Tenho várias mulheres dentro de mim. Aliás, acho que toda mulher tem algum grau de esquizofrenia e múltiplas personalidades. Uma hora estamos fofas, dois minutos depois viramos loucas.
Às vezes sou simpática e alegre com todo mundo e quando chego em casa pareço outra pessoa. Tipo o médico e o monstro, versão mais light. A fofinha legal se transforma na rabugenta e mal-humorada, irritada e implicante.
Poderia dizer que é tudo culpa da TPM, mas estaria mentindo.
A TPM não surge assim de repente do nada e passa meia hora depois. Isso tem outro nome: estresse. Queremos tudo pra ontem, não temos paciência de esperar, fazemos mil coisas ao mesmo tempo e achamos que quem está ao nosso lado tem a obrigação de fazer os mesmos malabarismos.
Por outro lado, os homens têm aquele ritmo irritante de tartaruga. Você pede para ele arrumar o chuveiro do banheiro, ele diz sim, daqui a pouco, enquanto assiste a uma partida importantíssima da primeira rodada da série D do Brasileirão. Alguns tempo depois, ele está assistindo a final do mesmo campeonato e o chuveiro, bom, o chuveiro continua quebrado.
Tem um livro chamado Os homens são de Marte e as mulheres de Vênus, ou algo do gênero. Não li, porque livro de auto-ajuda nunca me seduziu. Mas o título do livro faz sentido. Homens e mulheres são seres de planetas distintos, tentando a todo custo se comunicar. Muitas vezes sem sucesso.
Às vezes acho que Deus fez uma pegadinha com a gente, querendo colocar homens e mulheres para se relacionarem. Somos de naturezas muito antagônicas. Como não sou estudiosa, vou partir para a generalização. Os homens são mais simples e nós, mais complexas. Homens fazem uma coisa por vez. Nós, pelo menos umas seis. Falar no telefone para combinar o happy mais tarde, decidir o almoço, aprontar o filho pra escola, deixar o cheque pro jardineiro, entrar no Facebook, checar os e-mails. Isso em um intervalo de, no máximo, cinco minutos.
Realmente é difícil acompanhar o ritmo de mulheres equilibristas. Tentando equilibrar trabalho, casa, marido, filhos, grana, corpo e vaidade, diariamente. É exaustivo. E nessa exaustão a fofa dá lugar a louca. É quando a gente perde a paciência, grita com um filho, com o marido, buzina no trânsito. Depois a fúria passa, assim como veio.
Mas não é bom. A sensação que fica não é boa. O estrago também não. Ser uma equilibrista na vida faz a gente cair. E o tombo dói. Na gente e nos outros.
A verdade é que não dá para se equilibrar sozinha o tempo todo. A gente precisa de uma mãozinha amiga para não cair da corda. Mesmo que a mão amiga só conserte o chuveiro no final do campeonato.