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A nova sigla do governo

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07.12.2022 - 08:42:14
 
Preocupado com o muito a fazer e cheio de boas intenções, o governador Ronaldo Caiado criou um grupo para cuidar da “realidade prática” do que foi planejado para seu segundo mandato.
 
O GEPI (Grupo Especial de Planejamento e Inovação) tem “dez áreas estratégicas”, entre elas a que engloba educação, cultura e juventude.
 
A princípio, é uma bem-vinda iniciativa que visa garantir que não haja descontinuidade nas ações de dois governos, ainda que se tratando de um mesmo governador.
 
Por outro lado, demonstra a sua preocupação em adaptar as propostas apresentadas durante a campanha de releição às ações que vinham em marcha anteriormente.
 
Na cultura, em especial, essa marcha de 4 anos veio sempre acanhada. Logo, podemos deduzir que os componentes do GEPI não terão uma tarefa difícil em seu levantamento e diagnóstico, posto que é um setor que tem realizado muito pouco (nada de novo) e o que foi proposto durante a campanha não foge minimamente de um horizonte tímido em utilizar integralmente seus potenciais.
 
A impressão geral que se tem do governo e suas intenções na área cultural é que, uma vez recriada a secretaria específica do setor, ele se deu por satisfeito. E essa conquista institucional, a julgar pelo tratamento no GEPI, onde ela aparece embaralhada à educação e juventude, pode estar com os dias contados.
 
Traduzindo melhor, o que aconteceu até agora na cultura foi como ganhar um barco com letreiro luminoso muito bonito e ele ficar parado no porto, ao sabor das marolas: é exatamente assim como se sentem aqueles que atuam na ponta do setor cultural em Goiás, principalmente os produtores culturais, que em suas pequenas canoas fazem a roda de eventos girar; e também o público final, direto e indireto, que tanto anseia pelo potencial transformador da cultura e continua de batelão.
 
Para fazer a gestão cultural deslanchar, o governador atraiu bons nomes, antes de ceder a secretaria a partidos aliados. E o que se provou é que bons nomes não são o suficiente, assim como a recriação da secretaria não foi.
Portanto, se o problema não está nos nomes, onde estarão os entraves, se não no apoio e no orçamento que eles não tiveram?
 
Contra este estado de desânimo, felizmente agora o governador nos traz boas frases, que aparecem no seu artigo “Reeleição não é continuidade”, publicado em O Popular (6/12), trazendo inclusive o pedido de ser cobrado: “Entendo que temos de reforçar nosso compromisso com o desenvolvimento continuado e sustentável do estado. Quero ser cobrado por isto e meu compromisso é entregar resultados à altura da expectativa da nossa gente expressada nas urnas”.
 
Segundo ele, um dos motivos para a criação do GEPI é a sua busca por “construir um legado sustentável”. “Buscamos, de forma planejada, aplicar as políticas publicas fundamentais para que Goiás acelere ainda mais sua rota de desenvolvimento”. E conclui com sincero otimismo e vontade de trabalhar: “A reeleição nos impõe muito mais deveres e desafios e não haverá acomodação”.
 
Neste seu modelo de funcionamento, o GEPI desenvolve um processo de construção de relatorias internas, com os coordenadores das áreas recebendo o relatório setorial de cada sub-área, para a partir deles e com ajuda de outros levantamentos junto a demais colaboradores, compor o relatório temático daquela área, documento que servirá de base para o relatório final de governo e o anúncio das primeiras ações.
 
Que o GEPI não seja apenas uma nova sigla, mas produza resultados que poderão dar rumo alto e agilizar a governança estadual, principalmente na cultura, já a partir de 1° de janeiro.
 
*Px Silveira é produtor cultural
 
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por Px Silveira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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