José Abrão
Goiânia – Foi realizada pelo jornal A Redação, nesta quinta-feira (17/9), a 1ª edição do Arte Pensante – Roda de Conversa sobre Políticas para o Setor Artístico, na Galeria Aberta – Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul, em Goiânia.
Secretária de Arte e Cultura da Universidade Federal de Goiás (UFG), Flávia Maria Cruvinel destacou o papel das universidades na formulação e execução de políticas públicas culturais. Ela lembrou que o Ministério da Cultura só foi estabelecido com a redemocratização. “É muito recente, nós vivemos essa história. Primeiramente, é uma disputa do pensamento: o que a gente quer como arte e cultura na sociedade?”, questionou. Ela também chamou a atenção para a relação conturbada entre artistas e o poder: “nós somos úteis quando precisamos ser úteis”.
Flávia destacou o papel formativo da universidade, inclusive para artistas, para que entendam que não basta o talento e o domínio técnico: “ele tem que ter um plano de carreira, tem que saber qual o papel do artista na sociedade, qual ativo ele tem na mão, não apenas como gestor público, mas como cidadão”.
“Hoje entendemos que a universidade é uma plataforma de cultura natural, agregadora, articuladora. Que papel dela é de formação, mas que ela também está interferindo na sociedade, ajudando a pensar”, completou.
A seu ver, uma sociedade viva e democrática deve perceber a cultura como algo estruturante. E, por isso, a cultura na UFG é fruto de uma política pública implementada em 2007, que tomou a decisão política de criar, em 2009, a Coordenação de Cultura, uma das primeiras do Brasil.
“Sabemos a potência de Goiás na arte e na cultura, não é novidade isso”, pontuou. “Precisamos mostrar dentro da UFG que a cultura é potente, porque havia resistências internas”, lembrou. Entre as atividades realizadas desde então, ela destacou a criação e manutenção do Centro Cultural UFG, no Setor Universitário, e a ampla agenda do Música no Câmpus, com shows nacionais a preços populares.
“A universidade sozinha não consegue [fazer tudo], então a gente sempre se cercou pela sociedade, dos coletivos, dos produtores, de colegas de outros Estados”, disse. Hoje, a UFG faz parte de diversas redes de gestão universitária e cultural para manter vivos os projetos e poder realizá-los sem interrupção.
