A Redação
Goiânia – A pandemia provocou uma das maiores mudanças estruturais na saúde suplementar. Além dos impactos diretos sobre a assistência médica, o período acelerou a adoção de tecnologias, ampliou o volume de atendimentos e alterou o comportamento de utilização dos serviços pelos beneficiários de planos de saúde.
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que o setor reúne atualmente 53,3 milhões de beneficiários em planos médico-hospitalares e conta com cerca de 665 operadoras em atividade no país.
A dimensão da operação pode ser observada no volume de atendimentos realizados. Apenas em 2024, os planos de saúde registraram cerca de 1,94 bilhão de procedimentos médico-hospitalares, entre consultas, exames, terapias e internações.
Avanço da telemedicina
Uma das mudanças mais relevantes após a pandemia foi a ampliação do uso da telemedicina. O número de teleconsultas no país cresceu de forma expressiva nos últimos anos, saltando de cerca de 200 mil atendimentos em 2020 para mais de 3,1 milhões em 2025.
Na Unimed Goiânia, a ferramenta se tornou fundamental para a prestação de serviços de saúde, possibilitando o atendimento seguro e eficaz dos pacientes, mesmo à distância. Em 2025, a cooperativa realizou mais de 28 mil consultas virtuais, um crescimento de 3,5% em relação ao ano anterior. O avanço reforça o compromisso da Unimed Goiânia com a ampliação do acesso à assistência médica qualificada, por meio de soluções inovadoras.
O serviço de atendimento médico virtual tem se consolidado como alternativa para facilitar o acesso ao cuidado, permitindo que o beneficiário receba orientação e acompanhamento profissional com agilidade, segurança e conforto, sem a necessidade de deslocamento. Em 2025, o serviço contou com a atuação de 42 médicos cooperados, especialistas em Clínica Médica e Pediatria, garantindo acolhimento e resolutividade em diferentes demandas.
Novo perfil de utilização
Estudos da ANS indicam mudanças no padrão de utilização dos serviços de saúde no período pós-pandemia. Houve aumento na realização de exames ambulatoriais, que somaram 1,8 bilhão de registros em 2024, impulsionado pelo represamento de procedimentos durante a crise sanitária e pela retomada dos acompanhamentos médicos.
Por outro lado, consultas e parte dos atendimentos ambulatoriais passaram por oscilações nos anos seguintes à pandemia, refletindo uma reorganização gradual da assistência. O cenário evidencia não apenas a retomada da demanda reprimida, mas também uma mudança no comportamento dos beneficiários, que passaram a acessar o sistema de saúde de forma mais ativa, com maior busca por exames e acompanhamento preventivo.
Ao mesmo tempo, o setor convive com forte pressão sobre os custos assistenciais. A sinistralidade média das operadoras médico-hospitalares ficou em 81,7% em 2025, segundo o Painel Econômico-Financeiro da ANS.
Na prática, isso significa que cerca de 82% da receita das operadoras é direcionada ao custeio de atendimentos médicos e hospitalares, o que reforça a necessidade de maior eficiência na gestão.
Tecnologia e dados na gestão da saúde
Diante desse cenário, operadoras de saúde passaram a investir de forma mais estruturada em tecnologia e análise de dados para aprimorar a gestão assistencial e financeira.
A digitalização de processos, o uso de indicadores em tempo real e a ampliação de ferramentas de monitoramento têm permitido maior previsibilidade sobre a utilização dos serviços, além de apoiar decisões relacionadas à organização da rede assistencial e ao planejamento de custos.
Para os beneficiários, essas mudanças se traduzem em mais agilidade no acesso, menos etapas no atendimento e melhor integração entre os serviços de saúde.
Na Unimed Goiânia, o acompanhamento de indicadores assistenciais e administrativos passou a integrar de forma mais estruturada os processos de gestão da cooperativa.
Visão operacional
Para o diretor de Operações da Unimed Goiânia, Dr. Hélvio Martins Gervásio, as mudanças exigiram uma reorganização da assistência e maior integração entre tecnologia e cuidado. “A pandemia acelerou transformações que já estavam em curso. Hoje, a operação precisa ser mais integrada, com uso de dados e tecnologia para garantir continuidade no cuidado e mais eficiência no atendimento. Isso permite antecipar demandas, melhorar a coordenação da assistência e oferecer respostas mais ágeis às necessidades dos beneficiários”, afirma.
Segundo ele, a tendência é de evolução contínua do modelo assistencial. “O desafio agora é consolidar esse modelo, garantindo qualidade, segurança e previsibilidade no cuidado, com foco na jornada do paciente e na sustentabilidade do sistema”, destaca.
Em um setor regulado e em constante transformação, o legado da pandemia vai além da superação e consolida uma mudança estrutural impulsionada pela digitalização e pelo uso de dados. Esse novo cenário redefine o ritmo da sustentabilidade na saúde suplementar, ao mesmo tempo em que fortalece a qualidade assistencial, com mais previsibilidade, coordenação do cuidado e foco na jornada do paciente.
