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Participantes do evento (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

Representantes do setor cultural em Goiás debatem desafios e defendem políticas públicas reais para o setor

Leis de incentivo, patrimônio e gestão de espaços estiveram entre os temas abordados em evento promovido pelo jornal A Redação

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17.09.2026 - 13:09:03

Samuel Straioto

Goiânia – Representantes de diferentes áreas da cultura goiana se reuniram nesta quinta-feira (17) para discutir desafios, propostas e políticas públicas para o setor artístico em Goiás. O encontro “Arte Pensante – Roda de Conversa sobre Políticas para o Setor Artístico”, promovido pelo jornal A Redação, ocorreu na Galeria Aberta – Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul, em Goiânia. A iniciativa reuniu diferentes olhares sobre a produção cultural no Estado. Entre os principais pontos abordados, esteve a necessidade de políticas públicas reais e efetivas para a área cultural.

Participaram Flavia Maria Cruvinel, representando o meio acadêmico; o cineasta Pedro Novaes; a escritora e jornalista Lari Mundim; o produtor cultural Vitor Cadillac; Rafael Guarato, professor do curso de graduação em Dança; o músico e produtor cultural Fausto Valle Jr.; o artista plástico Fernando Costa Filho; Bulacha, artista urbano e grafiteiro; além de Wolney Unes, diretor da Elysium Sociedade Cultural e representante de entidades culturais instaladas no Estado.

Entre os temas discutidos estiveram as Leis de Incentivo, a preservação da memória e do patrimônio cultural, a gestão de espaços culturais e outros aspectos relacionados às políticas públicas para a área. A mediação do evento foi do jornalista e professor universitário José Abrão, repórter do jornal A Redação e doutorando em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

O encontro também contou com a participação do arquiteto Marcelo Safadi, ligado ao setor cultural. Um dos idealizadores da iniciativa, Marcelo destacou a Cultura como uma necessidade e como parte da construção da identidade. Para ele, é preciso diferenciar o direito de cada pessoa ou grupo de se expressar da maneira como a sociedade pode ser mobilizada para ampliar o acesso às manifestações culturais. Marcelo defendeu que as políticas públicas devem considerar duas dimensões. “O nosso direito de identidade é um assunto. E a forma como nós vamos convencer a sociedade é outro assunto”, disse. Segundo ele, conciliar essas questões é um dos desafios para o setor.

Marcelo Safidi (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

Ao falar sobre o papel do poder público, o produtor defendeu políticas que garantam liberdade de manifestação e, ao mesmo tempo, estimulem a aproximação entre diferentes públicos. “Acho que a política pública deve estudar como você permite a pessoa se manifestar com liberdade”, afirmou. Para Marcelo, também é necessário “construir pontes para que todo mundo tenha acesso”.

O produtor destacou ainda a importância de reconhecer a atuação cotidiana de artistas e agentes culturais que trabalham diretamente nos territórios. Ao comentar a presença de participantes do encontro, ressaltou que a experiência prática também representa uma forma de atuação cultural. Para Marcelo, aproximar essa experiência concreta das discussões sobre políticas culturais pode ajudar a transformar iniciativas isoladas em ações mais amplas.

Cultura precisa acompanhar transformações e novas tecnologias

Professor titular da Universidade Federal de Goiás (UFG) e diretor da Elysium Sociedade Cultural, Wolney Unes afirmou que o setor cultural pode estar entre as áreas mais afetadas em momentos de redução de investimentos. Para ele, a discussão sobre o futuro da área precisa considerar as transformações e as novas possibilidades para o setor.

Wolney Unes (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

Wolney, na ocasião, citou a trajetória da Elysium Sociedade Cultural como exemplo de transformação. “A Elysium nasceu trabalhando com música. Ao longo do tempo, a gente conheceu outras possibilidades, outras áreas”, citou. Segundo ele, o espaço passou a incorporar novas frentes de atuação, incluindo iniciativas relacionadas à restauração de bens tombados e ao patrimônio.

