Sim, até o amor acaba. Constatação dura, cruel, impossível, dolorosa. O amor acaba, como nos escreveu Paulo Mendes Campos. “num domingo de lua nova, depois do teatro e silêncio… O amor acaba a toda hora para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto, o amor acaba.”
E com o seu fim, a dor. Dilacerante, viva, insuportável, paralisante. Quando o amor acaba, seja qual for o motivo, dói. Uma dor física, real. E neste estado de torpor, pensamos que não vamos durar nem mais um dia.
Mas duramos. E acordamos, e choramos, nos culpamos, culpando o outro, culpando a vida, deus e todo mundo. Porque o fim passa por processos complexos de sofrimento, negação, depressão e, por fim, a aceitação de que acabou.
Todos, em algum momento de nossas existências, viveremos o luto de um amor que deu certo por um tempo e depois acabou.
Aceitar essa finitude não é tarefa para amadores. Quando o amor acaba, parece que não valemos nada sem ele. Como se o fato de já não ser amada pelo outro tirasse a direção e o norte das nossas vidas.
O processo de cada um é único e pessoal, mas nunca é fácil. Algumas pessoas se superam mais rapidamente, outras ficam anos remoendo a mesma história. Só falam no fim, só pensam no ex, cultivam a raiva como um dia cultivaram aquele amor. Regando o coração diariamente com ódio, amargura e rancor.
Felizmente tudo passa. O tempo não cura todas as feridas, mas certamente ameniza as dores mais latentes. E uma hora, sem mais nem menos, as lágrimas secam, a vontade de se arrumar e ir para rua surge, o sorriso aparece. A plaquinha de fechada para balanço é retirada da sua vitrine. Você voltou.