Logo

Brasileiro bebeu mais, ganhou peso e fez menos exercício físico na pandemia

WhatsAppFacebookLinkedInX
17.01.2022 - 08:41:23

São Paulo – Os efeitos da pandemia na saúde dos brasileiros foi arrasador, mesmo entre aqueles que não contraíram a covid-19. Durante o ano de 2020, quando o Brasil passou mais tempo em isolamento social para frear o avanço do coronavírus, houve aumento no consumo abusivo de bebidas alcoólicas e no sedentarismo entre a população brasileira, o que desencadeou a elevação da taxa de pessoas com doenças crônicas, como a obesidade.

Isso é que mostra a pesquisa Doenças Crônicas e Seus Fatores de Risco e Proteção: Tendências Recentes no Vigitel, realizada pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS). Em 2019, a obesidade atingia 20,3% dos adultos nas capitais do País, mas, em 2020, a doença passou a afetar 21,5% deste grupo, com maior prevalência nos Estados do Sul, Sudeste e Nordeste.

Manaus (24,9%), Cuiabá (24,0%) e Rio (23,8%) lideram o ranking de maior incidência da obesidade. Até 2011, nenhuma capital havia ultrapassado 20%. O índice nacional chega a quase o dobro do que foi registrado 14 anos antes, em 2006, quando só 11,8% da população era portadora desse tipo de comorbidade.

O ano marca a primeira vez que foi feito o levantamento Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) pelo Ministério da Saúde, de onde os dados do IEPS foram extraídos. Foram entrevistadas 27.077 pessoas nesta edição do estudo.

Alerta
Especialistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo afirmam que a alteração no estilo de vida dos brasileiros, provocada pela pandemia, foi determinante para o surgimento – e até agravamento – de hábitos prejudiciais à saúde, assim como transtornos psíquicos que desencadeiam outras doenças.

A vestibulanda de Artes Visuais Isabella Stael, de 19 anos, atribui o aumento do consumo de bebidas alcoólicas na pandemia ao que chama de "desgaste psicológico". Ela afirma que o álcool é usado como refúgio para relaxar e se divertir em meio ao estresse causado pela covid e pelos estudos, sem que haja, necessariamente, uma ocasião especial.

"Em grande parte, o consumo de álcool que faço está ligado a aliviar a pressão e não precisar pensar no futuro", afirma ela. "Também está relacionado a dias em que estou muito cansada, ou em outros em que o esgotamento mental é tão grande que fico frustrada por não conseguir estudar direito e chego ao final do dia querendo beber", acrescenta a jovem.

O psiquiatra Guido Palomba, da Associação Paulista de Medicina, vê relação direta entre a pandemia e a alta da taxa de doenças crônicas. Para ele, isso ocorre porque as pessoas precisam restringir a locomoção e lidar com a superexposição a notícias negativas, o que desencadeia transtornos psiquiátricos que colaboram para surgirem comorbidades.

A demanda excessiva de trabalho criada pelo home office também é apontada por Palomba como fator inerente ao "novo normal", que estimula hábitos pouco saudáveis. "Alimentação e álcool são formas de gratificação em momentos ruins. Consequentemente, há aumento de obesidade, diabete e problemas cardíacos", afirma.

Diagnóstico
Beatriz Rache, mestre em Economia pela Universidade Columbia (EUA) e autora da pesquisa do IEPS, destaca o aumento dos fatores de risco à saúde, como o consumo de ultraprocessados (biscoitos, chocolate, salsicha, margarina, entre outros), em praticamente todos os segmentos da pesquisa. Só o tabagismo se manteve estável em 2020 ante 2019.

Em contrapartida, o consumo abusivo de álcool partiu de 18,8% para 20,4%, mesmo cenário observado em relação ao sedentarismo (de 13,9% para 14,9%). "A gente vê, entre 2019 e 2020, piora de todos os indicadores de riscos comportamentais e, por isso, é possível associar ao aumento da obesidade. Apesar de a Vigitel não permitir fazer essa correlação, os dados mostram que a pandemia parece estar associada aos resultados de 2020, ano tanto de estresse econômico quanto sanitário", afirma Beatriz.

