira edição do Festival da Cachaça de Goiás, nesta quarta-feira (9/9). Realizado no Flamboyant Hall até domingo (13), o evento reúne uma série de programações ao longo de cinco dias, com entrada gratuita e atividades voltadas tanto para profissionais da cadeia produtiva quanto […]

Meia Palavra
09.09.2026
‘A Morte de Robin Hood’ mistura redenção com a desconstrução de um personagem clássico

Antes de ver este filme, a principal crítica que vi da audiência foi a de que era o filme “mais chato do mundo”, o que diz mais sobre o estado do público hoje do que sobre o filme em si. Em A Morte de Robin Hood, acompanhamos os momentos finais do famoso fora da lei, […]