Politização da arte e concentração cultural

Colunista do jornal A Redação, diretor de cinema e cientista ambiental, Pedro Novaes chamou atenção para os efeitos do atual ambiente político sobre a produção cultural. Para ele, o cenário de polarização exige uma reflexão sobre o espaço que a política ocupa na arte. “Eu vejo uma dinâmica muito preocupante de uma politização excessiva da arte e da cultura, e eu tenho a sensação de que isso se volta contra nós”, afirmou.

Pedro ponderou que a relação entre arte e política é inevitável e reconheceu a importância de manifestações artísticas que assumem posicionamentos políticos. No entanto, defendeu que é preciso discutir os limites dessa aproximação.

Pedro Novaes (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

O cineasta também questionou a forma como a polarização pode influenciar a maneira de enxergar o futuro da Cultura. Segundo ele, há uma tendência de construir cenários extremos diante da possibilidade de avanço de determinados grupos políticos. “A gente tem uma tendência, nesse ambiente polarizado, a traçar um cenário apocalíptico sobre o que vai acontecer em relação à cultura e à arte”, afirmou. Para Pedro, a reflexão deve considerar também como os próprios agentes culturais estão respondendo a esse ambiente.

Produção regional

Outro ponto levantado por Pedro foi a concentração das referências culturais brasileiras no eixo Rio-São Paulo. Ele avaliou que essa centralização influencia a formulação de políticas culturais e a própria definição do que é reconhecido como produção relevante no país. “Eu acho que o eixo Rio-São Paulo tem uma visão muito problemática”, afirmou. Para o cineasta, essa lógica acaba deixando manifestações culturais de outras regiões em posição secundária. Como exemplo, citou a música sertaneja, que, segundo ele, possui grande alcance nacional. “A música sertaneja é a música mais escutada no Brasil”, disse.

Pedro defendeu, ainda, que produtores de outras regiões ampliem o enfrentamento dessa concentração e aproveitem as oportunidades existentes para dar maior visibilidade à produção regional. “Acho que tem um enfrentamento, e acho que a gente tem que ser mais agressivo no combate a isso”, afirmou. Para ele, ampliar o espaço da produção regional é também uma forma de reconhecer a diversidade cultural existente no país.

Incentivo à leitura fortalece toda a cadeia do livro

A escritora, editora, livreira e jornalista Lari Mundim destacou a importância de políticas permanentes de incentivo à leitura e de apoio à gestão das bibliotecas públicas. Para ela, estimular a formação de leitores não beneficia apenas quem lê, mas toda a cadeia produtiva ligada ao livro e à literatura. “O trabalho que a gente faz estimula a leitura, estimula a formação de leitores, mas, por dentro, isso está na base da cadeia produtiva e do mercado editorial, da arte da palavra”, destacou.

Lari Mundim (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

Lari também chamou atenção para a necessidade de compreender a formação de leitores como uma política pública de longo prazo. Segundo ela, os dados sobre leitura no Brasil, ainda que possam ser analisados a partir de diferentes critérios, reforçam a importância de ações voltadas à ampliação do acesso aos livros e à leitura.

Descontinuidade

Ao discutir a relação entre Cultura e políticas públicas, Lari apontou a falta de continuidade como um dos principais problemas enfrentados pelo setor. Ela citou uma reflexão atribuída ao professor José Castilho, relacionada às políticas nacionais do livro e da leitura, para destacar que estratégias formuladas há décadas continuam sendo utilizadas. “Ele trouxe para a gente uma reflexão que acho que é válida para todas as áreas, e outras linguagens também, que é a falta de continuidade em um campo”, afirmou.

Para Lari, a interrupção de projetos faz com que recursos públicos sejam investidos sem que os resultados possam ser consolidados ao longo do tempo. “Essa descontinuidade, esse vai e vem, faz com que a gente perceba o enfraquecimento, a falta de fortalecimento das ações à medida que elas vão ficando no caminho”, disse.

A escritora defendeu que gestores e agentes culturais utilizem instrumentos já existentes para formular políticas públicas, em vez de reiniciar constantemente o planejamento. Entre eles, citou o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), construído a partir da participação de diferentes segmentos ligados à cadeia produtiva do livro.

“O PNLL foi produzido ao longo de 13 anos, com base numa escuta ampla da sociedade, em todas as áreas da cadeia produtiva do livro, do mercado editorial”, explicou. Para Lari, o documento oferece diretrizes capazes de orientar novas ações e evitar que cada gestão precise “reinventar a roda” ao formular políticas para o setor.

