Logo

Locação temporária, lucro nas férias

WhatsAppFacebookLinkedInX
06.07.2017 - 18:42:34

Caio Cesar Mota

Goiânia – Para muitas pessoas julho é mês de negócios. Isso por que aplicativos e grupos em redes sociais de serviços comunitários de hospedagem tem dado oportunidade para que pessoas aluguem imóveis, flats ou quartos temporariamente e lucrem com isso. Em Goiás, este mês, considerado o ideal pra temporada de férias, pessoas do Brasil todo vêm para conhecer cidades turísticas como Caldas Novas, Pirenópolis e regiões da Chapada dos Veadeiros e do rio Araguaia e, na hora da hospedagem, os goianos aproveitam a sua fama de hospitaleiros e anunciam quartos, apartamentos e casas disponíveis. Estas opções, além de trazerem uma receita extra para quem anuncia, acabam sendo uma alternativa mais econômica para quem aluga. Porém, é preciso ficar atento a regras, sejam elas legais, de ordem interna, ou regida pelos costumes, para que não se enfrente dissabores na hora de alugar um quarto ou um apartamento em um condomínio residencial, por exemplo.

Recentemente o Airbnb, o principal aplicativo de hospedagem atualmente, divulgou um crescimento expressivo nos números de anúncios e de anfitriões, que é como eles chamam os anunciantes. Em 2016 foram 123 mil anúncios feitos por cerca de 90 mil anfitriões, a média renda extra dos anfitriões que alugam imóveis ou quartos com frequência foi de R$ 6.300,00 e o impacto econômico destes compartilhamentos só no Brasil foi de dois bilhões de reais. No decorrer do ano de 2016 foram contabilizados mais de um bilhão de hóspedes só no Brasil, 140% a mais do que em 2015. São números consideráveis e que mostram que pelo Brasil a preferência tem sido esta.

Apesar dos grandes números e facilidades, há situações que devem ser bem analisadas antes do fechamento do negócio. Alugar um apartamento por temporada via Airbnb, ou outros aplicativos, não tem nenhuma irregularidade, desde que não infrinja, por exemplo, as normas do condomínio em que vai funcionar. Em lugares como Nova York, Berlin, Miami, leis de zoneamento já tem sido trabalhadas a fim de proibir locações com curtos períodos de tempo para barrar este método de hospedagem. Em Miami a regulação imputou prazo mínimo de seis meses de locação. No Brasil ainda são poucas ações a fim de regular a operação do Airbnb, no entanto, surgem as primeiras preocupações, vez que os condomínios residenciais, via de regra, não estão aptos a operarem dessa forma o que pode gerar perturbação ao sossego dos vizinhos e insegurança, vez que desviam a finalidade das edificações que deveria ser estritamente residencial, além disso, boa parte dos usuários desses serviços são pessoas que estão em busca de gozo de suas férias e festividades, o que pode gerar conflitos.

Nesse sentido, se não houver proibição expressa nas normativas internas, seja convenção de condomínio, regimento interno ou por meio das AGEs (Assembléias Gerais Extraordinárias) a prática é livre, pois não há qualquer previsão legal contrária, o que temos, até então, é uma Lei Federal que estimula o turismo e regulamenta hospedagens com prazo inferior a 90 dias (Art. 24, § 2º, Lei Federal nº 11.771 de 2008). Portanto, para evitar maiores transtornos, em especial com relação aos métodos pouco convencionais e seguros de locação, é importante que os próprios condôminos se antecipem, regulando a relação com os condôminos, estabelecendo, se necessário, limites nas locações das unidades habitacionais.  Observar a sua natureza, estritamente residencial, e o número de pessoas por unidade, também ajuda não comprometer a segurança da edificação. E, não sendo os demais condôminos atendidos pelo condômino/locador, que haja autuação ou, em último caso, se tratando de situação extrema, que peça judicialmente seu afastamento com base no entendimento de se tratar de pessoa nociva, o que gera incompatibilidade com a vida social.  Feito isso, se os problemas não puderem ser evitados, certamente serão no mínimo mitigados.

Caio Cesar Mota é advogado e diretor da Comissão de Direito Imobiliário e Urbanístico da OAB de Goiânia.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Caio Cesar Mota

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]