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A Copa do Mundo em uma primavera atípica

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06.12.2022 - 09:12:06
Desde a minha mais tenra idade a Copa do Mundo sempre aconteceu nos meses de junho e julho e esta é a primeira vez que ocorre no final do ano, em novembro e dezembro. Não deixa de ser curioso pensar que também, há tanto tempo, muitos meses antes do Mundial, praticamente todo brasileiro saberia dizer quando seria o primeiro jogo, os nomes dos jogadores, quais as possibilidades de vitória ou de derrota, os favoritos, enfim, o assunto dominava as conversas.
 
As ruas eram pintadas e o Brasil ficava cada vez mais verde e amarelo. Hoje, no ano de 2022, o cenário da Copa pós-pandemia, ou seja, após dois anos de muito sofrimento para todos que habitam esse planeta, se modifica. Além das novas datas, a maioria das pessoas não sabe mais os nomes dos jogadores e os assuntos que vem dominando as conversas não são os jogos da Copa, mas sim, política.
 
Seria esta constatação uma coincidência ou consequência do amadurecimento de um povo?
 
Não que falar e torcer pelo Brasil, ou o país de origem, no futebol ocorra na ordem do imaturo, em absoluto. Não se trata de pensar assim, apenas refletir que, antes, a Copa ocupava o lugar da paixão cega, tudo seria excluído e nada mais interessaria. Era o futebol se consagrando como o ópio do povo!
 
O Brasil, não diferente do resto do mundo, experimentou um inverno atípico. Na verdade, foram dois anos de estiagem, o frio dominou a alma, a saudade se fez solidão, as lágrimas banharam tristezas, os medos dominaram esperanças e o sofrimento desaqueceu corações. E, quando todos pensavam que o sol nasceria no horizonte, a guerra se precipitou despontando a todos, ao topo da montanha. E, particularmente, a nossa pátria se confirmou dividida politicamente.
 
Mas, Copa do Mundo é alegria! As pessoas se reúnem para assistir aos jogos e torcerem. Enquanto algumas se encantam e se sentem vitoriosas, outras estão desencantadas e derrotadas. Assim é o jogo da vida: um mix de sentimentos!
 
Portanto, ao olhar os dois lados da moeda chamada vida, o lado de um inverno extremamente frio obrigou o outro a aquecer, logo, a amadurecer. Não se deixando, assim, ser dominado pela paixão cega. Sem dúvida, uma mudança de olhar importante, pois implica na transformação evolutiva de si mesmo enquanto povo, pátria e cidadãos. Cidadania que, por sua vez, faz emergir o sentimento cívico, que se faz fundamental para a formação da identidade, visto que é o registro do coletivo na personalidade individual.
 
Fato é: aquele que perde a sua pátria, tem ceifada as suas raízes, roubada a sua história e, talvez, pior, aniquilada a sua própria cultura. Isso, consequentemente, leva a desconstrução, não só do sentimento do “Eu” individual, mas, também, do “Eu” coletivo.
 
Nesse sentido, a Copa do Mundo, exerce uma função ímpar na direção de unir, reunir e integrar, pois todo brasileiro se unifica em prol da vitória do Brasil. Nada como uma primavera atípica!
 
*Beatriz Breves é psicóloga, psicanalista, bacharel e licenciada em Física. É presidente, membro efetivo e fundador da Sociedade da Ciência do Sentir (SoCiS) e autora de 8 livros sobre o tema.
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por Beatriz Breves

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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