Universidade e seu papel na construção de políticas culturais

Secretária de Arte e Cultura da Universidade Federal de Goiás (UFG), Flávia Maria Cruvinel destacou o papel das universidades na formulação e execução de políticas públicas culturais. Segundo ela, a institucionalização da Cultura no ambiente universitário ainda é recente e exige decisões políticas que reconheçam a área como parte estruturante da formação e da vida em sociedade.

Flávia Cruvinel (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

Flávia citou a criação da Coordenação de Cultura da UFG, a partir de 2009, como exemplo de uma escolha institucional que permitiu ampliar a presença da área na instituição.

Com trajetória ligada à música, à educação e à gestão cultural, a pesquisadora também destacou a importância de criar espaços para que diferentes manifestações artísticas tenham presença permanente no ambiente universitário. Para ela, a Cultura não deve aparecer apenas em momentos pontuais, mas fazer parte da estrutura da instituição. “Cultura não é só evento”, disse.

Conexão

Flávia defendeu ainda que a política cultural universitária não deve ficar restrita à comunidade acadêmica. Segundo ela, a universidade precisa estabelecer diálogo permanente com artistas, coletivos e produtores culturais de diferentes regiões. Nesse sentido, explicou que a UFG busca “sempre se servir da sociedade, dos coletivos, dos produtores, de um aos colegas de outros estados”.

Para a secretária, essa aproximação permite que a universidade não apenas produza conhecimento sobre Cultura, mas também contribua para fortalecer a produção artística existente fora de seus espaços.

Continuidade é desafio para quem vive da dança

Historiador da dança, professor dos cursos de graduação em Dança e de pós-graduação em Artes da Cena da UFG e diretor artístico do Grupo Três em Cena, Rafael Guarato destacou as dificuldades enfrentadas por quem escolhe a dança como profissão. A partir da própria trajetória, ele contou que começou como artista de rua e precisou ampliar sua formação e atuação para conseguir permanecer no setor.

Rafael Guarato (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

“Eu comecei com o break, e pensava que ia trabalhar com isso”, relatou. Segundo Rafael, a necessidade de conhecer outras linguagens e formas de atuação acabou fazendo parte de sua trajetória.

A experiência, segundo ele, também influenciou sua atuação como pesquisador e professor. Rafael ressaltou que a formação artística e cultural atravessa diferentes etapas da trajetória profissional e que a permanência do artista no setor depende de condições que vão além da própria produção.

Ao falar sobre Goiás, o professor questionou a interrupção de iniciativas culturais que já tiveram relevância no Estado. “Vimos uma das principais companhias de dança do nosso estado de Goiás durante 30 anos simplesmente fechar a porta. Como isso é possível? É isso que interessa explicar”, ressaltou.

Políticas de Estado

Rafael defendeu que políticas culturais sejam estruturadas como políticas de Estado e não dependam exclusivamente das decisões de cada governo. “Talvez uma política pública estatal, criada e assumida pelo Estado e não por governo”, afirmou ao apontar o que considera um dos principais desafios para garantir continuidade às ações.

Para ele, a existência de planos e sistemas nacionais representa um avanço, mas a efetividade dessas políticas depende de mecanismos que assegurem sua execução ao longo do tempo. “Como que você executa algo que não tem garantia do próprio Estado e do recurso da existência?”, questionou.

O professor também chamou atenção para a necessidade de aproveitar estruturas e documentos já construídos pelo setor cultural. Ao tratar especificamente da dança, citou o Plano Nacional de Dança como uma referência que reúne propostas acumuladas ao longo de anos de discussão.

Continuidade do debate e autonomia da arte

Pintor e desenhista, com trajetória também ligada à gestão de espaços culturais, Fernando Costa Filho afirmou que mantém uma visão otimista sobre o futuro da área. Para ele, a construção de políticas culturais depende da continuidade das discussões e do trabalho desenvolvido por artistas e instituições. “Eu sou um esperançoso, eu sou um otimista nessa área”, afirmou ao defender que a transformação do setor também depende da persistência de quem atua na Cultura.