Presidente da Associação Médica Brasileira, César Fernandes destaca a importância de grandes campanhas de conscientização sobre riscos da alimentação inadequada e da falta de atividade física. "Muitas famílias mudaram hábitos alimentares para pior, com o teor de gordura e caloria aumentado. As pessoas começaram a se servir por meio de delivery. Não bastasse isso, se privaram de atividades físicas habituais, como pequenas caminhadas no cotidiano", acrescenta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Agência Estado)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Augusto Diniz

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Agro
27.10.2026
No campo, o atendimento ainda toca o telefone

A Redação Goiânia – Quem trabalha com revenda de máquinas, insumos ou peças no interior de Goiás conhece bem o mês de outubro. O telefone começa a tocar cedo, antes das seis, e só para quando escurece. Do outro lado da linha está um produtor com a plantadeira parada no meio do talhão, um rolamento […]

Direitos Humanos
27.10.2026
Goiânia deverá apresentar plano para acolhimento de idosos em situação de vulnerabilidade

A Redação  Goiânia – A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) obteve decisão favorável, nesta segunda-feira (26/10), para que o Município de Goiânia elabore e apresente um plano de implementação e ampliação do serviço de acolhimento institucional para pessoas idosas em situação de vulnerabilidade, abandono familiar e desabrigo. A determinação atende ao pedido feito […]

Energia
27.10.2026
Equatorial Goiás suspende atendimento presencial no feriado

A Redação Goiânia – Em razão do feriado de Finados, as agências de atendimento presencial da Equatorial Goiás estarão fechadas na segunda-feira (2/11), retornando às atividades na terça-feira (3). Os clientes que precisarem de atendimento podem contar com os demais canais que permanecerão disponíveis. Assistente virtual Clara está disponível para todos os clientes. Basta enviar […]

Dados
27.10.2026
Levantamento coloca Goiânia entre as quatro capitais mais seguras do Brasil

A Redação Goiânia – O Anuário 2026 de Cidades Mais Seguras do Brasil, elaborado pela MySide, coloca Goiânia entre as capitais brasileiras com as menores taxas de assassinatos. A capital goiana ocupa a quarta posição no levantamento, com 15,2 assassinatos por 100 mil habitantes, índice cerca de 29% abaixo da média nacional, de 21,5. O […]

Reconhecimento
27.10.2026
Rafael Lara Martins recebe título de sócio honorário do IHGG por valorização da memória jurídica de Goiás

A Redação Goiânia – Em reconhecimento às contribuições para a preservação histórica e o fortalecimento institucional em Goiás, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), Rafael Lara Martins, tomará posse como sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG) nesta quinta-feira (29/10), às 9h. A solenidade será realizada na […]

ADVOCACIA
27.10.2026
Miguel Cançado ministra palestra na OAB-GO sobre Recuperação Judicial

A Redação Goiânia – Ex-presidente da Ordem dos Advogado do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), o advogado Miguel Cançado, sócio-fundador do escritório Cançado & Barreto Advocacia, ministra palestra na sede da seccional nesta terça-feira, 27 de outubro, às 19h. O encontro é voltado a advogados, estudantes e profissionais interessados em reestruturação empresarial, falências e recuperações […]

Saúde
27.10.2026
Gêmeas siamesas passam por nova etapa de preparação para cirurgia de separação em Goiânia

A Redação Goiânia – O Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia, realiza nesta quarta-feira (28/10), às 7h, uma nova cirurgia nas gêmeas siamesas Maria Helena e Maria Eva. O procedimento prevê a colocação de expansores de pele na região abdominal das crianças e integra a última etapa de implantação desses dispositivos […]

Campanha "Juntos pelo Natal de todos"
27.10.2026
Sistema Fecomércio Sesc Senac arrecada brinquedos para presentear 7 mil crianças em Goiás

A Redação Goiânia – O Sistema Fecomércio Sesc Senac Goiás lança a nova edição da campanha “Juntos pelo Natal de Todos”, iniciativa solidária que arrecada brinquedos novos (bolas, bonecas e carrinhos) para beneficiar crianças. Em 2026, a meta é presentear sete mil crianças de zero a 11 anos atendidas por entidades sociais cadastradas no programa […]