José Abrão
Goiânia – Participante da 1ª edição da Arte Pensante – Roda de Conversa sobre Políticas para o Setor Artístico, o historiador da dança, professor dos cursos de graduação em Dança e de pós-graduação em Artes da Cena da UFG e diretor artístico do Grupo Três em Cena, Rafael Guarato, conta que veio da cena do break dance, mas teve “que dançar outras danças para sobreviver de dança” para conseguir sobreviver, comentando sobre como o artista precisa se adaptar ou buscar outros caminhos, como a docência, para conseguir se sustentar e continuar em atividade. O evento foi realizado pelo jornal A Redação na Galeria Aberta – Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul, em Goiânia.
Ele comentou sobre como não é uma questão de talento: mencionou o caso da goiana Quasar Cia de Dança, uma das mais aclamadas do Brasil, que quase fechou as portas após 28 anos por falta de recursos. O artista cobrou a falta de um sistema nacional de cultura ou mesmo estatal que tenha uma garantia de continuidade.
Rafael lembrou de quando participou da criação do Plano Nacional para a Dança e que, embora feito, ficou no papel. “A gente acabou de construir o plano, a gente quer que vocês executem! A política tá pronta, tá construída. Se vocês conseguirem fazer isso em 50 anos, tá maravilhoso, porque já tá tudo lá”, disse.
O professor salientou que outra pauta importante é conseguir isenções fiscais que sejam específicas para o setor cultural, para desonerar a cadeia produtiva da cultura. “Eu quero que o governo apoie o setor cultural como apoia o setor automobilístico ou que tenha planos de investimento como têm para a agricultura”, resumiu. “Todos os setores industriais possuem isenções e investimentos públicos. Percebem como a gente está longe disso?”, completou.
Para ele, isso devia ser uma pauta para consolidar o financiamento do setor para as gerações futuras por meio de legislação específica. “Que é onde a gente mais peca. Temos muita dificuldade de nos entendermos coletivamente. De criarmos, lançarmos e elegermos nossos representantes legislativos. Precisamos eleger pelo menos um vereador nas nossas cidades”, cobrou, para que o setor cultural possa efetivamente ser representado.