Fernando Costa Filho (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

Ao abordar a relação entre Cultura e poder público, Fernando defendeu que o trabalho artístico precisa preservar sua autonomia. Para ele, a existência de políticas públicas é importante, mas não pode determinar a continuidade da produção artística.

“Não se pensa no trabalho humanitário da arte”, disse. Para o artista, a produção cultural contribui para o desenvolvimento humano ao promover conhecimento, sensibilização e comunicação. “O artista vai sempre existir, porque é isso que faz o conhecimento ser humano, para lapidar a gente”, analisou.

Perda da capacidade de construir coletivamente

O articulador político-cultural, comunicador e produtor Vitor Cadillac destacou a transformação na forma como o setor cultural se organiza e pensa o futuro. Com mais de 15 anos de atuação na área e experiência na gestão pública, ele lembrou um período em que coletivos e produtores buscavam criar redes, festivais e novas formas de organização cultural.

Vitor Cadillac (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

Segundo Vitor, sua geração viveu um momento em que havia maior disposição para imaginar novas possibilidades para a sociedade. Ele considerou como década positiva o período entre 2003 e 2013. “Naquele tempo a gente tinha uma sensação que havia uma grande possibilidade de inventar, de imaginar, de criar novas dinâmicas, de propor novos modelos de sociedade”, afirmou.

Para ele, parte dessa disposição foi sendo perdida ao longo dos anos. “Eu tenho a impressão de que, por algum momento, o desejo e a capacidade de desejar foram ficando de lado”, disse.

Para o produtor, a atuação cultural também passou a ficar mais concentrada em projetos individuais e na relação com mecanismos de financiamento. Ele chamou atenção para o que considera uma perda da dimensão coletiva da Cultura. “Eu acho que hoje a gente vive numa era muito atomizada”, afirmou.

Na avaliação dele, essa lógica faz com que parte dos agentes culturais esteja mais voltada para questões como editais, execução e prestação de contas do que para a construção de projetos mais amplos de sociedade. “As pessoas hoje pensam nos editais: como que eu aprovo?  como que eu presto contas do meu projeto?”, declarou.

Acesso à Cultura

Apesar da crítica à fragmentação do setor, Vitor ressaltou a importância das políticas públicas e da preservação das conquistas obtidas na área cultural. Para ele, é necessário ampliar o acesso aos recursos e aos mecanismos de participação. “As políticas públicas de cultura, especialmente em editais, são fundamentais”, afirmou.

O produtor defendeu ainda a criação de recursos e a democratização do acesso como caminhos para fortalecer a participação social. Segundo Vitor, também é necessário preservar políticas e direitos já conquistados pela sociedade. “A gente tem que defender o que o governo público criou, defender o que nós, na nossa sociedade, conquistamos, ampliar, avançar”, analisou.

Ao final, Vitor retomou a necessidade de recuperar a capacidade de imaginar novos caminhos para a Cultura. Para ele, encontros como o Arte Pensante podem contribuir justamente para reconstruir esse espaço de diálogo, conexão e elaboração coletiva de novas ideias.

Ocupação dos espaços e ação coletiva

Artista visual, palhaço, grafiteiro, muralista e cenógrafo, Bulacha destacou a importância da ocupação dos espaços urbanos por iniciativas culturais independentes. Idealizador do Encontro Goiano de Malabares e Circo (EGM Circo), que frequentemente ocupa o Beco da Codorna, no Centro de Goiânia, ele citou experiências realizadas sem recursos públicos como exemplo de mobilização coletiva.

Bulacha (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

“O que a gente conseguiu realizar, tá lá, pode olhar a programação. 247 eventos de forma independente, sem dinheiro público. Tudo no chapéu”, afirmou, ao mencionar atividades realizadas no espaço. Para o artista, iniciativas desse tipo mostram que a Cultura também pode se fortalecer a partir da participação direta de artistas e da comunidade.

Bulacha também contestou a ideia de que regiões centrais da cidade estejam simplesmente abandonadas. “O centro não tá abandonado. Tem vida acontecendo lá, tem um monte de coisa acontecendo”, disse. Ao mesmo tempo, ressaltou as dificuldades enfrentadas por quem tenta manter espaços e projetos culturais de forma independente. “É muito difícil você manter um espaço, manter uma coisa que você acredita, sendo que a prefeitura não te apoia, sendo que o seu vizinho não te apoia”, argumentou.

