João Unes e Marcos Araken
Goiânia – A secretária de Educação, Cultura e Esporte, Raquel Teixeira, em entrevista exclusiva na sede do jornal A Redação, nesta quarta-feira (18/1), comentou sobre a percepção otimista que tem do atual momento da política brasileira, em especial do governo federal. “Temer, por ser um homem experiente, um político hábil, um constitucionalista sólido nos conhecimentos que tem e está fazendo bem o dever de casa”, ressaltou.
Do alto da experiência conquistada em dois mandatos na Câmara dos Deputados (2003 a 2011) e na participação no primeiro escalão do governo estadual em quatro ocasiões – nos três mandatos de Marconi Perillo e um com Alcides Rodrigues – ela afirmou que o Brasil vive uma fase de transição. Invocou o sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925 – 2017) para enquadrar o momento atual do Brasil na chamada ‘teoria da sociedade líquida’, como forma de explicar o momento de transformação social que a classe política ainda tenta entender. Segundo Teixeira, uma fase que “dividiu o Brasil”.
“Estamos vivendo um clima de insegurança, de indignação, de raiva da população, um racha ideológico que nunca vi no País. ‘Eu estou de cá, então necessariamente você está de lá’, sem nuances atenuadoras”, declarou para explicar a maneira maniqueísta como as discussões políticas estão sendo travadas. “A gente está assistindo esses rachas nas famílias. Conheço famílias em que irmão não conversa com irmão, primo não conversa com primo, por causa de ideologias, por causa de partidos. Isso é muito ruim em termos políticos”, avaliou.
Foto: Renato Conde / A Redação
Raquel Teixeira: "[O Brasil] vive uma crise fiscal e financeira que nunca viveu"
A mudança de comportamento da sociedade brasileira como reação à crise econômica sem precedentes na história – “uma crise fiscal e financeira que o País nunca viveu” – é visto com preocupação por ela. “Um momento tão profundo de mudança tem reflexo na política, na prática política. Acho que a gente está passando esse momento para melhorar. Acho que a tendência é melhorar. Essa participação, às vezes irracional, às vezes exigente , fora do controle, faz parte do processo. Os excessos vão sendo coibidos e atenuados, mas acho que vai requerer uma nova prática política, com certeza. O político que não perceber isso vai ser atropelado”, sentenciou a secretária.
O otimismo de Raquel Teixeira está baseado, em partes, nas declarações feitas pelo presidente Temer, ano passado, segundo as quais ele afirmou não estar preocupado em manter bons níveis popularidade, face às medidas que possam gerar insatisfação social. “Ele não é um presidente popular, não tem carisma para isso e não vai construir em dois anos. Mas, se ele conseguir manter a habilidade de lidar com o Congresso Nacional, que é de quem ele precisa para apoiar as reformas que o País precisa, acho que ele terá feito com brilhantismo o papel dele”, avaliou. “A impressão que eu tenho é que ele está vendo esse momento como um momento para deixar um legado histórico. A história vai reconhecer o que ele fez”, disse.
Formada em Letras pela UnB, mestre em Linguística pela UnB e pela Universidade da Califórnia em Berkeley (UCB), doutora em Filosofia pela mesma UCB, com pós-doutorado pela francesa École des Hautes Études en Sciences Sociales, Raquel Teixeira ocupou os cargos no governo estadual de secretária da Educação, Ciência e Tecnologia e também Cidadania. Teixeira foi deputada federal em dois mandatos (2003 a 2011).
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