A Redação
Goiânia – Nenhum alimento isolado previne o câncer de mama, mas uma alimentação baseada em comida de verdade, aliada ao controle do peso, à atividade física e à redução do consumo de álcool, contribui para diminuir o risco da doença. O alerta é da nutricionista Amanda Amaral, de Goiânia. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. É o tipo mais incidente entre as brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma.
“Estudos mostram associação entre padrões alimentares mais saudáveis e menor risco de câncer de mama. O que ainda não podemos dizer é que determinado alimento ou suplemento ‘evita’ o câncer”, afirma Amanda. Ela cita uma meta-análise publicada em 2025 na revista Health Science Reports, que associou maior adesão à dieta mediterrânea a uma redução de aproximadamente 13% no risco. “Isso não significa que uma dieta específica ‘impeça’ o câncer. Câncer é uma doença multifatorial, e a alimentação é apenas uma das peças desse conjunto.”
Álcool: não há dose segura
Entre os hábitos alimentares, o álcool é o ponto de maior atenção para o câncer de mama. Uma meta-análise de estudos de coorte publicada em 2024 na revista Alcohol: Clinical and Experimental Research calculou que uma dose diária de bebida alcoólica eleva o risco em 10% em relação a mulheres que não bebem. Mesmo o consumo abaixo de uma dose por dia foi associado a aumento de 4%. “Não existe uma quantidade considerada totalmente segura para a prevenção do câncer. Quanto menor o consumo, menor o risco”, diz a nutricionista.
Ultraprocessados e carnes processadas também devem aparecer com menos frequência no prato. Na coorte francesa NutriNet-Santé, com cerca de 105 mil participantes, cada 10% a mais de ultraprocessados na dieta foi associado a risco 11% maior de câncer de mama (BMJ, 2018). Para presunto, salame, salsicha e bacon, a recomendação é consumir pouco ou, idealmente, evitar. A evidência mais consistente é para câncer colorretal, mas uma meta-análise de 2018 também encontrou risco 9% maior de câncer de mama entre as mulheres com maior consumo desses produtos.
Prato simples e barato
Amanda resume a orientação: mais comida de verdade e menos ultraprocessados. “Não precisamos de uma alimentação perfeita. Precisamos de uma alimentação que seja saudável e possível de manter ao longo da vida.”
Para quem tem pouco tempo e orçamento apertado, ela sugere dividir o prato em três partes: verduras e legumes, uma fonte de proteína e uma de carboidrato. “O famoso arroz com feijão, acompanhado de legumes e uma carne magra, já é uma excelente refeição.” Deixar folhas lavadas e legumes picados prontos para cozinhar ajuda a manter a rotina. “Mais importante do que comprar produtos ‘fitness’ ou alimentos da moda é ter variedade e consistência.”