Para ele, a mobilização cultural também passa pela disposição de ocupar a cidade e utilizar diferentes formas de expressão. “Eu acho que a gente tem que formar esse pensamento de fazer as coisas coletivas, de fazer as coisas que a gente acredita”, declarou. Bulacha também defendeu que a população reconheça a dimensão política das manifestações culturais e das intervenções urbanas.

Periferias

Outro ponto destacado pelo artista foi a necessidade de ampliar o alcance das políticas culturais para além dos espaços e públicos que já participam das discussões. Bulacha defendeu que artistas e gestores estejam presentes também nas periferias e em regiões onde o acesso às ações culturais é menor.

“Não é só esperar chegar aonde as pessoas têm acesso, a gente tem que ir pelas periferias, pelos cantos, pelas beiras”, afirmou. Segundo ele, concentrar as atividades entre pessoas que já estão inseridas no setor limita o alcance das iniciativas.

Bulacha também destacou a importância de participar das discussões sobre políticas públicas e acompanhar as iniciativas desenvolvidas pelo poder público. “É muito importante a gente não esfriar, a gente não perder a coragem de lutar”, afirmou.

Ao explicar sua presença no encontro, o artista disse que também buscava representar pessoas que normalmente não ocupam esses espaços de discussão. “Eu tô aqui pra representar a periferia”, afirmou.

Bulacha ainda ressaltou a importância de iniciativas que criam oportunidades para diferentes artistas, escritores e produtores. Ao citar feiras e atividades culturais realizadas em Goiânia, defendeu que esse tipo de ação continue sendo oferecido à população.

Potencial econômico

Produtor cultural e idealizador do Saga Jazz Festival, que chegou à quarta edição em agosto deste ano, Fausto Valle Jr. relatou como passou a atuar profissionalmente no setor a partir do contato com editais e projetos culturais. Apaixonado por música, ele contou que precisou aprender a lidar com mecanismos de financiamento e com a estrutura do setor antes de ampliar a atuação na produção de eventos.

Fausto Jr. (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

“Eu sempre fui um apaixonado por música, mas eu não trabalhava [com isso]. Eu tinha essa vontade e, em um certo momento, eu falei: vou ver como é que eu faço”, relatou. A partir da orientação de pessoas próximas, começou a conhecer os editais e a estudar documentos relacionados às políticas culturais. “Aí eu comecei a me informar”, afirmou.

Fausto contou que essa percepção também influenciou sua decisão de trabalhar profissionalmente no setor. “Entretenimento é uma das maiores indústrias do mundo”, disse. Para ele, ainda existe espaço para ampliar a atuação profissional e econômica ligada à Cultura. “Eu considero cultura, arte, um ambiente, uma indústria de muita potência, mas muita mesmo”, afirmou.

Avaliação dos projetos

Fausto também chamou atenção para a relação entre produtores culturais e os mecanismos responsáveis pela análise e pelo acompanhamento dos projetos. Segundo ele, a aprovação de uma proposta deveria ser apenas uma etapa de um processo mais amplo, que incluísse avaliação dos resultados e diálogo sobre possíveis melhorias.

“O projeto foi feito, ele tem que ser avaliado, discutido, melhorado. É um ciclo”, afirmou. Para o produtor, esse acompanhamento permitiria identificar problemas e aperfeiçoar as iniciativas desenvolvidas com recursos públicos. “Entender onde está errado, onde pode melhorar, e aí sim criar uma massa forte de trabalho”, disse.

Outro ponto levantado por Fausto foi a necessidade de ampliar as oportunidades para quem trabalha profissionalmente com produção cultural. Ele questionou modelos em que um produtor consegue executar poucos projetos ao longo do ano, o que, segundo ele, dificulta a continuidade da atividade profissional. Para Fausto, é válido criar espaços permanentes de diálogo. “Eu não estou dizendo o que está certo e o que está errado. Eu estou dizendo que precisamos conversar. Só isso”, concluiu.

Confira como foi o encontro:

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por Samuel Straioto

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