José Abrão
Goiânia – “A cultura é um território muito estratégico”. Foi o que afirmou a escritora, editora, livreira e jornalista Lari Mundim durante a 1ª edição do Arte Pensante – Roda de Conversa sobre Políticas para o Setor Artístico, realizada na Galeria Aberta – Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul, em Goiânia. Para ela, arte e política são indissociáveis, e a vulnerabilidade do setor está relacionada justamente ao poder que a cultura exerce. Lari também elogiou a iniciativa: “sinto muita falta de iniciativas como essa”.
Como “grande inimigo”, Lari aponta a falta de continuidade das políticas públicas. “Os trabalhos começam a ser desenvolvidos, é feito um grande investimento com o recurso dos contribuintes, e aí acontece a descontinuidade. Tudo é reiniciado a partir de um parâmetro ou plataforma que é contrária [ao trabalho já realizado], mas muitas vezes, em seguida, ele é retomado como se fosse algo novíssimo”, considerou. Por isso mesmo, ela pontua, é importante não ficar “reinventando a roda” ao pensar políticas públicas.
A seu ver, para quem está na linha de frente da cultura, é muito importante conseguir responder o “por quê” e o “como” junto aos gestores públicos para tentar avançar neste segmento. Na área da literatura, pontuou, é ainda mais difícil, já que os dados apontam amplas dificuldades da população em acessar textos e em compreendê-los.
Mas não é para desanimar: “[é algo que] afirma a relevância do trabalho que a gente faz. De estímulo à leitura e formação de leitores, mas entendendo que isso está na base do mercado editorial, da arte da palavra”. São números, ela observa, para refletir sobre a importância de políticas públicas culturais.
