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Como nossos pais

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21.07.2011 - 13:45:27
Quem tem mais de 35 anos, certamente se lembra da propaganda cujo slogan era “não basta ser pai, tem que participar”. Eu me alegro imensamente de conviver diariamente com um pai que não apenas ama e cuida da nossa filha, mas participa com entusiasmo e muitas risadas do dia a dia dela.
 
Quando a Maria nasceu, era ele e só ele quem conseguia acalmá-la na hora da cólica. Dava banho, trocava fralda, fazia massagens até ela pegar no sono. Até hoje ela prefere mil vezes que ele a coloque na cama, porque sabe que vai ganhar histórias e massagens antes de dormir.
 
Até os três anos de idade, Maria só chamava o pai pelo nome dizendo cada sílaba bem devagar, como uma namorada apaixonada: Mar-ce-lo. Hoje ela trocou o nome por pai ou papai e está cada vez mais apaixonada.
 
Além do meu marido, tenho o prazer de ver e conviver com pais dedicados e amorosos, casados ou não com as mães dos seus filhos. Esses caras não têm preguiça de viajar com os pequenos, mesmo que seja para um acampamento no Araguaia, de onde escrevo agora. E além de cuidar dos seus filhos, também ajudam a cuidar dos filhos dos amigos, porque em coração de pai de verdade, sempre cabe mais um.
 
Posso dizer por experiência própria que ter um pai amoroso e preocupado é uma das melhores coisas da vida. Meu pai é assim. É difícil um dia em que eu não receba um telefonema seu ou que ele não passe lá em casa, buzinando bastante e sem descer do carro, como é sua marca registrada.
 
Minha mãe conta que quando eramos bebês, meu pai nunca trocou uma fralda ou acordou a noite para dar mamadeira. Disso não me lembro. Em compensação, tenho as melhores memórias da minha infância, especialmente nas férias de fim de ano quando ele e minha mãe colocavam nós quatro no carro para longas viagens até o litoral. 
 
Há pouco tempo, foi meu pai quem achou a casa onde vivo hoje. Durante meses, ele rodou pelo bairro onde mora com o firme propósito de encontrar um imóvel que eu gostasse e coubesse no nosso orçamento. E ainda cuidou de toda reforma da casa, resolvendo os pepinos que surgiam diariamente na obra.
 
Esse ano eu completo 40 anos. Ainda me sinto a filhinha do meu pai e digo o seu nome sílaba por sílaba, como uma namorada apaixonada: Car-lão, muito obrigada.
 
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por Bia Tahan

*Jornalista

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